Por Pedro Valadares

Mês: agosto 2021 (Page 1 of 2)

Tipos de narrador: quais são e exemplos

O texto narrativo tem como objetivo central contar uma história e apresenta os seguintes elementos: narrador, personagem, tempo, espaço e enredo. Gêneros como novelas, romances, contos, fábulas e algumas crônicas, por exemplo, são basicamente narrativos.

Nesses tipos de textos, quem conta a história é o narrador, que pode ou não ser apresentado de forma explícita. Portanto, narrador é aquele que narra, conta o que se passa supostamente aos seus olhos; conta o que aconteceu, o que acontece, o que acontecerá, o que não aconteceu e também o que poderia ter acontecido.

Narrador x autor

É importante destacar que, de modo geral, a figura do narrador é diferente da figura do autor. O autor, ao criar a história, ele também cria o narrador. Claro que nada impede que autor também seja o narrador, por isso existem os textos do gênero autobiografia, em que o autor conta a história da própria vida.

Contudo, na maioria das vezes não é isso que acontece, e o autor cria uma história fictícia com um narrador também fictício. Como consequência, geralmente o narrador conta a história sob o seu ponto de vista, a sua perspectiva dos fatos, e a isso damos o nome de foco narrativo ou simplesmente tipos de narrador.

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Estilística – definição e campos de estudo

Estilística é a parte da linguística que estuda o aspecto estético e emocional da linguagem, ou seja, trata do uso criativo da língua. Seu uso é muito comum nas conversas do dia a dia e nos textos literários, contextos que costumam ser mais informais, sem compromisso estrito com a norma culta.

O jogo de palavras praticado pela estilística atém-se fortemente ao uso da linguagem conotativa e das figuras de linguagem, mas não só isso. Ela consegue passear por todos os campos da linguagem, como veremos a seguir.

Estilística semântica

A estilística semântica explora os diversos sentidos que as palavras podem ter. Os principais recursos utilizados dentro desse campo são:

– linguagem conotativa (figurada)

– sinônimos e antônimos

– polissemia

– ambiguidade

– intertextualidade

E as figuras de palavras (ou semânticas):

– metáfora

– comparação

– metonímia

– catacrese

– perífrase (antonomásia)

– sinestesia

Além das figuras de pensamento:

– antítese

– paradoxo (oxímoro)

– hipérbole

– gradação

– eufemismo

– ironia

– prosopopeia (personificação)

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Semântica – definição e campos de estudo

Semântica é um ramo da linguística que trata da significação das palavras, as quais podem estar isoladas ou contextualizadas.

Quando estão isoladas, as palavras apresentam um significado primário, aquele que encontramos no dicionário. Por outro lado, a depender do contexto em que estão inseridas, as palavras podem apresentar vários sentidos secundários.

Ao escutarmos a palavra gato, por exemplo, logo nos vêm à cabeça um animal doméstico da família dos felídeos. Mas se falamos que um certo homem é um gato ou que alguém fez um gato, essa palavra passa a apresentar sentidos secundários, tais como bonito e ligação elétrica irregular, respectivamente.

Dessa forma, de acordo com a significação, as palavras podem apresentar distintas classificações. Vejamos todas a seguir.

Denotação

Denotação trata do significado primário da palavra. Isto é, uma palavra em seu sentido denotativo deve ser interpretada de forma literal.

– Ganhei um cachorro lindo dos meus pais. (cachorro = animal)

– A massa do bolo ficou muito mole. (mole = flácida)

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Sintaxe – definição e campos de estudo

Sintaxe é a parte da gramática que estuda as relações existentes entre as palavras na oração e as ordens de construção dos períodos simples e compostos.

O que é frase, oração e período?

Quando falamos de sintaxe, é necessário, primeiramente, estabelecer a diferença entre frase, oração e período.

1. Frase: é todo enunciado que estabelece comunicação. Pode se dividir em:

a) Frase nominal: não apresenta verbo.

– Cuidado!

– Bom dia!

b) Frase verbal: apresenta verbo ou locução verbal.

– Reduza a velocidade.

– Aonde você pretende chegar?

2. Oração: é o enunciado que apresenta verbo ou locução verbal, ou seja, é uma frase verbal.

– Este professor é incrível!

Será que ela gosta de mim?

3. Período: é o enunciado que apresenta uma ou mais orações. Começa com letra maiúscula e termina com ponto, ponto de interrogação, ponto de exclamação ou reticências. Pode se dividir em:

a) Período simples: apesenta uma oração.

Quero muito este carro!

Espero reconhecimento pelo trabalho.

b) Período composto: apresenta duas ou mais orações.

– As alunas garantem que chegarão a tempo.

– Eu quero, eu posso, eu consigo!

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O que é morfologia?

Morfologia é a parte da gramática que estuda a forma dos vocábulos.  Para isso, ela ocupa-se da estrutura e do processo de formação das palavras, além de dividi-las em dez classes de palavras (ou classes gramaticais) conforme as semelhanças morfológicas que apresentam.

Uma análise morfológica, portanto, é aquela que analisa a palavra de forma isolada, sem que haja, necessariamente, um contexto.

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O que é fonética e fonologia?

Na gramática, cabe à fonética e à fonologia estudar esses sons da fala.

Toda vez que falamos em voz alta, produzimos sons pela corrente de ar que sai dos pulmões e percorre determinados órgãos. Esses sons se combinam e formam palavras que, por sua vez, podem ter o sentido alterado se uma parte sonora for modificada.

Como exemplo, podemos tomar as palavras vendo e vento, as quais possuem sons iguais, com exceção do [d] e do [t]. Essa pequena mudança acaba por mudar também o sentido de cada uma dessas palavras.

O que é fonética?

A fonética estuda o aspecto físico dos sons da fala, ou seja, estuda a produção e recepção desses sons. Logo, o seu principal objeto de estudo é o aparelho fonador.

Diversos órgãos formam esse aparelho, tais como a laringe, o esôfago, a traqueia, a epiglote, a língua, os lábios etc. Dessa forma, quando expiramos, o ar sai dos pulmões, passa por esses órgãos e produz os sons da fala.

Assim, interessa à fonética saber como o som de cada vogal e consoante é produzido. Veja a diferença:

Vogal: é produzida com o fluxo de ar passando livremente no trato vocal. É analisada por meio dos seguintes parâmetros: altura, avanço/recuo da língua e arredondamento dos lábios.

Consoante: há sempre na cavidade bucal obstáculo à passagem da corrente expiratória. É analisada por meio dos seguintes parâmetros: ponto articulatório (lugar de articulação), modo articulatório e sonoridade.

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História do ensino da Língua Portuguesa no Brasil

No Brasil, o ensino da língua portuguesa como disciplina começou a tomar forma apenas em meados do século XIX. Antes, no período colonial, o estudo do idioma era um privilégio da elite, que aprendia a ler e escrever com os jesuítas.

Esse processo de alfabetização não estava organizado em um componente curricular e tampouco tinha continuidade, visto que o objetivo era aprender o básico de português para iniciar os estudos da gramática em latim.

Além disso, havia um misto de idiomas em terras brasileiras até o século XVIII. Contávamos com a língua tupi-guarani, de origem indígena; o português, devido à colonização portuguesa; e línguas africanas, pois mais de um milhão de africanos foram trazidos para o Brasil nesse período. 

Língua portuguesa como idioma oficial do Brasil

Em 1758, Marquês de Pombal proibiu o ensino do tupi e oficializou a língua portuguesa como a única língua do Brasil. O objetivo desse estadista português, responsável pela expulsão da Companhia de Jesus da então Colônia, era fazer com que a escola servisse aos interesses do Estado e não mais os da igreja.

Porém, um pouco antes disso, em 1746, o filósofo iluminista português Luís António Verney defendeu o ensino da gramática portuguesa após a alfabetização, para só depois se passar ao latim. As reformas educacionais do Marquês de Pombal, na década de 1750, acompanharam as ideias de Verney.

Contudo, a educação escolarizada não jesuítica de Pombal contemplava apenas uma irrisória parcela da população. Apenas com a chegada da família real portuguesa, em 1808, é que as instituições de ensino começaram a ser instaladas. De toda forma, elas estavam longe de chegar à maioria da população.

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Língua Portuguesa na BNCC – tudo que você precisa saber

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) define os conhecimentos e as habilidades que todos os alunos devem desenvolver no período escolar. Logo, ela abarca toda a Educação Básica, que vai desde a Educação Infantil até o Ensino Médio.

A BNCC é dividida em quatro áreas do conhecimento: Matemática, Linguagens, Ciências Humanas e Ciências da Natureza. Ela também dialoga com documentos já existentes na nossa educação, como os PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais, e traz como grande novidade a introdução das tecnologias digitais e seu impacto no ensino-aprendizagem da língua.

Promulgada em dezembro de 2017, a versão final do documento é resultante de quatro anos de debates com vários setores envolvidos na educação. Por ser um documento oficial do Ministério da Educação (MEC), tem força de lei e precisa ser cumprida.

A Língua Portuguesa na BNCC

A Língua Portuguesa é um dos componentes da área de Linguagens da BNCC, que também conta com Educação Física, Arte e Língua Estrangeira Moderna. Quando falamos de linguagem, falamos de comunicação, a qual pode se dar de forma oral e escrita, mas também por meio de linguagem corporal, linguagem de sinais, linguagem artística etc.

Por essa razão, a BNCC propõe um ensino de Língua Portuguesa centrado no texto, pois por meio dele é possível trabalhar todos os eixos da esfera linguística. Agora, as aulas de Língua Portuguesa devem contemplar novos gêneros textuais, como os gêneros digitais, e os campos de atuação possuem práticas de linguagem.

As práticas da linguagem são:

– Oralidade;

– Leitura/escuta;

– Produção de texto;

– Análise linguística/semiótica.

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Língua Portuguesa – origem e história

A língua portuguesa é o idioma oficial de mais de 250 milhões de pessoas em nove países, estando entre os dez idiomas mais falados do planeta.

Proveniente do latim vulgar, o português é uma língua neolatina, também chamada de língua românica, assim como o espanhol, o francês, o italiano, o romeno, o provençal, o catalão, o franco-provençal, o dálmata, o sardo e o rético.

Latim literário e latim vulgar

O latim literário, utilizado nos escritos com intenções artísticas, foi evoluindo progressivamente a partir do século III a.C. até chegar à alta perfeição da prosa de Cícero e César, no século I a. C.

Como o uso do latim literário era praticado por uma pequena elite, o latim corrente, utilizado pelos mais variados grupos sociais da Itália e das províncias, foi classificado como latim vulgar.

Foi esse latim que os soldados, colonos e funcionários romanos divulgaram nas regiões conquistadas. Então o latim vulgar passou a ser falado não só na Península Itálica, mas também por povos de raças tão diversas, como na Gália, na Hispânia, na Récia e na Dácia.

É devido a essa expansão, sem nenhum controle normativo, que surgem as línguas românicas.

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Gramática – conceitos e tipos

O termo gramática vem do grego grammatiké, no sentido de “a ciência ou a arte de ler e escrever”, e do latim grammatĭca, no sentido de “a ciência gramatical”, segundo o Dicionário Houaiss.

Apesar de haver vários tipos de gramática, todas elas têm algo em comum: a finalidade de sistematizar fatos da língua.

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