Por Pedro Valadares

Mês: julho 2021 (Page 1 of 2)

Boca a boca x Boca-a-boca – tem hífen?

Afinal, a forma correta é boca a boca ou boca-a-boca? A expressão tem ou não tem hífen? Neste artigo, vamos tirar essa dúvida.

Reforma ortográfica

Antes do Acordo Ortográfico, existia uma diferença entre as expressões boca a boca, sem hífen, e boca-a-boca, com hífen. A primeira era utilizada como locução adverbial ou adjetiva e a segunda como substantivo.

Contudo, com o advento da Reforma, o hífen foi abolido. Assim, a forma correta é somente boca a boca, sem hífen, independentemente da função que a palavra exerça. Vejamos alguns usos desse termo:

  • O boca a boca é a melhor forma de divulgação.
  • O paciente precisou de respiração boca a boca.
  • A notícia correu boca a boca.
Continue reading

Arcadismo – características, autores e obras

Arcadismo foi o movimento artístico-literário que predominou no século XVIII. Também chamado de Neoclassicismo, recebeu esse nome por promover a revalorização do Classicismo, pois a arte Barroca passou a ser considerada antiquada e sinônimo de mau gosto.

Contexto histórico

A tentativa de frear o barroquismo iniciou-se ainda no final do século XVII, com a fundação da “Arcádia”, em Roma. Esta era uma sociedade literária com a finalidade de combater o Barroco e de cultivar a poesia bucólica e anacreôntica (lírico-amorosa).

No século seguinte, a religiosidade e o exagero do Barroco já não agradavam mais a sociedade burguesa, que estava voltada para questões mundanas e artes subjetivas. Vivia-se também nesse período o Iluminismo, ou Século das Luzes, que abriu os caminhos para a Revolução Francesa, em 1789.

O Arcadismo só teve início, de fato, em 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana, por parte de alguns escritores liderados por Antônio Dinis da Cruz e Silva. O lema da Arcádia Lusitana era Inutilia truncat (“acabe-se com as inutilidades”, em português, o que caracterizou todo o Arcadismo.

Arcadismo no Brasil

No Brasil, a morte dos artistas do Barroco marca o enfraquecimento desse movimento. Além disso, a cultura jesuítica começa a dar lugar ao Neoclassicismo, e o pensamento iluminista francês é difundido.

O início do Arcadismo se dá em 1768, com a fundação da Arcádia Ultramarina, em Vila Rica, e a publicação de Obras, de Cláudio Manuel da Costa.

O Arcadismo desenvolve-se até 1808 com a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, que introduz o pensamento pré-romântico por meio de suas medidas político-administrativas.

Características do Arcadismo

Os poetas árcades visavam uma literatura simples, oposta às extravagâncias do Barroco.

Na linguagem, prevaleceram:

– Construções sintáticas na ordem direta;

– Frases claras e melódicas;

– Adjetivos que expressam suavidade e harmonia.

No conteúdo, temos:

– Personagens mitológicos;

– Bucolismo e pastoralismo: vida campestre idealizada; o sujeito lírico é um pastor, e a mulher amada, uma pastora;

– Ambientação no locus amoenus (lugar ameno): idealização da natureza;

– Temática do fugere urbem (fugir da cidade): a cidade é lugar de sofrimento e corrupção;

– Elogio da aurea mediocritas (mediania de ouro): expressão do poeta Horácio para dizer que o equilíbrio deve prevalecer em relação ao que é extremo;

Carpe diem (aproveite o dia): o amante tentar convencer a amada de que devem viver o amor antes que estejam velhos ou morram.

Principais autores e obras

Em Portugal:

Manuel Maria Barbosa du Bocage: Morte de D. Ignez de Castro, Elegia, Idílios Marítimos.

António Dinis da Cruz e Silva: O Hissope, Odes Pindáricas, A Degolação do Baptista.

Pedro António Correia Garção: Obras Poéticas, Teatro Novo e Assembleia ou Partida.

Francisco José Freire: Vieira Defendido, Arte Poética ou Regras da Verdadeira Poesia.

Domingos dos Reis Quita: Obras Poéticas (dois volumes da obra completa).

Nicolau Tolentino de Almeida: Miscelânea Curiosa e Proveitosa, Passeio, Amantes.

No Brasil:

Cláudio Manuel da Costa: Obras, Vila Rica.

Silva Alvarenga: Glaura.

Tomás Antônio Gonzaga: Marília de Dirceu, Cartas chilenas.

Santa Rita Durão: Caramuru.

Basílio da Gama: O Uruguai.

Todos os autores árcades viviam nos centros urbanos e eram burgueses, mas escreviam sobre locus amoenus, isto é, procura pela vida amena no campo, além de criticarem a aristocracia. Tudo isso caracterizava um estado de espírito, uma posição política e ideológica, portanto foram muito criticados, o que fez com que utilizassem pseudônimos.

Gostou do artigo? Então, leia também:

Barroco – característica, autores e obras

O Barroco é o estilo artístico que predominou entre o final do século XVI e o início do século XVIII em toda literatura, pintura, arquitetura, escultura e música. Teve início na Itália e aos poucos foi difundido para o restante da Europa e para a América Latina.

As obras barrocas surgiram refletindo o pessimismo, o conflito e o desequilíbrio entre a razão e a emoção do homem europeu. Todas essas características nasceram da crise de valores renascentistas, ocasionada pelas lutas religiosas (especialmente a Reforma Protestante e a Contrarreforma) e pela crise econômica vivida em consequência da falência do comércio europeu com o Oriente.

Características da arte barroca

– Assimetria;

– Contraste de cores claras e escuras;

– Formas volumosas e sem contorno;

– Predomínio de linhas inclinadas;

– Drama por meio de figuras em movimento;

– Perspectiva sem nitidez.

Principais artistas europeus: Caravaggio, Bernini, Francesco Borromini, Andrea Pozzo.

Continue reading

Quinhentismo – característica, autores e obras

Quinhentismo é a denominação dada a todas as manifestações literárias no Brasil durante o século XVI. Esse período corresponde à introdução da cultura europeia em terras brasileiras, portanto as manifestações literárias do Quinhentismo fazem parte da literatura de viagens do Renascimento português.

Por essa razão, não se fala que o Quinhentismo seja uma literatura do Brasil, mas uma literatura no Brasil e sobre o Brasil. Ou seja, é uma literatura que não reflete a cosmovisão do homem brasileiro, mas, sim, a cosmovisão, as ambições e as intenções do homem europeu.

Dividimos essas manifestações literárias em literatura informativa, dos viajantes, e literatura catequética, do Pe. José de Anchieta.

Continue reading

Gênero literário – definição e exemplos

Gênero literário é a divisão dos textos literários em categorias de acordo com as semelhanças que apresentam no conteúdo e na estrutura. Tradicionalmente, temos três gêneros literários: o lírico, o épico e o dramático, os quais tiveram origem na Grécia clássica, com Aristóteles, quando a poesia era a forma predominante de literatura.

Contudo, essa divisão sempre foi questionada ao longo dos séculos, principalmente com o início dos textos em prosa. Como consequência, o gênero épico passou a também ser chamado de gênero narrativo

Veja cada um a seguir.

Continue reading

Textos literários e não literários – qual a diferença?

Os textos, antes mesmo de serem divididos em tipos e gêneros textuais, constituem outros dois grandes grupos: o grupo dos textos literários e o grupo do textos não literários. Essa divisão ocorre devido ao tipo de linguagem empregada.

Sabemos que a linguagem existe, principalmente, para gerar comunicação e interação entre os indivíduos. No entanto, por meio dela também é possível fazer arte. Assim como temos arte com desenhos e tintas (pintura), com sons e movimentos (música e dança), com edificações (arquitetura) etc., temos arte com palavras, que é a literatura.

Portanto, a principal diferença entre um texto não literário para um texto literário, é que este é arte, enquanto aquele não pode ser considerada uma. Para ficar mais claro, acompanhe as principais características de cada um abaixo.

Continue reading

Métrica: como contar sílabas poéticas?

Chamamos de métrica ou escansão o método utilizado na contagem de sílabas poéticas. Portanto, fazer a metrificação ou a escansão de um verso é determinar-lhe o tamanho.

No entanto, existem diferenças entre a contagem tradicional de sílabas, aquela que se aprende na alfabetização, para a metrificação de versos. Na contagem de sílabas poéticas, a sonoridade das palavras é o que mais importa, por isso recomenda-se conhecimento básico de fonologia.

A seguir, conheça as regras de metrificação e perceba como é fácil fazê-la.

Continue reading

Ambiguidade – o que é e como evitar

A ambiguidade, também chamada de anfibologia, consiste na dupla possibilidade de interpretação de uma palavra, de uma expressão ou de todo um texto. Popularmente, recebe o nome de “duplo sentido” e pode ser causada de forma intencional ou não. 

Quando a ambiguidade é proposital e tem finalidade estilística, é considerada uma figura de linguagem de palavra e de construção. Mas quando a ambiguidade é consequência da má escolha de palavras ou da posição em que as palavras se encontram na frase, é caracterizada como um vício de linguagem e deve ser evitada.

Exemplo de ambiguidade como figura de linguagem:

– “Quem come um pede bis.” 

Nesse antigo slogan da Bis, tradicional marca de chocolate wafer, o substantivo comum bis, que significa repetição, gera ambiguidade na frase por ser homônimo perfeito do nome da marca. Logo o slogan tem a intencionalidade de mostrar que os que provam um chocolate da marca Bis, pedem bis, ou seja, pedem para comer de novo, insinuando a boa qualidade do produto.

Nos casos em que a ambiguidade resulta do duplo sentido de uma palavra, ela é chamada de ambiguidade lexical

Exemplo de ambiguidade como vício de linguagem:

– A tia levou a criança para sua casa. 

Aqui já não é possível saber se a casa é da tia ou da criança devido ao mau uso do pronome possessivo.

Em casos como esse, em que a ambiguidade resulta da forma como a frase foi construída, ela é chamada de ambiguidade estrutural.

Continue reading

Concordância verbal: conheça os principais casos

Concordância verbal é a adequada flexão em número e pessoa do verbo para que ele possa concordar com o núcleo do sujeito da oração. Observe alguns exemplos:

A estudante de economia gosta de livros sobre investimentos. 

Sujeito: A estudante de economia

Núcleo do sujeito: estudante (terceira pessoa do singular)

Verbo: gosta (conjugado na terceira pessoa do singular)

As estudantes de economia gostam de livros sobre investimentos.

Sujeito: As estudantes de economia

Núcleo do sujeito: estudantes (terceira pessoa do plural)

Verbo: gostam (conjugado na terceira pessoa do plural)

Dessa forma, temos a seguinte regra geral de concordância verbal: se núcleo do sujeito está na primeira, segunda ou terceira pessoa do singular, o verbo também deve estar; se o núcleo do sujeito está na primeira, segunda ou terceira pessoa do plural, o verbo também deve estar.

Contudo, temos alguns casos especiais de concordância verbal. Acompanhe os principais a seguir.

Continue reading

Oração: termos essenciais, integrantes e acessórios

Os termos da oração são palavras ou grupo de palavras que exercem alguma função sintática dentro da oração. São divididos em:

  • Termos essenciais (sujeito e predicado)
  • Termos integrantes (complementos verbais, complemento nominal e agente da passiva)
  • Termos acessórios (adjunto adnominal, adjunto adverbial e aposto)

Termos essenciais da oração

São termos essenciais da oração o sujeito e o predicado.

1. Sujeito

O sujeito é o ser ou fato sobre o qual o predicado faz uma declaração. Também é o responsável pela conjugação do verbo e recebe várias classificações.

a) Sujeito simples: é o que apresenta apenas um núcleo explícito.

– Sua atitude foi brilhante.

b) Sujeito composto: é o que apresenta mais de um núcleo explícito.

Os professores e os alunos reuniram-se no ginásio.

c) Sujeito oculto, elíptico ou desinencial: é o que apresenta um núcleo implícito, mas que pode ser identificado facilmente por meio da desinência do verbo.

– Chegamos atrasados à festa. (sujeito oculto: nós)

d) Sujeito indeterminado: é aquele cujo núcleo é desconhecido e impossível de identificar mesmo o verbo indicando que houve uma ação praticada por alguém. 

– Disseram que você briga muito na escola. (Alguém disse, mas quem?)

e) Sujeito oracional: é aquele que aparece em forma de oração.

– Nota-se que todos gostam de você.

f) Sujeito inexistente (oração sem sujeito): ocorre em orações com verbos impessoais. É o único caso em que este termo essencial não aparece.

– Choveu muito durante o show.

2. Predicado

O predicado é o conjunto de todos os termos da oração, com exceção do sujeito e do vocativo. É tudo o que se declara sobre o sujeito (quando ele existe).

Em 2020, o mundo foi tomado por uma pandemia. (sujeito: o mundo)

Faz muito calor no Rio de Janeiro. (oração sem sujeito – tudo é predicado)

O predicado pode ser classificado em:

a) Predicado nominal: é aquele cujo núcleo da afirmação está contido no nome (substantivo, adjetivo, pronome), não no verbo. É constituído sempre de: verbo de ligação + predicativo do sujeito.

– Nossa casa é lindíssima!

b) Predicado verbal: é aquele cujo núcleo é qualquer verbo que não seja de ligação, ou seja, apresenta verbo nocional.

– Todos nós assistimos ao lançamento da Marvel.

c) Predicado verbo-nominal: é aquele cujos núcleos são um verbo nocional + um nome (esse nome será predicativo do sujeito ou do objeto).

– Os jogadores corriam exaustos.

Termos integrantes da oração

São termos integrantes da oração aqueles que completam o sentido de certos verbos ou nomes, como fazem os complementos verbais (objeto direto e objeto indireto), o complemento nominal e o agente da passiva.

1. Complementos verbais

São complementos do verbo o objeto direto e o objeto indireto.

a) Objeto direto: complementa o sentido de um verbo sem o auxílio de uma preposição.

– A chuva intensa prejudicou a navegação.

b) Objeto indireto: complementa o sentido de um verbo com o auxílio de uma preposição.

– Ele não confia em você.

2. Complemento nominal

O complemento nominal liga-se a um nome, o qual pode ser um substantivo, um adjetivo ou um advérbio de base adjetiva, a fim de complementar o seu sentido. É obrigatoriamente regido de preposição.

– Tenho necessidade de proteção.

3. Agente da passiva

O agente da passiva é o termo que complementa um verbo na voz passiva analítica. É obrigatoriamente regido pelas preposições por ou de.

– Os nadadores foram aplaudidos pelo público.

Termos acessórios da oração

Os termos acessórios da oração desempenham função secundária na oração, sendo dispensáveis à construção de sentido dela. São eles o adjunto adnominal, o adjunto adverbial e o aposto.

1. Adjunto adnominal

O adjunto adnominal é o termo acessório que delimita o sentido de um substantivo, caracterizando-o. É representado pelas seguintes classes gramaticais: artigo, adjetivo, locução adjetiva, pronome adjetivo, numeral adjetivo.

O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu amigo de infância.

O (artigo) e inovador (adjetivo) caracterizam o substantivo poeta;

dois (numeral) e longos (adjetivo) caracterizam o substantivo trabalhos;

o (artigo), seu (pronome adjetivo) e de infância (locução adjetiva) caracterizam o substantivo amigo.

2. Adjunto adverbial

O adjunto adverbial é o termo que indica a circunstância expressa pelo verbo. Na prática, todo advérbio e toda locução adverbial exercem função sintática de adjunto adverbial, o qual pode expressar muitas as circunstâncias, sendo as mais comuns as de: tempo, modo, lugar, causa, assunto, meio, instrumento, afirmação, negação, dúvida, intensidade, finalidade, companhia, condição e concessão.

Hoje é feriado. (tempo)

– Todos correram de medo. (causa)

– A esposa trabalha bastante. (intensidade)

3. Aposto

O aposto é um termo de valor substantivo que explica, especifica, amplia ou resume um termo sintático antecedente. Pode ser classificado em:

a) Aposto explicativo: amplia o significado do antecedente. Sempre vem isolado por pontuação.

– Neymar, o maior jogador do Brasil hoje, atualmente joga pelo Paris Saint-Germain.

b) Aposto especificativo: possui o mesmo valor semântico do antecedente e não é isolado por pontuação.

– O escritor Machado de Assis era carioca. 

c) Aposto enumerativo: enumera as partes que constituem o antecedente. Aparece após vírgula, dois-pontos ou travessão.

– Nas férias, visitei três países: Itália, França e Inglaterra.

d) Aposto resumidor: sintetiza o que foi dito anteriormente. Normalmente é um pronome indefinido.

– O sorriso, a voz, a educação, tudo nela encantava.

e) Aposto distributivo: normalmente, retoma dois ou mais termos anteriores.

– Tenho dois investimentos: um em renda fixa, outro em renda variável, 

f) Aposto de oração: refere-se a uma oração inteira.

– O furacão destruiu toda a cidade, fato lamentável.

Vocativo x aposto

Vocativo é usado para evidenciar o ser chamado ou ao qual se apela, isto é, indica a invocação de algo ou alguém. Deve sempre ser isolado por vírgula e pode se deslocar pela oração. Exemplos:

Mãe, pega a tolha pra mim!

– Que paz você me traz, ó mar!

Diferentemente do aposto, o vocativo não pertence à estrutura sintática da oração, ou seja, não se liga ao verbo nem ao nome, tampouco integra o sujeito ou o predicado. Portanto, ele não é considerado um termo da oração, apesar de ser tradicionalmente explicado na seção de termos acessórios da oração em muitas gramáticas.

*

Gostou do artigo? Então, vale a pena ler também:

« Older posts

© 2021 Clube do Português

Theme by Anders NorenUp ↑