Por Pedro Valadares

Mês: maio 2021 (Page 1 of 4)

Chego x Chegado – qual a forma correta?

A grafia correta é chegado. A palavra chego não existe e não pode ser usada como particípio do verbo “chegar”. Neste artigo, vamos explicar por que somente a primeira forma é aceita. Vejamos!

Particípio

Antes de continuar, vamos lembrar o que é o particípio. Trata-se de uma das formas nominais do verbo. Ela indica uma ação já finalizada e apresenta, normalmente, terminação “-ado” ou “-ido”.

Muitas vezes, o particípio assume função de adjetivo ou advérbio. 

ex: imprimido, morrido, pagado, chegado, partido, comprado, etc.

Particípio regular x Particípio irregular

Os verbos podem ter dois tipos de particípio: regular e irregular. Também podem ser verbos abundantes (possuem os dois tipos de particípio).

particípio regular é terminado em “-ado” ou “-ido”. A maior parte dos verbos apresenta esse tipo de particípio, como vimos acima.

Em contrapartida, o particípio irregular, em geral, é formado pelo radical do verbo e pelos sufixos “-to” e “-so”.

ex: escrito, pago, visto, feito, coberto.

Ademais, os verbos abundantes são aqueles que têm os dois tipos de particípio.

ex: morrido x morto, pago x pagado, salvado x salva, impresso x imprimido .

Chegado

Nesse contexto, vale dizer que chegar não é um verbo abundante. Dito de outra forma, ele possui apenas uma forma de particípio, que é o particípio regular chegado. Assim, vejamos alguns exemplos de uso desse termo:

  • Antes da festa começar, ele já tinha chegado.
  • Se até às 16h eu ainda não tiver chegado, vocês podem começar a reunião sem mim.
  • A essa hora, já era para João ter chegado.

Gênero

Vale ressaltar que o particípio pode ser utilizado como adjetivo ou substantivo. Nesse âmbito, ele apresenta flexão de gênero e de número:

  • Chegada a hora, estávamos preparados para o desafio.
  • Era chegada a oportunidade de mudarmos o rumo dessa história.

Quando usar “chego”?

A palavra chego é a conjugação do verbo “chegar” na primeira pessoa do singular do presente do indicativo:

  • Sempre que eu chego em algum lugar, gosto de cumprimentar todas as pessoas.
  • Eu chego cedo todo dia na academia.
  • Hoje eu chego na hora marcada. Pode confiar.

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Gostou do texto? Então, vale a pena ler também os seguintes artigos:

80 pares de parônimos e homônimos

A Língua Portuguesa tem algumas peculiaridades. Uma delas são as palavras que possuem grafias iguais ou parecidas, mas significados diferentes.

Há casos em que o sentido é até mesmo contrário. Esses casos são conhecidos como homônimos e parônimos. Vejamos mais detalhadamente esses conceitos.

Homônimos

Homônimos são palavras iguais com sentidos diferentes. Eles se dividem em três categorias:

  • Homônimos perfeitos: têm grafias e som iguais. Ex: manga (de camisa) e manga (fruto) ou bote (o bote da cobra) e bote (tipo de barco).
  • Homônimos homógrafos: têm a mesma grafia, mas a pronúncia é diferente. Ex: Ele (pronome) e Ele (letra ‘L’) ou almoço (refeição) e almoço (verbo: eu almoço).
  • Homônimos homófonos: têm a mesma pronúncia, mas a grafia é distinta. Ex: sessão (de cinema) e seção (departamento de loja) ou senso (bom senso) e censo (levantamento de dados).

Parônimos

Os parônimos, por sua vez, são palavras similares na grafia e/ou na pronúncia. Vejamos abaixo alguns exemplos:

  • Absolver (perdoar) e absorver (aspirar)
  • Apóstrofe (figura de linguagem) e apóstrofo (sinal gráfico)
  • Aprender (tomar conhecimento) e apreender (capturar)
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Preposição – definição e classificações

Preposição é a palavra invariável que tem como função estabelecer uma relação entre dois termos de uma oração.

Nesse sentido, segundo Celso Cunha e Lindley Cintra, as palavras conectadas passam a funcionar de tal modo que a primeira (antecedente) é explicada ou completada pela segunda (consequente). Vejamos alguns exemplos:

  • Vou a Brasília.
  • Eles saíram do carro.
  • O gato entrou pela janela.

Neste artigo, vamos falar mais sobre essa classe gramatical. Vejamos!

Índice do artigo:

Semântica e Sintaxe

De acordo com Fernando Pestana, do ponto de vista semântico, a preposição estabelece determinadas relações de sentido, que são dependentes do contexto. Afinal, por si só, a preposição é vazia de sentido. Vejamos alguns exemplos:

  • Joana falou a Jorge.
  • Joana falou após Jorge.
  • Joana falou contra Jorge.
  • Joana falou de Jorge.
  • Joana falou sobre Jorge.

Percebeu como a troca do conectivo alterou o sentido da frase?

Já do ponto de vista sintático, é importante destacar que as preposições não exercem função sintática alguma. Contudo, elas participam do sistema de transitividade verbal e nominal, introduzindo os complementos. Vejamos:

  • Eu discordo dos seus argumentos. (introduz o complemento verbal)
  • Esse tipo de programa é impróprio para menores de idade. (introduz o complemento nominal)

Pestana reforça que o papel da preposição é subordinar um termo a outro. Dessa forma, o primeiro (que vem antes do conectivo) é subordinante, e o segundo (que vem após o conector) é subordinado.

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Maça, maçã e massa – quando utilizar cada termo?

As palavras maça, maçã e massa existem na língua portuguesa, mas possuem significados distintos. Neste artigo, vamos mostrar quando e como utilizar cada termo.

Maça

Maça é um substantivo feminino que indica um bastão de metal ou madeira. Esse instrumento pode ser usado como uma arma (uma clava) ou como um elemento ornamental (veja na imagem abaixo a maça cerimonial britânica).

O imagem mostra um senhor segurando a maça cerimonial britânica.
Fonte da imagem: Site Renacença
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Em meio à pandemia ou a pandemia – tem crase?

A expressão correta é “em meio à pandemia“, com crase. Neste artigo, vamos explicar porque devemos utilizar o acento grave neste caso. Vejamos!

O que é a crase?

Antes de seguirmos, vamos rememorar o que é a crase. Ela ocorre quando há o encontro de vogais iguais => a + a = à. Acontece, em geral, em três casos:

a) Encontro da preposição “a” com os artigos definidos “a” ou “as”;
b) Encontro do pronome demonstrativo “a” com a preposição “a”;
c) Encontro dos pronomes demonstrativos aquele, aquela e aquilo com a preposição “a”.

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Hífen com o prefixo “mini” – quando utilizar?

O uso do prefixo mini sempre gera muitas dúvidas. Afinal de contas, os substantivos compostos com esse termo devem ou não ser separados com hífen? Neste artigo, respondemos esta questão. Vamos lá!

Com hífen

Usa-se hífen com palavras iniciadas com prefixo “mini” se o termo posterior começar com I ou H.

Ex: mini-incidente, mini-histórico, mini-hotel, mini-internato, etc.

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Anticoncepcional x Anti-concepcional – qual a forma correta?

Afinal, a palavra correta é anticoncepcional ou anti-concepcional? O termo tem ou não tem hífen? Neste artigo, vamos resolver essa dúvida. Vejamos!

Hífen com prefixo “anti”

Só se usa hífen com palavras iniciadas com prefixo “anti” se o termo posterior começar com I ou H.

Ex: anti-herói, anti-ibérico, anti-higiênico, anti-inflamatório, etc.

Nesse sentido, a grafia correta é anticoncepcional, sem hífen. Por isso, a forma anti-concepcional está incorreta e não existe na língua portuguesa.

Veja mais: Hífen com o prefixo ANTI – quando utilizar?

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Hífen com o prefixo ANTI – quando utilizar?

O uso do prefixo anti sempre gera muitas dúvidas. Afinal de contas, os substantivos compostos com esse termo devem ou não ser separados com hífen? Neste artigo, respondemos esta questão. Vamos lá!

Com hífen

Usa-se hífen com palavras iniciadas com prefixo “anti” se o termo posterior começar com I ou H.

Ex: anti-herói, anti-ibérico, anti-higiênico, anti-inflamatório, etc.

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Escrito x Escrevido – qual a forma correta?

A forma correta é escrito. A palavra escrevido não existe e não deve ser usada como particípio do verbo “escrever”. Neste artigo, vamos mostrar por que a primeira forma é a única certa. Vejamos!

Particípio

Antes de qualquer coisa, vamos rememorar o que é o particípio. Trata-se de uma das formas nominais do verbo. Ele representa uma ação já finalizada e apresenta, normalmente, terminação “-ado” ou “-ido”.

ex: corrido, amado, reprovado, molhado, partido, etc.

Em certos contextos, o particípio pode assumir o papel de adjetivo ou advérbio. 

Particípio irregular x Particípio regular

Os verbos, em geral, podem ter um de dois tipos de particípio: o regular e o irregular. Contudo, também podem ser verbos abundantes (possuem os dois tipos de particípio).

particípio irregular, em regra, é formado pelo radical do verbo e pelos sufixos “-to” e “-so”.

ex: visto, coberto, dito, escrito, feito, etc.

Em contrapartida, o particípio regular é terminado em “-ado” ou “-ido”. A maior parte dos verbos apresenta esse tipo de particípio, como vimos acima.

Já os verbos abundantes são os que possuem os dois tipos de particípio.

ex: salvado x salvo, impresso x imprimido, pago x pagado, morrido x morto.

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