Por Pedro Valadares

Mês: março 2021(Page 1 of 2)

Predicado – conceito, classificações e exemplos

O predicado é o conjunto de todos os termos da oração, com exceção do sujeito e do vocativo. Neste artigo, vamos ver como identificar e classificar os predicados. Vejamos!

Identificação

É importante lembrar que normalmente uma oração é constituída pela seguinte estrutura na sua ordem direta:

SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTO + ADJUNTO (S V C A)

Dessa forma, podemos identificar o predicado da seguinte forma:

– Os jogadores da seleção se classificarão para a próxima Copa do Mundo este ano.

Os jogadores da seleção: sujeito

se classificarão: verbo

para a próxima Copa do Mundo: complemento verbal

este ano: adjunto adverbial

Como no exemplo não há vocativo, apenas retiramos o sujeito e, com a soma dos demais elementos (V C A), já temos o predicado “se classificarão para a próxima Copa do Mundo este ano.” 

Veja outro exemplo:

– O paciente acordou, doutor.

O paciente: sujeito

acordou: verbo

doutor: vocativo

Identificado cada termo da oração, retiramos o sujeito e o vocativo e encontramos o predicado “acordou”, desta vez constituído apenas de verbo, visto que complementos e adjuntos não são termos essenciais da oração.

Portanto, podemos afirmar que a condição essencial para a constituição de um predicado é o verbo, pois é a única classe de palavras as quais podem constituir um predicado sozinhas.

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Entubar x Intubar – qual a forma correta?

Afinal, o correto é intubar ou entubar? As duas palavras existem na língua portuguesa e podem ser usadas como sinônimas. Há, contudo, alguns dicionários que registram uma pequena diferença no significado de cada uma delas. Vejamos!

Entubar

Inicialmente, vale destacar que o Vocabulário Oficial da Língua Portuguesa (Volp) da Academia Brasileira de Letras registra somente a forma entubar.

O dicionário Priberam traz três principais significados para esse verbo:

1) Dar ou tomar a forma de tubo.

ex: A máquina entubou a placa metálica.

2) Pôr dentro de um tubo 

ex: Pesquisadores desenvolveram um novo método de entubar gás.

3) Introduzir um tubo por um canal ou uma cavidade natural, geralmente pela traqueia, para permitir a circulação de ar, ou através do esôfago, para permitir alimentação ou esvaziar o conteúdo do estômago.

ex: Com o agravamento da doença, o paciente teve de ser entubado.

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Paroxítona – o que é, como identificar e exemplos

Uma palavra paroxítona é aquela em que o acento tônico recai sobre a sua penúltima sílaba, como nas palavras proibido (pro-i-bi-do) ecil (-cil).

Para entender melhor, precisamos revisitar alguns conceitos.

Sílaba tônica e sílaba átona

Numa palavra, nem todas as sílabas são pronunciadas com a mesma intensidade. Faça o teste com a palavra coração e fale-a em voz alta repetidas vezes. Perceba como a sílaba –ção soa mais forte que as sílabas –co e –ra.

Dessa forma, classificamos as sílabas conforme a intensidade como são pronunciadas. Assim temos:

Sílaba tônica: aquela pronunciada com alta intensidade.

– a-mar

mai-o

– co-ra-ção

pês-se-go

– pro--ti-po

Perceba como sempre há apenas uma sílaba tônica por palavra e ela se encontra em uma das três sílabas finais (caso a palavra apresente três sílabas).

Sílaba átona: aquela pronunciada com baixa intensidade.

a-mar

– mai-o

cora-ção

– pês-sego

pro-tó-tipo

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Hiato – o que é e como identificar?

O hiato é um tipo de encontro vocálico que se define por ser o encontro de duas vogais numa palavra não separada silabicamente. Exemplos:

– ps

– enjoar

– sda

– piada

– ruim

Como só é possível haver uma vogal por sílaba, ao realizarmos a divisão silábica dessas palavras, cada vogal do hiato se encontrará em uma sílaba diferente da outra. Veja:

– país

– en-jo-ar

– sa-í-da

– pi-a-da

– ru-im

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Qual o plural de amém?

A palavra amém pode exercer duas funções. Como interjeição, a expressão aparece no âmbito religioso para indicar a aprovação a um texto de fé. Nesse caso, estamos diante de um termo invariável, que só pode ser utilizado no singular.

Como substantivo, o vocábulo tem um sentido mais amplo. Ele indica o ato ou ação de concordar com algo. Nesse contexto, a palavra pode ser flexionada para o plural – améns.

ex: Não preciso dos seus améns para seguir em frente com meu projeto.

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Comunicação não violenta: 3 atitudes que bloqueiam o diálogo

As palavras têm poder. Esse velho ditado representa bem o objetivo central da Comunicação Não Violenta. Essa metodologia visa estabelecer uma forma mais eficaz e empática de criar relações entre as pessoas.

O processo vem sendo estudado e difundido pelo pesquisador Marshall Rosenberg. Ele enfatiza a importância de estabelecer base de valores comuns para as ações.

Muitas vezes, duas pessoas podem entrar em conflito simplesmente por que sua forma de falar cria uma barreira, em vez de estabelecer um entendimento.

Nesse sentido, Rosenberg destaca três comportamentos que bloqueiam a compaixão na nossa comunicação. Vamos analisar cada um deles.

1) Julgamentos moralizadores

Muitas vezes, queremos submeter as outras pessoas às nossas necessidades e aos nossos valores. Dessa forma, passamos a medir o próximo com base na nossa régua. Começamos a julgar como errado tudo aquilo que diverge das nossas crenças.

Esse tipo de comportamento ficou bem evidente nos últimos anos, por conta dos diversos embates políticos que vivenciamos no Brasil. Amigos de longa data se afastaram apenas por não concordarem ideologicamente. Isso tudo é fruto dos famigerados julgamentos moralizadores.

Se eu defendo determinado campo político e você discorda dele, passo a te tratar como um inimigo e encho minha comunicação de violência.

A pergunta que fica é: como resolver esse problema? O caminho é observar sem julgar. É buscar compreender antes de classificar ou criticar. Também é importante ter consciência de que nossos valores não são absolutos e que outras pessoas podem ter crenças distintas das nossas.

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A respeito de x À respeito de – tem crase?

A grafia correta é a respeitode, sem crase. A forma à respeito de, com crase, não está de acordo com as normas da língua portuguesa. Neste artigo, vamos explicar por que não se usa o acento grave com essa expressão. Vejamos!

O que é a crase?

Antes de avançarmos, vamos relembrar o que é a crase. Ela ocorre quando há o encontro de vogais iguais =>a + a = à. Acontece, em geral, em três casos:

a) Encontro da preposição “a” com os artigos definidos “a” ou “as”;
b) Encontro do pronome demonstrativo “a” com a preposição “a”;
c) Encontro dos pronomes demonstrativos aquele, aquela e aquilo com a preposição “a”.

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Ditongo: o que é e como identificar?

Antes de estudarmos o que é um ditongo, é necessário relembrar a diferença entre vogal e semivogal. Vejamos!

Vogal

Vogal é o fonema vocálico que se ouve mais distintamente, pois sua pronúncia é forte. As vogais funcionam como base da sílaba, ou seja, não existe sílaba sem vogal. Mais importante ainda: só existe uma única vogal por sílaba.

Semivogal

Semivogal é o fonema vocálico com pronúncia mais fraca, com baixa intensidade, por isso não constitui sílaba sozinho e sempre acompanha uma vogal. Somente as vogais /i/ e /u/ podem funcionar também como semivogais. Quando isso ocorre, serão representadas pelos fonemas /y/ e /w/, respectivamente.

Importante saber que os dois fonemas são vocálicos pelo fato de não haver, durante sua emissão, nenhum obstáculo – língua, lábios, dentes – que se oponha à corrente de ar vinda dos pulmões.

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Antítese – definição e exemplos

A antítese é um tipo de figura de pensamento, uma subcategoria das figuras de linguagem com foco em explorar mais as ideias e os conceitos do que as palavras em si ou a estrutura da frase.

Ela consiste, portanto, no emprego de duas palavras, expressões ou pensamentos que se opõem quanto ao sentido.

Antônimos

Na antítese, explora-se com frequência a aplicação de antônimos que não se contradizem, nem representam falta de lógica, como podemos ver nos exemplos a seguir:

– “O esforço é grande e o homem é pequeno.” (Fernando Pessoa)

“Quando a bola saía, entravam os comentários dos torcedores.” (Carlos Eduardo Novais)

“Como eram possível beleza e horror, vida e morte harmonizarem-se assim no mesmo quadro?” (Érico Veríssimo)

“A vida é mesmo assim / Dia e noite, não e sim.” (Lulu Santos e Nelson Motta)

Repare que as palavras de cada par (grande x pequeno, saía x entravam, beleza x horror, vida x morte, dia x noite, não x sim), ao mesmo tempo em que se opõem, também se reforçam.

É justamente esse realce de contrários que dá ênfase aos conceitos envolvidos e produz um efeito inusitado no texto, o que torna essa figura um poderoso recurso de estilo literário.

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Início x Inicio – tem acento?

As duas palavras existem na língua portuguesa. Início, com acento, é um substantivo. Já inicio, sem acento, é uma conjugação do verbo iniciar.

Neste artigo, vamos explicar melhor a diferença entre os dois termos. Vejamos!

Quando usar início?

A palavra início é um substantivo masculino uniforme. Isso significa que ela só possui um gênero e não tem flexão para o feminino.

O termo indica o ato ou resultado de iniciar. Ele é sinônimo de começo, estreia, princípio ou inauguração.

ex1: Essa obra marca o início de um projeto de governo.

ex2: Chegamos atrasados e perdemos o início do filme.

ex3: Um bom texto tem início, meio e fim.

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