A análise do discurso busca entender as influências do autor e do meio social.

A análise do discurso busca entender as influências do autor e do meio social.

O autor Eduardo Manhães (2010, p.305) lembra que discurso significa “em curso”. Dessa forma, o pesquisador entende que toda mensagem é construída dentro de uma discursividade que não é estática.

A noção de discurso é uma consequência da premissa hermenêutica de que a interpretação do sentido deve levar em conta que a significação é construída no interior da fala de um determinado sujeito; quando um emissor tenta mostrar o mundo para um interlocutor, numa determinada situação, a partir de seu ponto de vista, movido por uma intenção (MANHÃES, 2010, p.305).

Para Manhães, o discurso é a apropriação da linguagem (código formal, abstrato e impessoal). Esse processo de uso da língua, no entanto, só pode acontecer por meio de um sujeito, que, por sua vez, está inserido em uma realidade social e em uma prática discursiva.

Dessa forma, ao fazer uso da língua, o sujeito classifica, ordena e organiza o mundo mostrado. Como age sobre uma realidade social, o emissor busca persuadir e convencer o interlocutor da pertinência de seu modo de classificar e organizar o mundo mostrado. Com isso, ele constrói uma voz, um modo de falar, um entendimento de mundo (MANHÃES, 2010, p.305).

O sintagma

A análise do discurso deve levar em consideração que “a expressão linguística, necessariamente linear e sintagmática, não é a reprodução do extralinguístico, mas a sua interpretação em novas condições de apresentação, pelo sintagma linear” (CÂMARA Jr., 1972, p.16). Por causa desse impedimento, Manhães (2010) afirma que os homens são prisioneiros da linguagem, pois “para se expressarem são obrigados a utilizar e respeitar as regras e os mecanismos linguísticos e a se relacionarem com código e falas já constituídas” (2010, p.306).

Para Saussure a expressão linguística é intrinsecamente sintagmática, porque se decompõe de regra em formas elementares indivisíveis agrupadas em sequências, cada uma dessas formas é fragmentária e incompleta por si mesma e só consegue funcionar na linguagem, quando agrupada a outras no conjunto que Saussure chama o sintagma(CÂMARA Jr, 1972, p.15-16).

Os sintagmas podem ser verbais ou nominais. A escola norte-americana, como explica Câmara Jr., adota uma denominação mais genérica e opera com a decomposição em constituintes imediatos. Manhães explica que o discurso é construído por meio de indicadores, que representam a realidade social na qual está inserido.

Ao se apropriar da linguagem e construir um discurso, o sujeito deixa pegadas que nos permitem identificar sua presença e o modo como foi construindo o enunciado: os indicadores de pessoa, de lugar e de tempo, ou a voz ativa e passiva, por exemplo (MANHÃES, 2010, p.308).

Dessa forma, o papel da análise do discurso é identificar a influência que essas pegadas têm sobre determinado discurso ou texto.

Faça parte do clube do português gratuitamente e receba dicas para te deixar ninja na língua
http://eepurl.com/b5exUr

Conheça meu curso  “Português para produtores de conteúdo”   – http://onovomercado.com.br/cursos/portugues 

Compartilhe este texto: