Por Pedro Valadares

Mês: julho 2021 (Page 1 of 2)

Modernismo – características, obras e autores

Modernismo foi o principal movimento artístico da primeira metade do século XX. Surgiu após o pré-modernismo, enquanto o mundo ocidental passava por uma série de conflitos sociopolíticos e por rupturas em relação aos principais valores e ideias do século anterior.

Havia, nessa época, uma enorme euforia diante do progresso industrial e dos avanços técnico-científicos. Isso aumentou a disputa pelo domínio dos mercados fornecedores e consumidores e resultou na Primeira Guerra Mundial.

Assim, durante e após a belle époque, surgiram variadas correntes artísticas que refletiam o caos e a violência das primeiras décadas do século XX. São as chamadas “vanguardas europeias”.

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Literatura de cordel – características, autores e obras

Literatura de cordel é um gênero literário tradicional da cultura popular brasileira, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

Os estados em que se destaca são: Paraíba, Pernambuco, Pará, Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia.

É feita em versos, por isso também é chamado de literatura popular em verso.

Origem da literatura de cordel

A literatura de cordel teve início em Portugal, por volta do século XII, com os trovadores medievais. Como o analfabetismo era generalizado, os textos eram tradicionalmente transmitidos de forma oral.

Mas com a criação da prensa durante o Renascimento, as histórias começaram a ser publicadas no formato de folhetos. Nesse período, os cordéis também ganharam espaço em países como Espanha, França e Itália.

Esses folhetos ficavam pendurados em cordel, ou seja, em cordas, para serem vendidos em feiras, bancos e mercados. Daí a origem do nome desse gênero literário.

Com a chegada dos portugueses ao Brasil, a literatura de cordel foi introduzida no nosso país ainda no período colonial. Foi difundida por meio dos repentistas (ou violeiros), os quais contavam histórias de forma musicada e rimada nas ruas das cidades.

Na segunda metade do século XIX, as impressões de folhetos brasileiros começaram. A tradição de vendê-los pendurados em cordas, contudo, não prosseguiu tão fortemente por aqui, sendo possível encontrá-los à venda pendurados ou não.

Características da literatura de cordel

– Aborda fatos do cotidiano, episódios históricos, lendas, religiosidade, temas políticos, etc.;

– Fortalece as identidades regionais, o folclore;

– É escrito em versos, contém rimas e métricas;

– Privilegia a linguagem simples, coloquial e regional;

– Uso de humor, ironia e sarcasmo;

– Apresenta algumas ilustrações, principalmente xilogravuras;

– É tradicionalmente declamado pelos cordelistas;

– É uma literatura de valor acessível.

Estrutura do cordel

Quadra: estrofe de quatro versos (não é mais utilizada);

Sextilha: estrofe de seis versos (é a mais conhecida);

Septilha: estrofe de sete versos (é a mais rara);

Oitava: estrofe de oito versos;

Quadrão: os três primeiros versos rimam entre si, o quarto com o oitavo e o quinto, o sexto e o sétimo também entre si;

Décima: estrofe de dez versos;

Martelo: estrofes formadas por decassílabos (comuns em desafios e versos heroicos);

Galope à beira-mar: estrofe de dez versos hendecassílabos (com 11 sílabas);

Redondilha: verso de cinco ou sete sílabas;

Carretilha: décima de redondilhas menores rimadas na mesma disposição da décima clássica.

Principais obras do cordel brasileiro

A chegada de Lampião no céu, de Rodolfo Coelho Cavalcante;

Cordel, de Patativa do Assaré;

Antologia da literatura de cordel, de Sebastião Nunes Batista;

O flautista misterioso e os ratos de Hamelin, de Braulio Tavares;

A mulher roubada, de Leandro Gomes de Barros;

Canudos na literatura de cordel, de José Calasans;

Cordéis que educam e transformam, de Costa Senna;

O menino do dinheiro em cordel, de Reinaldo Domingos e José Santos;

Desafios de cordel, de César Obeid;

Antologia do cordel brasileiro, de Marco Haurélio;

Colcha de retalhos, de Moreira de Acopiara;

Mitos e lendas do Brasil em cordel, de Nireuda Longobardi;

Minhas rimas de cordel, de César Obeid;

Zumbi dos Palmares em cordel, de Madu Costa.

Boca a boca x Boca-a-boca – tem hífen?

Afinal, a forma correta é boca a boca ou boca-a-boca? A expressão tem ou não tem hífen? Neste artigo, vamos tirar essa dúvida.

Reforma ortográfica

Antes do Acordo Ortográfico, existia uma diferença entre as expressões boca a boca, sem hífen, e boca-a-boca, com hífen. A primeira era utilizada como locução adverbial ou adjetiva e a segunda como substantivo.

Contudo, com o advento da Reforma, o hífen foi abolido. Assim, a forma correta é somente boca a boca, sem hífen, independentemente da função que a palavra exerça. Vejamos alguns usos desse termo:

  • O boca a boca é a melhor forma de divulgação.
  • O paciente precisou de respiração boca a boca.
  • A notícia correu boca a boca.
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Arcadismo – características, autores e obras

Arcadismo foi o movimento artístico-literário que predominou no século XVIII. Também chamado de Neoclassicismo, recebeu esse nome por promover a revalorização do Classicismo, pois a arte Barroca passou a ser considerada antiquada e sinônimo de mau gosto.

Contexto histórico

A tentativa de frear o barroquismo iniciou-se ainda no final do século XVII, com a fundação da “Arcádia”, em Roma. Esta era uma sociedade literária com a finalidade de combater o Barroco e de cultivar a poesia bucólica e anacreôntica (lírico-amorosa).

No século seguinte, a religiosidade e o exagero do Barroco já não agradavam mais a sociedade burguesa, que estava voltada para questões mundanas e artes subjetivas. Vivia-se também nesse período o Iluminismo, ou Século das Luzes, que abriu os caminhos para a Revolução Francesa, em 1789.

O Arcadismo só teve início, de fato, em 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana, por parte de alguns escritores liderados por Antônio Dinis da Cruz e Silva. O lema da Arcádia Lusitana era Inutilia truncat (“acabe-se com as inutilidades”, em português, o que caracterizou todo o Arcadismo.

Arcadismo no Brasil

No Brasil, a morte dos artistas do Barroco marca o enfraquecimento desse movimento. Além disso, a cultura jesuítica começa a dar lugar ao Neoclassicismo, e o pensamento iluminista francês é difundido.

O início do Arcadismo se dá em 1768, com a fundação da Arcádia Ultramarina, em Vila Rica, e a publicação de Obras, de Cláudio Manuel da Costa.

O Arcadismo desenvolve-se até 1808 com a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, que introduz o pensamento pré-romântico por meio de suas medidas político-administrativas.

Características do Arcadismo

Os poetas árcades visavam uma literatura simples, oposta às extravagâncias do Barroco.

Na linguagem, prevaleceram:

– Construções sintáticas na ordem direta;

– Frases claras e melódicas;

– Adjetivos que expressam suavidade e harmonia.

No conteúdo, temos:

– Personagens mitológicos;

– Bucolismo e pastoralismo: vida campestre idealizada; o sujeito lírico é um pastor, e a mulher amada, uma pastora;

– Ambientação no locus amoenus (lugar ameno): idealização da natureza;

– Temática do fugere urbem (fugir da cidade): a cidade é lugar de sofrimento e corrupção;

– Elogio da aurea mediocritas (mediania de ouro): expressão do poeta Horácio para dizer que o equilíbrio deve prevalecer em relação ao que é extremo;

Carpe diem (aproveite o dia): o amante tentar convencer a amada de que devem viver o amor antes que estejam velhos ou morram.

Principais autores e obras

Em Portugal:

Manuel Maria Barbosa du Bocage: Morte de D. Ignez de Castro, Elegia, Idílios Marítimos.

António Dinis da Cruz e Silva: O Hissope, Odes Pindáricas, A Degolação do Baptista.

Pedro António Correia Garção: Obras Poéticas, Teatro Novo e Assembleia ou Partida.

Francisco José Freire: Vieira Defendido, Arte Poética ou Regras da Verdadeira Poesia.

Domingos dos Reis Quita: Obras Poéticas (dois volumes da obra completa).

Nicolau Tolentino de Almeida: Miscelânea Curiosa e Proveitosa, Passeio, Amantes.

No Brasil:

Cláudio Manuel da Costa: Obras, Vila Rica.

Silva Alvarenga: Glaura.

Tomás Antônio Gonzaga: Marília de Dirceu, Cartas chilenas.

Santa Rita Durão: Caramuru.

Basílio da Gama: O Uruguai.

Todos os autores árcades viviam nos centros urbanos e eram burgueses, mas escreviam sobre locus amoenus, isto é, procura pela vida amena no campo, além de criticarem a aristocracia. Tudo isso caracterizava um estado de espírito, uma posição política e ideológica, portanto foram muito criticados, o que fez com que utilizassem pseudônimos.

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Barroco – característica, autores e obras

O Barroco é o estilo artístico que predominou entre o final do século XVI e o início do século XVIII em toda literatura, pintura, arquitetura, escultura e música. Teve início na Itália e aos poucos foi difundido para o restante da Europa e para a América Latina.

As obras barrocas surgiram refletindo o pessimismo, o conflito e o desequilíbrio entre a razão e a emoção do homem europeu. Todas essas características nasceram da crise de valores renascentistas, ocasionada pelas lutas religiosas (especialmente a Reforma Protestante e a Contrarreforma) e pela crise econômica vivida em consequência da falência do comércio europeu com o Oriente.

Características da arte barroca

– Assimetria;

– Contraste de cores claras e escuras;

– Formas volumosas e sem contorno;

– Predomínio de linhas inclinadas;

– Drama por meio de figuras em movimento;

– Perspectiva sem nitidez.

Principais artistas europeus: Caravaggio, Bernini, Francesco Borromini, Andrea Pozzo.

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Quinhentismo – característica, autores e obras

Quinhentismo é a denominação dada a todas as manifestações literárias no Brasil durante o século XVI. Esse período corresponde à introdução da cultura europeia em terras brasileiras, portanto as manifestações literárias do Quinhentismo fazem parte da literatura de viagens do Renascimento português.

Por essa razão, não se fala que o Quinhentismo seja uma literatura do Brasil, mas uma literatura no Brasil e sobre o Brasil. Ou seja, é uma literatura que não reflete a cosmovisão do homem brasileiro, mas, sim, a cosmovisão, as ambições e as intenções do homem europeu.

Dividimos essas manifestações literárias em literatura informativa, dos viajantes, e literatura catequética, do Pe. José de Anchieta.

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Gênero literário – definição e exemplos

Gênero literário é a divisão dos textos literários em categorias de acordo com as semelhanças que apresentam no conteúdo e na estrutura. Tradicionalmente, temos três gêneros literários: o lírico, o épico e o dramático, os quais tiveram origem na Grécia clássica, com Aristóteles, quando a poesia era a forma predominante de literatura.

Contudo, essa divisão sempre foi questionada ao longo dos séculos, principalmente com o início dos textos em prosa. Como consequência, o gênero épico passou a também ser chamado de gênero narrativo

Veja cada um a seguir.

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Textos literários e não literários – qual a diferença?

Os textos, antes mesmo de serem divididos em tipos e gêneros textuais, constituem outros dois grandes grupos: o grupo dos textos literários e o grupo do textos não literários. Essa divisão ocorre devido ao tipo de linguagem empregada.

Sabemos que a linguagem existe, principalmente, para gerar comunicação e interação entre os indivíduos. No entanto, por meio dela também é possível fazer arte. Assim como temos arte com desenhos e tintas (pintura), com sons e movimentos (música e dança), com edificações (arquitetura) etc., temos arte com palavras, que é a literatura.

Portanto, a principal diferença entre um texto não literário para um texto literário, é que este é arte, enquanto aquele não pode ser considerada uma. Para ficar mais claro, acompanhe as principais características de cada um abaixo.

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Métrica: como contar sílabas poéticas?

Chamamos de métrica ou escansão o método utilizado na contagem de sílabas poéticas. Portanto, fazer a metrificação ou a escansão de um verso é determinar-lhe o tamanho.

No entanto, existem diferenças entre a contagem tradicional de sílabas, aquela que se aprende na alfabetização, para a metrificação de versos. Na contagem de sílabas poéticas, a sonoridade das palavras é o que mais importa, por isso recomenda-se conhecimento básico de fonologia.

A seguir, conheça as regras de metrificação e perceba como é fácil fazê-la.

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Ambiguidade – o que é e como evitar

A ambiguidade, também chamada de anfibologia, consiste na dupla possibilidade de interpretação de uma palavra, de uma expressão ou de todo um texto. Popularmente, recebe o nome de “duplo sentido” e pode ser causada de forma intencional ou não. 

Quando a ambiguidade é proposital e tem finalidade estilística, é considerada uma figura de linguagem de palavra e de construção. Mas quando a ambiguidade é consequência da má escolha de palavras ou da posição em que as palavras se encontram na frase, é caracterizada como um vício de linguagem e deve ser evitada.

Exemplo de ambiguidade como figura de linguagem:

– “Quem come um pede bis.” 

Nesse antigo slogan da Bis, tradicional marca de chocolate wafer, o substantivo comum bis, que significa repetição, gera ambiguidade na frase por ser homônimo perfeito do nome da marca. Logo o slogan tem a intencionalidade de mostrar que os que provam um chocolate da marca Bis, pedem bis, ou seja, pedem para comer de novo, insinuando a boa qualidade do produto.

Nos casos em que a ambiguidade resulta do duplo sentido de uma palavra, ela é chamada de ambiguidade lexical

Exemplo de ambiguidade como vício de linguagem:

– A tia levou a criança para sua casa. 

Aqui já não é possível saber se a casa é da tia ou da criança devido ao mau uso do pronome possessivo.

Em casos como esse, em que a ambiguidade resulta da forma como a frase foi construída, ela é chamada de ambiguidade estrutural.

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