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Língua portuguesa para produtores de conteúdo

Ensino de português como instrumento de autonomia

autonomia

O verdadeiro sentido da aprendizagem da língua portuguesa é a expansão da autonomia do indivíduo

Muitas pessoas acham que o estudo da língua portuguesa é uma chatice e consideram que entender as regras gramaticais é um mero formalismo desinteressante. Essa situação se deve, em parte, ao fato de que grande parte do nosso sistema educacional ser focado não na aprendizagem em si, mas sim na instrução. Os alunos são estimulados a decorar regras fora de contexto, que serão esquecidas pouco tempo depois.

Nesse contexto, perde-se a dimensão que a aprendizagem e entendimento pleno das regras da língua tem de dar autonomia ao indivíduo.  Como bem destaca o parceiro Henrique Bastos, autonomia é a capacidade de se relacionar de igual para igual com qualquer outra pessoa em toda a rede social. 

Existem no país , segundo o IBGE, 13 milhões de pessoas analfabetas absolutas e outras 40 milhões analfabetas funcionais. Uma pessoa em condição de analfabetismo funcional consegue identificar letras e números, mas não é capaz de compreender frases de complexidade média.

Diante desse cenário, não é possível estabelecer relações autônomas. Como uma pessoa que não é capaz de compreender o que lê conseguirá negociar cláusulas de um contrato, por exemplo? Quem não é autônomo não é livre para conduzir seu próprio destino. Isso impacta não só a pessoa em si, mas o país como um todo. Como bem observou Amartya Sen “o desenvolvimento consiste na eliminação de privações de liberdade que limitam as escolhas e as oportunidades das pessoas de exercer ponderadamente sua posição de agente”.

Por isso, o ensino da língua portuguesa é antes de qualquer coisa um instrumento de empoderamento e de expansão da autonomia. Porém, é preciso investir em métodos de aprendizagem descentralizados, que sejam aplicáveis à realidade e que confiram autonomia para as pessoas investirem em seu autodesenvolvimento. O modelo de conhecimento bancário, no qual o professor se coloca como um cardeal, em um nível de hierárquico mais elevado em relação aos estudantes, só irá aprofundar o problema.

Essa mudança não será conduzida por poucas pessoas, mas por uma rede de atores conectada e trabalhando em prol de um propósito único, que é o de ampliar a autonomia e a liberdade das pessoas. Relações desiguais, além de insustentáveis a longo prazo, são altamente destrutivas. Então, se hoje você está desestimulado a estudar português, busque enxergar os benefícios que isso trará para sua caminhada pela vida.

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2 Comments

  1. Sensacional, Pedro!

    Ao ler o seu artigo eu me peguei pensando na relevância da capacidade de expressão.

    Ao vermos a língua portuguesa como uma tecnologia, o domínio desse ferramental amplia o potencial da pessoa. Interessante é que vejo isso de forma muito análoga à programação, onde o domínio de uma linguagem de programação abre novos caminhos.

    A ampliação de caminhos possíveis, é a ampliação da liberdade.

    • admin

      julho 25, 2016 at 7:22 am

      Henrique, concordo com você. Todas as linguagens são ferramentas que, se bem utilizadas, podem ampliar a autonomia das pessoas.

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