Por Pedro Valadares

Mês: junho 2016 (Page 1 of 3)

“Todo mundo” x “Todo o mundo”?

Todo o mundo

Todo o mundo

Segundo Domingos Paschoal Cegalla, no Dicionário de dificuldades da língua portuguesa (link para outro site), as duas formas são corretas e têm o mesmo significado, mas que é preferível utilizar “todo o mundo”.

Isso ocorre, porque o uso do artigo definido “o” dá a ideia de inteireza e totalidade.

ex: Todo o mundo = O mundo inteiro.

Já a expressão sem artigo, passa a impressão de conjunto, de grupo.

ex: Todo mundo = Vários mundos.

Então, o melhor caminho, na minha opinião, é utilizar a expressão “todo o mundo”.

Artigo definido

O artigo tem um função essencial de indicar se estamos falando de algo preciso ou de algo genérico. No primeiro caso, utilizamos o artigo definido. Já no segundo, o indefinido ou não usamos artigo algum.

Gostou da dica? Então, leia também sobre 5 casos complicados de concordância verbal:

Concordância verbal – 5 casos complicados

Inscreva-se para fazer parte do clube de português gratuitamente e receber dicas para te deixar afiado na língua (link para outro site)

Matricule-se agora no nosso curso “Português para produtores de conteúdo” (link para um nova página do site) .

A partir ou à partir?

I love you more thanbacon and eggs
Em geral, só existe crase antes de palavras no feminino. Nunca haverá crase antes de verbo. Logo, o correto é a partir.

ex: Ele começa a trabalhar a partir de amanhã.

Lembrando que a crase é o encontro da preposição ‘a’ como o artigo definido ‘a’:

À = A (prep.) + A (art.)

O artigo sempre vai acompanhar um substantivo ou um termo substantivado. Ou seja, verbos não podem ser acompanhados de artigo. Logo, não é possível a ocorrência de crase.

Então, para fixar, lembre: a partir de hoje, você não usará a crase antes de verbos 🙂

Gostou deste post? Aprofunde ainda mais seus conhecimentos com nosso guia completo da crase.

Veja também três casos em que a crase é facultativa:

Pan-americano ou panamericano?

Panamericano-ou-pan-americano

Pergunta da leitora : Depois do acordo ortográfico, escrevemos pan-americano ou panamericano?

Resposta:

As palavras compostas pelo prefixo “pan”  levam hífen, quando a outra palavra começar com vogal, ‘h’, ‘m’ ou ‘n’. Isso não mudou com o Acordo Ortográfico, que passou a vigorar de forma definitiva no início do ano.

Ex¹: Pan-americano, pan-africano.

Ex²: Pancelestial.

Circum

O mesmo vale para o prefixo “circum”.

Ex¹: Circum-navegação.

Ex²: Circunferência.

Gostou da dica? Então, leia também sobre as principais mudanças trazidas pelo acordo ortográfico em relação ao uso do hífen:

Novo acordo ortográfico: o básico que você precisa saber sobre o hífen

Matricule-se agora no nosso curso “Português para produtores de conteúdo” (link para um nova página do site) .

“Como por exemplo” é pleonasmo

Como-por-exemplo-é-repetição-desnecessária

Pergunta da leitora : Em frases do tipo “É preciso reconhecer os principais problemas, como tempo de casa e hora trabalhada, por exemplo”. Ou “como, por exemplo, tempo de casa e hora trabalhada”. É correto usar como e por exemplo em uma mesma frase? Já ouvi dizer que é redundante. O certo é colocar só como ou só por exemplo. Confere? Ou não tem problema usar os dois juntos?

Resposta:

A construção “como, por exemplo” configura um pleonasmo. Isso não é um erro em si, mas representa uma repetição desnecessária, o que empobrece o texto.

A conjunção “como” já possui um sentido de exemplificação. Então, na linguagem escrita é recomendável que você utilize ou “como” ou “por exemplo”.

ex¹: Comprei diversas peças de roupas, por exemplo, essa calça que está em cima da cama.

ex²: Comprei diversas peças de roupas, como essa calça que está em cima da cama.

Pleonasmo

Pleonasmo é o uso de palavras ou expressões redundantes. Ele pode ser utilizado como um recurso estilístico válido.

ex: Ele viu o crime com os próprios olhos.

Contudo, em outros casos, pode representar uma pobreza vocabular. Nessa situação, estamos diante de um pleonasmo vicioso.

ex: Subir para cima, descer para baixo, entrar para dentro, como por exemplo.

Gostou do texto? Então, leia também este outro com dicas para escrever melhor:

10 dicas para uma boa redação

Faça parte do clube do português gratuitamente e receba dicas para te deixar ninja na língua
http://eepurl.com/b5exUr

Matricule-se agora no nosso curso “Português para produtores de conteúdo” (link para um nova página do site) .

Obrigado você ou obrigado a você?

Pergunta do leitor: Pedro, apresento um programa de TV e no fim das gravações geralmente agradeço os entrevistados dizendo “obrigado fulano, obrigada Beltrana e obrigado a você que nos assiste”. Está certo? Porque com os entrevistados não uso a preposição. Qual a melhor forma de dizer este último obrigado para o telespectador?

Resposta:

Para respondê-lo, é preciso voltar à origem da expressão “obrigado”. Ela vem de “estou obrigado a retribuir seu favor”. Nesse sentido, o correto é utilizar a preposição.

Ex: Obrigado ao senhor secretário pela entrevista.

Com ou sem preposição?

Se, em vez disso, você utilizar a “obrigado secretário”, o que você estará dizendo é que o secretário é que está obrigado a retribuir seu favor, pois se subentende que “obrigado está o secretário”.

O uso da expressão sem a preposição é cabível quando você responde alguém.

ExEntrevistado: Obrigado pelo convite.

Entrevistador: Obrigado eu. (Obrigado estou eu).

Gostou do texto? Então, veja também a regra básica par ao uso de siglas:

Faça parte do clube do português gratuitamente e receba dicas para te deixar ninja na língua
http://eepurl.com/b5exUr

Matricule-se agora no nosso curso “Português para produtores de conteúdo” (link para um nova página do site) .

Contei à sua mãe ou contei a sua mãe?

Imagem-do-tumblr-gato-fala-com-mulher

Pergunta do leitor: Às vezes fico em dúvida sobre crase com preposição. “Contou o que houve a sua mãe”. Tem crase? Melhor colocar para sua mãe? O melhor é usar crase ou não usar quando houver seu, sua, minha?

Resposta:

A crase antes de pronome possessivo (seu, sua, minha, tua etc) é facultativa. Contudo, é indicado que ela seja utilizada para evitar ambiguidade.

Isso fica claro no seu exemplo: “Contou o que houve a sua mãe”. Alguns leitores podem entender que houve uma inversão entre sujeito e predicado e que o sentido da frase é: “A sua mãe contou o que houve”.

Então, para evitar essa confusão, aconselha-se utilizar a crase: “Contou o que houve à sua mãe”.

Ordem direta

No exemplo anterior, a frase sem o uso da crase poderia ser entendida como uma inversão da ordem direta:

SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTO VERBAL

ex: Contou o que houve a sua mãe.

No ordem direta: A sua mãe contou o que houve.

Gostou deste post? Aprofunde ainda mais seus conhecimentos com nosso guia completo da crase.

“Você” é 2ª ou 3ª pessoa? Wesley Safadão ajuda a explicar

wesley-safadao

Na letra de uma das suas músicas, o cantor Wesley Safadão diz o seguinte: “agora assista aí de camarote eu bebendo gela e tomando Círoc”. Mas será que a conjugação adotada está correta?

Vejamos. No caso, “assista” é o imperativo afirmativo do verbo “assistir”, referente à 3ª pessoa do singular.  Na frase, está subentendido que o verbo se refere ao pronome “você” (assista você). Para verificar se a conjugação adotada está correta, é preciso definir se “você” é 2ª ou 3ª pessoa.

Pessoa do discurso x pessoa gramatical

Antes de tudo, é preciso fazer um distinção. Na língua portuguesa, há uma diferença entre pessoas do discurso e pessoas gramaticais.

Quando falamos de pessoas do discurso, a classificação é feita de acordo com a posição no ato comunicativo:

  • 1ª pessoa – Aquela que fala (eu, nós);
  • 2ª pessoa – Aquela para quem se fala (tu, vós, você, vocês);
  • 3ª pessoa – Aquele de quem se fala (ele, ela, eles, elas).

Nesse sentido, no tocante a pessoas do discurso, “você” é classificado como 2ª pessoa.

Já as pessoas gramaticais indicam qual flexão verbal adotar, qual pronome oblíquo utilizar entre outros.  Assim, nesse tipo de classificação, “você” é enquadrado como 3ª pessoa. Logo, Wesley Safadão emprega corretamente o verbo “assistir”. Ponto para ele!

Inscreva-se para fazer parte do clube de português gratuitamente e receber dicas para te deixar afiado na língua
http://eepurl.com/b5exUr

Matricule-se agora no nosso curso “Português para produtores de conteúdo” (link para um nova página do site) .

Macete de menino

Existe um macete muito simples para descobrir a função do pronome oblíquo, aquele que, na sentença, exerce a função de complemento verbal, ou seja, objeto direto ou objeto indireto.

O menino

Basta substituí-lo pela expressão “o menino” e, então, analisar a função sintática.

Ex.: A mamãe maltratava-o muito.

Substituindo: A mãe maltratava o menino muito.

Quem maltrata, maltrata alguém, ou seja, “maltratar” é verbo transitivo direto, pede um objeto direto.

Conclusão, o pronome oblíquo “o” tem função de objeto direto!

Fácil, né?

Gostou do texto? Então, vale a pena assistir ao vídeo que fizemos sobre a pronúncia correta da palavra RUBRICA:

Inscreva-se para fazer parte do clube de português gratuitamente e receber dicas para te deixar afiado na língua
http://eepurl.com/b5exUr

Matricule-se agora no nosso curso “Português para produtores de conteúdo” (link para um nova página do site) .

« Older posts

© 2020 Clube do Português

Theme by Anders NorenUp ↑