Clube do Português

Língua portuguesa para produtores de conteúdo

Month: julho 2016 (page 1 of 3)

Utilize a língua portuguesa para construir pontes, não para destruí-las

Use a língua portuguesa para criar laços saudáveis

Use a língua portuguesa para criar laços saudáveis

Falar e escrever são atos que, a medida que dominamos, realizamos quase de forma automatiza. Com o tempo, paramos de refletir sobre o significado das palavras e aderimos a um modo de enunciar socialmente aceito entre as pessoas com quem convivemos.

Como bem destaca o gramático Evanildo Bechara, “embora o ato linguístico, por sua natureza, seja individual, está vinculado indissoluvelmente a outro indivíduo pela natureza finalística da linguagem, que é sempre um falar com os outros, consoante a dimensão alteridade”. Em outras palavras,  se utilizamos as palavras para nos comunicar, a escolha de quais termos utilizar impacta a comunicação com esse outro indivíduo.

O problema é que, com o tempo,  essa análise do outro e de como as palavras que eu utilizo o afetam vai sendo deixada de lado em detrimento de um comportamento mais egocêntrico e colérico. Nós vamos perdendo a empatia com nosso interlocutor. Quando isso ocorre, corremos o risco de utilizar termos que vão, consciente ou inconscientemente, ferir a outra pessoa. Não falo aqui de exercitar autocensura, mas sim de realizar o ato básico e solidário de se colocar no lugar do outro.

Aqui vale destacar o trabalho do psicólogo americano Marshall Rosemberg sobre os princípios da comunicação não violenta:

  • Observar de maneira descritiva e não julgadora – procure descrever atos sem apelar para extremismos ou juízos definitivos de valor;
  • Distinguir sentimentos de opiniões –  em vez de rebater um argumento agressivo com outro, busque explicar para a outra pessoa como aquelas palavras tem fazem sentir;
  • Distinguir necessidades, desejos e sentimentos de opiniões e julgamentos –  comunique-se tendo como base algo que te afeta e explicando como isso ocorre. Tentar justificar atitudes com opiniões e julgamentos destrói a empatia e gera isolamento;
  • Fazer pedidos claros e específicos – seja claro no que você deseja da outra pessoa. Dessa forma, é possível sair do campo das expectativas e passar para a campo da realidade. Não utilize ameaças ou chantagens emocionais para conseguir o que quer, pois desgasta a relação com a outra pessoa.

Esses quatro princípios ajudam a nos balizar, quando fazemos a seleção vocabular para tratar sobre determinado assunto com determinado indivíduo ou grupo de pessoas. Tendo em mente que nosso objetivo principal com a linguagem é nos conectar e não nos apartar, é possível evitar vocábulos que tenham uma carga semântica que vá ferir outra pessoa ou que passe uma impressão errada sobre o que queremos realmente dizer.

Como bem destaca  Luiz Antônio Marcuschi, “a língua é um sistema ligado a práticas sócio-históricas e não funciona no vácuo”. E explica ainda que é “com ela [que] guiamos sentidos e construímos mundos, mas não por força de uma virtude imanente à própria língua como tal e sim pelo esforço dos falantes”.

Toda palavra possui um peso sócio-histórico, que deve ser levado em consideração na hora de dialogar com as pessoas. A língua portuguesa é um instrumento que pode gerar autonomia ou dominação. Cabe a nós escolher qual caminho queremos seguir.

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O que é um pronome indefinido?

pronomes indefinidos.

pronomes indefinidos.

Pronomes indefinidos são termos que se referem à 3ª pessoa do discurso. Eles conferem ao texto um sentido mais impreciso ou vago e indicam uma quantidade não determinada. Eles estão divididos em pronomes indefinidos substantivo e adjetivo.

Pronome indefinido substantivo

Ocupam o lugar do substantivo nas funções ocupadas por essa classe de palavras.

ex: tudoalgo, nada, alguém, fulano, quem, sicrano, beltrano,  ninguém, outrem.

Ex¹: Não sabemos quem fez essa bagunça.

Ex²: Ninguém me contou que você viria.

Pronome indefinido adjetivo

Qualificam o ser expresso na frase, com o objetivo de representar uma quantidade indeterminada.

ex: cada, certo, certa.

ex¹: Cada pessoa tem suas manias.

ex²: Certas empresas não respeitam o consumidor.

Há ainda pronomes indefinidos que podem ser tanto substantivo, quanto adjetivo.

ex: nenhum, nenhuma,  pouco, pouca, qualquer, quaisquer, qual, que, quanto, quanta, tal, tais, tanto, tanta, todo, toda, um, uns, uma, vários, várias, outro, outra, algum, alguns, alguma, bastante, demais, mais, menos, muito, muita, nenhum.

ex¹: Alguns vieram ontem aqui em casa.

ex²: Alguns alunos se esforçam mais que outros.

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Nenhum x Nem um

Apesar de serem parecidas, as expressões 'nenhum' e 'nem um' tem significados diferentes.

Apesar de serem parecidas, as expressões ‘nenhum’ e ‘nem um’ tem significados diferentes.

Os termos nem um e nenhum, apesar de apresentarem algumas similaridades entre si, são empregados em contextos diferentes.

Nenhum é um pronome indefinido e é utilizado em oposição a algum. Dessa forma, para saber quando o usar, basta substituir nenhum por algum.

Ex: Nenhum de nós seria capaz de realizar aquela tarefa.

SUBSTITUIÇÃO: Algum de nós seria capaz de realizar aquela tarefa.

Já em nem um, “um” tem o papel de numeral. A expressão é equivalente a nem mesmo um.

Ex: Não tinha nem um centavo no bolso.

SUBSTITUIÇÃO: Não tinha nem mesmo um centavo no bolso.

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Nas perguntas indiretas e retóricas, usa-se ‘por que’

Perguntas indiretas e retóricas - use 'por que'

Perguntas indiretas e retóricas – use ‘por que’

Já falamos AQUI sobre o uso dos porquês. Contudo, não falei de dois casos específicos, que é o uso nas perguntas indiretas e nos questionamentos retóricos. Vamos lá!

Perguntas indiretas

Por que (separado e sem acento) significa por qual motivo.

ex: Gostaria de saber por que você não veio ontem.

SUBSTITUINDO: Gostaria de saber por qual motivo você não veio ontem.

Questionamentos retóricos

Também usamos ‘por que’ em questionamentos retóricos, que são aqueles utilizados estilisticamente.

ex: Como tinha dinheiro, quis comprar tudo: queijos finos, vinhos importados e – por que não? – chocolates suíços.

SUBSTITUINDO: Como tinha dinheiro, quis comprar tudo: queijos finos, vinhos importados e – por qual motivo não? – chocolates suíços.

DICA BÔNUS: Quando houver o encontro da preposição ‘por’ com o pronome relativo ‘que’ (relembre AQUI o que é pronome relativo), também haverá um caso de por que separado e sem acento. Nesse caso, será possível substituir pela expressão pelo qual.

ex: Esse é o motivo por que não tenho mais interesse em futebol.

SUBSTITUINDO: Esse é o motivo pelo qual não tenho mais interesse em futebol.

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Vultuoso x Vultoso – quando utilizar cada um?

Entenda a diferença entre vultoso e vultuoso.

Entenda a diferença entre vultoso e vultuoso.

No vídeo de hoje, que você está recebendo antes de todo mundo, eu explico a diferença entre vultuoso e vultoso. Essas duas palavras são parônimos, ou seja, termos com grafia e som muito parecidos, mas com significados diferentes.

E vocês verão que, neste caso, os sentidos dos dois vocábulos são BEM distintos. Um indica um quadro clínico e outro expressa uma noção de quantidade e volume. Assista e confira qual é qual!

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Compreensível x compreensivo – entenda a diferença e quando utilizar cada palavra

Entenda a diferença entre compreensível e compreensivo.

Entenda a diferença entre compreensível e compreensivo.

Um dos pontos de atenção que se deve ter no momento de escrever um texto é não confundir os parônimos, que são palavras parecidas, mas com significados diferentes. (OBS: Você viu que nessa frase tem um sujeito oracional?)

Um caso que causa bastante confusão é o do par “compreensível” e “compreensivo”. Vejamos:

Compreensível – que se pode compreender.

Ex: Em um momento de crise, é compreensível (pode-se compreender) que pessoas sejam mais conservadoras em suas decisões.

Compreensivo – que compreende os outros.

Ex: Apesar de ter não ter gostado da brincadeira, ele foi compreensivo (compreendeu) com seus colegas e os desculpou.

Saiba mais

Outra diferença entre os dois vocábulos é que “compreensível” é um adjetivo comum de dois gêneros. Ou seja, ele não apresenta flexão de gênero.

ex¹: A situação era compreensível.

ex²: O momento era compreensível.

Já “compreensivo” apresenta variação de gênero.

ex¹: A moça era compreensiva.

ex²: O moço era compreensivo.

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O que é sujeito oracional?

o-que-é-sujeito-oracional

Sujeito oracional ocorre quando há uma oração subordinada substantiva fazendo papel de sujeito.

Ex: Praticar exercícios frequentemente é bom para a saúde.

Perceba que a oração “Praticar exercícios frequentemente” é sujeito do predicativo “é bom para saúde”.

Para identificar um sujeito oracional, basta substituir a oração por “isso”.

Ex: Isso é bom para saúde.

PS: O sujeito oracional equivale ao substantivo  masculino na terceira pessoa do singular. Logo, é preciso ter atenção com concordância.

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Ensino de português como instrumento de autonomia

autonomia

O verdadeiro sentido da aprendizagem da língua portuguesa é a expansão da autonomia do indivíduo

Muitas pessoas acham que o estudo da língua portuguesa é uma chatice e consideram que entender as regras gramaticais é um mero formalismo desinteressante. Essa situação se deve, em parte, ao fato de que grande parte do nosso sistema educacional ser focado não na aprendizagem em si, mas sim na instrução. Os alunos são estimulados a decorar regras fora de contexto, que serão esquecidas pouco tempo depois.

Nesse contexto, perde-se a dimensão que a aprendizagem e entendimento pleno das regras da língua tem de dar autonomia ao indivíduo.  Como bem destaca o parceiro Henrique Bastos, autonomia é a capacidade de se relacionar de igual para igual com qualquer outra pessoa em toda a rede social. 

Existem no país , segundo o IBGE, 13 milhões de pessoas analfabetas absolutas e outras 40 milhões analfabetas funcionais. Uma pessoa em condição de analfabetismo funcional consegue identificar letras e números, mas não é capaz de compreender frases de complexidade média.

Diante desse cenário, não é possível estabelecer relações autônomas. Como uma pessoa que não é capaz de compreender o que lê conseguirá negociar cláusulas de um contrato, por exemplo? Quem não é autônomo não é livre para conduzir seu próprio destino. Isso impacta não só a pessoa em si, mas o país como um todo. Como bem observou Amartya Sen “o desenvolvimento consiste na eliminação de privações de liberdade que limitam as escolhas e as oportunidades das pessoas de exercer ponderadamente sua posição de agente”.

Por isso, o ensino da língua portuguesa é antes de qualquer coisa um instrumento de empoderamento e de expansão da autonomia. Porém, é preciso investir em métodos de aprendizagem descentralizados, que sejam aplicáveis à realidade e que confiram autonomia para as pessoas investirem em seu autodesenvolvimento. O modelo de conhecimento bancário, no qual o professor se coloca como um cardeal, em um nível de hierárquico mais elevado em relação aos estudantes, só irá aprofundar o problema.

Essa mudança não será conduzida por poucas pessoas, mas por uma rede de atores conectada e trabalhando em prol de um propósito único, que é o de ampliar a autonomia e a liberdade das pessoas. Relações desiguais, além de insustentáveis a longo prazo, são altamente destrutivas. Então, se hoje você está desestimulado a estudar português, busque enxergar os benefícios que isso trará para sua caminhada pela vida.

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Crase e acento grave são coisas diferentes

Crase-acento-grave

Muita gente pensa que que acento grave é sinônimo de crase. Porém, isso não está correto. Então, sem mais delongas, vamos desfazer essa confusão.

O que é crase?

Trata-se, segundo Celso Luft, do encontro e fusão de vogais idênticas. A palavra vem do grego krásis, que significa combinação, fusão, mistura. O acento grave é uma sinal gráfico que indica que há uma crase (encontro do artigo feminino “a” com a preposição “a” ou encontro da preposição “a” com os pronomes demonstrativos “aquele, aquela, aqueles e aquelas”).

Ex¹: Ele foi à festa ontem.

Ex²: Refiro-me àquela casa que fica perto da igreja matriz.

Contudo, o acento grave tem ainda outra função, que é a de índice de preposição. Nesse caso, o objetivo é evitar ambiguidade e conferir mais clareza às frases.

Ex: Expõe frutas a venda.

Nesse caso, pode-se criar a dúvida se estamos usando a frase “A venda expõe frutas” fora da ordem direta ou se queremos dizer que as frutas estão sendo vendidas. Dessa forma, usa-se o acento grave para acabar com a confusão e esclarecer se ali há uma preposição ou um artigo definido feminino .

OBSERVE:

a) Expõe frutas a venda. (a = artigo definido feminino);

b) Expõe frutas à venda. (a = preposição).

Perceba que nesse caso não há crase, pois não há encontro de vogais idênticas.

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Independente x independentemente – o que é derivação imprópria?

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