Conheça sete formas eficientes para fugir da repetição de palavras.

A repetição de palavras é um problema que empobrece seu texto.  Além de tornar a escrita desinteressante, também indica pobreza vocabular do redator. Por isso, neste artigo, você vai conhecer sete técnicas para não repetir vocábulos. Vamos lá!

1) Sinonímia

Essa é uma das mais conhecidas ferramentas para combater a duplicação dos termos. Trata-se do processo de substituir determinada palavra por um sinônimo.

ex: O policial saiu correndo atrás do bandido e um menino decidiu acompanhar o policial.

Veja agora usando a sinonímia:

ex: O policial saiu correndo atrás do bandido e um menino decidiu acompanhar o oficial.

Um outro recurso seria substituir o substantivo “policial” por um pronome. Essa estratégia, porém, criaria uma ambiguidade. Veja:

ex: O policial saiu correndo atrás do bandido e um menino decidiu acompanhá-lo.

Note que não fica claro se o pronome se refere ao policial ou ao bandido.

DICA: recomendo muito o dicionário de sinônimos – uma ferramenta muito útil para redatores e jornalistas.

2) Hiperonímia

Nós já falamos aqui sobre os hipônimos e hiperônimos. A hiperonímia consiste em usar palavras que possuem um significado mais amplo do que o da substituída.

ex: Maria tomou um remédio que não lhe fez muito bem. Parece que a medicação estava vencida.

Note que “remédio” é um tipo de medicação. Este termo abrange mais itens do que aquele.

3) Hiponímia

A hiponímia é o contrário da hiperonímia. Ela consiste em trocar um termo mais abrangente por outro mais específico.

ex: Rui estava muito nervoso e precisou de um remédio. Depois de tomar o calmante, porém, ele ficou mais tranquilo.

Perceba que o elemento “calmante” é apenas um dos que compõem a classe dos remédios.

4) Metonímia

Na metonímia, substitui-se um vocábulo por outro que lhe seja semanticamente próximo.

ex: Há livros que são muito melhores que outros. Quem já leu um Machado de Assis pode confirmar essa premissa.

A expressão “um Machado de Assis” refere-se a “um livro de Machado de Assis”.

Fique comigo que as próximas três estratégias dão muita elegância para seu texto. Vamos ver!

5) Elipse e zeugma

Essas duas figuras de sintaxe consistem não na substituição, mas sim na supressão ou ausência de um nome.

Um caso clássico de elipse é a omissão do sujeito.

ex: Chegamos hoje cedo.

Perceba que temos aqui a omissão do pronome reto nós, que fica representado pela conjugação do verbo chegar na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo.

Já o zeugma é um tipo de elipse que funciona com a retirada de um termo anteriormente mencionado.

ex: Paulo trabalhava no setor de vendas. Márcia, no de logística.

Vê-se ali a supressão do termo “trabalhava”.

É importante destacar que, nessa situação, há uma regra específica sobre o uso da vírgula, como você pode conferir no vídeo:

6) Nominalização

Essa estratégia configura a substituição de um verbo por um substantivo que deriva dele.

ex: Os trabalhadores decidiram paralisar os trabalhos. Segundo o líder, a paralisação continuará até que a diretoria apresente novas propostas.

Veja que a palavra “paralisação” nasce do verbo “paralisar”. Trata-se aqui de uma derivação sufixal (paralisa -ção).

7) Expressões ou grupos nominais definidos

O último recurso para evitar a repetição de palavras talvez seja o mais sofisticado de todos. Esse caso ocorre quando determinadas expressões exercem a retomada de termos por meio de uma pessoa ou de características dela. 

ex: Donald Trump sempre causa polêmicas. O presidente americano é conhecido pela língua afiada.

Repare que a expressão “presidente americano” é uma característica de Donald Trump. É isso que faz desse recurso algo especial: ele depende do contexto e do conhecimento de mundo do leitor. Se o receptor não conhecesse Trump, seria incapaz de ligá-lo ao fato de ele ser o mandatário dos Estados Unidos.

Vale ressaltar que, quando a substituição qualifica uma pessoa ou coisa específica, recebe o nome de epíteto.

ex: Pelé, o atleta do século.

ex: Paris, a cidade luz.

Repetição boa x Repetição ruim

Nem toda repetição é ruim. Quando utilizada como um recurso retórico, de forma consciente, esse recurso é uma das estratégias mais poderosas que existem para construir uma argumentação convincente.

Contudo, quando a repetição é feita de maneira acidental, em decorrência da falta de vocabulário de quem escreve, ela configura um vício de linguagem.

Uso inteligente

Agora, você já possui um arsenal de recursos para lidar com o problema da repetição das palavras. Você, inclusive, pode lançar mão de mais de uma das estratégias listadas aqui. Isso, com certeza, tornará seu texto muito mais atraente para o leitor.

Antes de ir, queria deixar duas sugestões. A primeira é o artigo no qual falo sobre cinco ferramentas online e gratuitas que vão te ajudar a escrever melhor. A segunda é o vídeo abaixo, no qual explico que repetir palavras nem sempre é um problema:

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