Por Pedro Valadares

Mês: abril 2021 (Page 1 of 3)

Como pontuar diálogos corretamente?

Os diálogos são parte fundamental dos textos narrativos. Contudo, muita gente se confunde na hora de pontuar esse tipo textual. Por isso, neste artigo, vamos mostrar as principais regras de pontuação dos diálogos. Vejamos.

O que são os diálogos?

Os diálogos são a representação do discurso direto e indicam a fala real dos personagens. Eles se diferem dos discurso indireto, quando o narrador expressa a fala dos personagens com suas próprias palavras.

Os diálogos interrompem a narração. Nesse sentido, é fundamental marcar essas interrupções de forma clara por meio da pontuação.

Antes de avançarmos, é importante destacarmos uma característica fundamental dos textos narrativos, que é o uso dos verbos dicendi. Esses verbos são aqueles que indicam o ato de fala de um sujeito (ex: dizer, falar, narrar, reclamar, concordar, exclamar, gritar, ralhar, etc.).

Saber identificá-los é fundamental para usar corretamente a pontuação nos diálogos.

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Dois-pontos (:) quando usar esse sinal de pontuação?

Os dois-pontos são um sinal de pontuação que marca, na escrita, uma pausa moderada na leitura de uma frase ainda não concluída.

Esse sinal tem como finalidade enfatizar a informação que virá logo em seguida, a qual costuma expressar uma causa, uma consequência, uma análise, uma síntese, uma exemplificação.

Quando utilizar os dois-pontos?

Na prática, esta pontuação é utilizada nos seguintes casos:

1) Introduzir uma citação:

– Uma das frases mais famosas de “O Pequeno Príncipe” é: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

– Já dizia Walt Disney: “Se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade”.

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Qual o plural de ermitão?

Afinal de contas, qual o plural da palavra ermitão? Neste artigo, vamos resolver essa dúvida. Vejamos!

Três plurais

O substantivo ermitão, segundo o dicionário Aulete, possui três formas de plural distintas: ermitões, ermitães e ermitãos. Vejamos exemplos de uso dessas três palavras:

  • Os ermitões são pessoas que vivem isoladas.
  • Na minha vida, nunca tive contato com ermitães.
  • Naquela ermida, vivem muitos ermitãos.

Esse fenômeno, em que uma mesma palavra possui diferentes grafias, é chamado de formas gráficas variantes ou formas variantes

Isso ocorre em decorrência do processo de formação da língua e do contexto social. Apesar de haver sempre uma grafia mais recorrente, todas as formas estão certas e de acordo com a ortografia do idioma.

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Aliteração: o que é e quando usar?

A aliteração é um tipo de figura de linguagem fônica – também chamada de figura de som – e consiste na repetição de fonemas consonantais iguais ou semelhantes. Essa repetição ocorre, normalmente, no início de palavras de um verso ou de uma frase.

Veja a seguir um exemplo de aliteração com a repetição do fonema consonantal /v/:

Viola violeta violenta violada

Obvia vertigem…”

(Adélia Prado)

Agora, veja com os fonemas /p/, /d/ e /t/, que não são iguais, mas possuem uma semelhança fonética que realça a musicalidade do verso:

“Esperando, parada, pregada na pedra do porto”

(Chico Buarque)

O uso da aliteração

Esse recurso estilístico, apesar de ser muito mais utilizado nos poemas, também pode ser encontrado nos textos em prosa, nos provérbios e nos trava-línguas. No clássico livro “O burrinho pedrês”, de Guimarães Rosa, podemos encontrar exemplo de aliteração em prosa:

Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando… Dança doido, dá de duro, dá de dentro, dá direito… Vai, vem, volta, vem na vara, vai não volta, vai varando…”

(Guimarães Rosa)

Importante enfatizar que o que deve ser levado em consideração, portanto, é a pronúncia da palavra, e não a sua escrita. Para ilustrar, veja um exemplo com letras diferentes, mas que representam o mesmo fonema, o fonema /ʒ/:

“Toda gente homenageia Januária na janela.”

(Chico Buarque)

Perceba que o principal efeito causado por essa figura de linguagem é o reforço do ritmo que o autor pretende incutir à frase. Além disso, ela ajuda a enfatizar o significado central do texto, como no trava-língua a seguir:

“O rato roeu a roupa do rei de Roma.”

A aliteração em R enfatiza o a mensagem do texto, por exemplo, pois sugere o som do ator de roer.

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Junto a, junto de ou junto com – qual a forma correta?

As locuções junto a e junto de estão corretas. Elas são sinônimas de “perto de” ou “ao lado de”. Vejamos alguns exemplos:

  • O castelo fica junto ao rio.
  • O castelo fica junto do rio.
  • O anexo 4 fica junta à torre norte.
  • O anexo 4 fica junto da torre norte.

Já a expressão junto com é redundante e não deve ser utilizada. Recomenda-se usar somente a preposição “com”. Vamos analisar as frases abaixo:

  • Fui ao cinema junto com Patrícia. (redundante)
  • Fui ao cinema com Patrícia. (correta)

Mau uso de “junto a” e “junto de”

As expressões junta a e junto de não devem ser usadas no lugar de “com”, “a”, “de”, “em” e “entre”. Vejamos alguns exemplos desses mau usos:

  • A questão será resolvida junto à diretoria. (Errado)
  • A questão será resolvida com a diretoria. (Certo)
  • Pediu um financiamento junto à instituição bancária. (Errado)
  • Pediu um financiamento à instituição bancária. (Certo)
  • A empresa comprou o produto junto ao fornecedor. (Errado)
  • A empresa comprou do fornecedor o produto. (Certo)
  • Mariana entrou com recurso junto ao juizado. (Errado)
  • Mariana entrou com recurso no juizado. (Certo)
  • O discurso repercutiu bem junto aos eleitores. (Errado)
  • O discurso repercutiu bem entre os eleitores. (Certo)
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Porventura x Por ventura – qual a diferença?

Porventura e por ventura: as duas expressões existem na língua portuguesa, mas possuem significados distintos. Neste artigo, vamos mostrar quando e como utilizar cada uma delas. Vejamos!

Porventura

Porventura é um advérbio que significa “por acaso” ou “por hipótese”. Essa palavra é sinônima de: quiça, talvez, possivelmente, quem sabe.

Vejamos alguns exemplos de uso desse termo:

  • Se porventura você passar aqui amanhã, avise para tomarmos um café.
  • Porventura já deixei de cumprir algum compromisso com você, meu amigo?
  • Pode ser que porventura eu não consiga ir à escola amanhã.
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Substantivo: conceito, classificação, flexão e funções

O substantivo é a classe gramatical que utilizamos para designar ou nomear os seres e as ações em geral.

De acordo com Celso Cunha e Lindley Cintra, os substantivos podem ser:

  1. os nomes de pessoas, de lugares, de instituições, de um gênero, de uma espécie ou de um de seus representantes (ex: homem, cidade, Senado, animal, cavalo, Maria, Lisboa, etc.);
  2. os nomes de noções, ações, estados e qualidades – quando tomados como seres (ex: justiça, colheita, velhice, otimismo, doçura, limpeza, opinião, etc.).

Neste artigo, vamos detalhar as classificações, as flexões e as funções dessa classe gramatical. Vejamos!

Classificação

Os substantivos podem ser classificados em:

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Substantivos próprios e comuns: qual a diferença?

Os substantivos podem ser classificados como comuns ou próprios. No primeiro caso, eles atuam de forma mais genérica; no segundo, de forma mais específica. Neste artigo, vamos detalhar melhor esses dois conceitos. Vamos lá!

Substantivos comuns

Os substantivos comuns, segundo Celso Cunha e Lindley Cintra, são aqueles que designam a totalidade dos seres de uma espécie (animais, pessoas, lugares, fenômenos, frutas, plantas, etc.). Eles fazem a chamada designação genérica.

Esses termos devem sempre ser grafados com letra minúscula. Vejamos alguns exemplos de substantivos comuns:

ex: homem, país, cidade, homem, bairro, maçã, vaca, cachorro, mulher, menino, árvore, capim, chuva, sol.

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Neologismo – conceito e classificações

O neologismo é uma palavra nova, uma palavra inventada ou uma palavra já existente que recebeu um novo significado. 

Exemplos de neologismos:

  • covidão;
  • deboísmo;
  • googlar;
  • gordofobia;
  • lgbtfobia;
  • linkar;
  • mitar/mitou;
  • refri.

Devido ao fato de a língua estar em constante evolução, os neologismos estão sempre surgindo, seja na linguagem formal, seja na informal. Por isso, eles são considerados um processo de formação de palavras.

No entanto, nem todo neologismo chega a ser dicionarizado e amplamente utilizado pelo povo.

A criação dessas novas palavras pode se dar de várias formas. Veja a seguir.

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Hein, hem ou heim – qual a forma correta?

As formas corretas de escrever essa interjeição são hem (com “m” no final e sem “i”) e hein (com “n” no final e com “i”). O termo heim não existe na língua portuguesa e, por isso, não deve ser utilizado.

Nesse artigo, vamos explicar melhor quando e como utilizar essa interjeição. Vejamos!

Quando usar hein e hem?

Essas interjeições podem ser utilizadas em duas situações.

1) Para expressar supresa ou espanto

Nesse sentido, a expressão é sinônima de “como?” e “o que”. Vejamos alguns exemplos

  • Hein!? Não acredito nisso.
  • Hem!? Não acredito isso.
  • Eu, hein! Como isso aconteceu?
  • Eu, hem! Como isso aconteceu?

2) Para reforçar o sentido de uma pergunta ou de uma recomendação

Nesse caso, o termo tem o sentido de “não é verdade?”, como podemos ver nas frases abaixo.

  • Quem diria que ele conseguiria o emprego, hein?
  • Quem diria que ele conseguiria o emprego, hem?
  • Sempre chegando atrasado, hein?
  • Sempre chegando atrasado, hem?
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