Por Pedro Valadares

Autor: admin (Page 1 of 43)

Público-alvo x Público alvo – tem hífen?

Afinal de contas, a forma correta é público-alvo ou público alvo? A expressão tem ou não tem hífen? Neste artigo, vamos acabar com essa dúvida e também vamos mostrar qual o plural desse substantivo composto. Vejamos!

Formação da palavra

O termo público-alvo tem hífen, porque se trata de um substantivo composto formado por composição e justaposição.

Como explicam Celso Cunho e Lindley Cintra:

A composição consiste em formar uma nova palavra pela união de dois ou mais radicais. A palavra composta representa sempre uma ideia única e autônoma, muitas vezes dissociada das noções expressas pelos seus componentes.

Nova Gramática do Português contemporâneo, 5ª ed., p. 119

Os gramáticos explicam que uma das formas de composição é a justaposição. Ela ocorre quando os elementos são simplesmente justapostos, conservando cada qual sua integridade.

Perceba que a expressão público-alvo possui um significado próprio, diferente do das palavras que a formam. O termo indica um segmento específico dentro de um conjunto de pessoas.

Ex: O público-alvo daquela campanha era composto de mulheres com idade entre 25 e 45 anos que moravam em São Paulo.

Outros exemplos de palavras formas por combinação e justaposição são: beija-flor, matéria-prima, pé-de-meia, bate-papo, bem-me-quer, segunda-feira.

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Lobo Guará x Lobo-Guará – tem hífen?

Em breve, teremos a nota de R$200 e o animal que vai estampá-la será o lobo-guará. Ou seria lobo guará? Afinal, o nome tem ou não tem hífen? Neste artigo, vamos resolver essa dúvida e mostrar qual regra se aplica a esse caso. Vejamos!

Acordo Ortográfico

Segundo a Reforma Ortográfica, os termos que indicam espécies botânicas ou zoológicas devem ser escritos com hífen, independentemente de terem ou não preposição.

É exatamente o caso de lobo-guará. Outros exemplos são: couve-flor, onça-pintada, mico-leão-dourado, erva-doce.

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Teletrabalho ou Tele-trabalho – tem hífen?

Afinal de contas, o correto é teletrabalho ou tele-trabalho? Tem ou não tem hífen? Neste artigo, vamos acabar com essa dúvida. Vejamos!

Reforma Ortográfica

Com o Acordo Ortográfico, só devemos usar o hífen com o prefixo “tele” quando ele estiver acompanhado de palavras iniciadas com as letras “e” e “h”.

Ex: Tele-entrega, tele-educação, tele-hamburger.

Nos demais casos, não se usa o hífen. É exatamente esse o caso do substantivo compostoteletrabalho“. Nessa situação, a prefixo se acopla ao vocábulo seguinte.

Ex: Em tempos de isolamento social, muitas pessoas fazem teletrabalho.

Outros casos que se encaixam nesta regra: telepizza, teleconferência, telecomunicação, entre outros.

Vale ressaltar que, quando a segunda palavra começar com “r” ou “s”, essas letras devem ser dobradas.

Ex: telesserviço e telerreserva.

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Plato x Platô – tem acento?

A crise do coronavírus popularizou uma série de termos. Com isso, surgem dúvidas sobre a grafia de determinadas palavras. Afinal de contas, o correto é plato ou platô? Devemos ou não devemos usar o acento?

Neste artigo, vamos resolver essa questão. Vejamos!

Oxítona

As palavras oxítonas – aquelas que tem a última sílaba como tônica – são acentuadas quando terminam:

  1. Em vogal que venham seguidas de outra vogal com pronúncia distinta (baús, Tuiuiú, Piauí);
  2. Em “EM” e “ENS” (alguém, ninguém, parabéns);
  3. Com as vogais “E” e “A” abertas, nas formas verbais seguidas de hífen (dá-la, qué-lo, trá-lo-ia);
  4. Com as vogais “A”, “E” e “O”, seguidas ou não de S. (chaminé, pés, cajá, platô).

Pronto! Agora já matamos a charada. O vocábulo platô é sim acentuado.

Ex: Em alguns locais, a curva de contaminação da Covid19 atingiu um platô.

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Usucapião, Usocapião ou Uso capião – qual a forma correta?

A grafia correta da expressão é usucapião, usocapião ou uso capião? Neste artigo, vamos mostrar como se escreve e qual a origem e o significado da palavra. Vejamos!

Como se escreve?

A forma correta é usucapião. A palavra tem origem no latim usucapio, que significa “adquirir pelo uso”.

De acordo com a Constituição Federal e o Código Civil, o termo indica a aquisição de determinado bem móvel ou imóvel por meio da posse pacífica e ininterrupta. Para que essa situação seja caracterizada, são necessários dois pré-requisitos básicos:

a) A posse, por um determinado lapso de tempo, do bem móvel ou imóvel;
b) A posse contínua e ininterrupta.

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Pézinho x Pezinho – tem acento?

O correto é pézinho ou pezinho? Devemos utilizar o acento agudo? Nesse artigo, vamos tirar essa dúvida e explicar as regras de acentuação aplicadas ao caso. Vamos lá!

Sílaba tônica

Antes de tudo, vamos relembrar as classificações das palavras conforme a sílaba tônica:

Antes de tudo, porém,  um lembrete:

OXÍTONA – Sílaba tônica é a última da palavra. Ex: picolé, chulé, chaminé.
PAROXÍTONA – Sílaba tônica é a penúltima da palavra. Ex: caráter, difícil, médio.
PROPAROXÍTONA – Sílaba tônica é a antepenúltima da palavra.
Ex: oxítona, médico, penúltima.

Identificar corretamente a sílaba mais forte é essencial para utilizar bem os acentos.

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Vir à tona x Vir a tona – qual a forma correta?

Afinal, o certo é vir a tona ou à tona? A locução tem ou não tem crase? Neste artigo, vamos tirar essa dúvida e explicar o sentido da expressão. Vamos lá!

Locução adverbial

Na língua portuguesa, todas as locuções formadas com núcleo feminino têm crase. É exatamente o caso de à tona, que é uma locução adverbial

Ex: Depois de muitos anos, a verdade finalmente veio à tona.

Outros exemplos de locuções formadas por palavras femininas e que recebem o acento grave são à capela, à caneta, à mão.

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Bandeide ou Band-Aid – como se escreve?

Como se escreve: band-aid ou bandeide?

O correto é bandeide ou band-aid? Neste artigo, vamos tirar essa dúvida e mostrar qual a origem dos termos. Vamos lá!

Duas formas

Ambas as grafias, band-aid e bandeide, estão corretas. A primeira se refere ao nome de origem do curativo adesivo. Já a segunda é a forma aportuguesada da palavra.

Vale ressaltar, contudo, que o termo bandeide não é registrado pelo Vocabulário Oficial da Língua Portuguesa (VOLP). Contudo, ele aparece em diversos dicionários, como Aurélio, Priberam e Aulette.

Marca

Band-Aid era originalmente o nome da marca de curativos adesivos que foi criada em 1920 por Earle Dickson, funcionário da empresa Jhonson & Jhonson.

Com a popularização, o termo passou a designar qualquer tipo de curativo que tivesse a capacidade adesiva, também conhecido como emplastro. Assim, o vocábulo também passou a ser escrito em letras minúsculas, pois perdeu a conexão direta com o substantivo próprio que lhe deu origem.

Quando ocorre esse fenômeno em que trocamos o nome do produto pelo da marca, temos a ocorrência de uma figura de linguagem chamada metonímia. Trata-se, de forma simplificada, da substituição de um termo por outro que esteja no mesmo campo de significação.

Confira nossa playlist completa sobre figuras de linguagem:

Estrangeirismo

As palavras estrangeiras podem ser incorporadas ao nosso vocabulário de duas maneiras: em sua forma original e por meio do aportuguesamento.

No caso dos vocábulos em análise, tivemos inicialmente a manutenção da grafia original (band-aid) e, mais recentemente, o advento da forma aportuguesada (bandeide).

Esse mesmo processo ocorreu com outros termos. Veja alguns exemplos abaixo:

Banco (bank), beisebol ou basebol (Baseball), basquete (basketball), bife (beef), blecaute (black-out), bangalô (bungalow), boxe (boxing), catchup (ketchup, também utilizada em sua grafia original),  cliclete (cliclet), clipe (clip), coquetel (cock-tall), debênture (debenture), escore (score), estresse (stress), esporte (sport), folclore (folklore), futebol (football), golfe (golf, também utilizada na grafia original), nailon (nylon), nocaute (knockout), piquenique (picnic), rali (rally), repórter (reporter), sanduíche (sandwich), suéter, (sweater), telefone (telephone), teste (test), tênis (tennis), time (team), uísque (whisky, também usada na grafia original), voleibol ou vôlei (volleyball), xampu (Shampoo, muitas vezes utilizada também na sua grafia original).

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Em torno x Entorno – qual a diferença?

A imagem mostra uma vizinhança de casas rodeadas pelo mar. Acima está escrito: em torno x entorno - qual a diferença.
Veja todos os significados de cada uma das expressões.

Tanto “em torno” quanto “entorno” existem. Contudo, as duas expressões têm significados diferentes. Neste artigo, vamos explicar quando usar cada uma. Vamos lá!

A principal diferença

Em torno de” ou “em torno a” é uma locução prepositiva que introduz um adjunto adverbial de lugar. Já “entorno” é um substantivo que indica “arredor”, “cercania” ou “área vizinha”.

Ex1: Na hora do almoço, a família sentava em torno da mesa.

Ex2: O entorno de Brasília é pouco conhecido.

Agora que você já conhece a principal distinção entre os termos, vamos analisar de forma mais aprofundada cada um deles e explorar outros significados.

Em torno

Como locução prepositiva, “em torno de” também pode significar aproximadamente.

Ex1: Na casa, moravam em torno de cinco pessoas.

Além disso, a expressão pode funcionar ainda como locução adverbial de lugar, sendo sinônima de “ao redor” ou “em volta”.

Ex2: Júlia parou o carro perto da igreja, olhou em torno, mas não viu nada suspeito.

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Assintomático x Pré-sintomático – qual a diferença?

Qual a diferença entre pré-sintomático e assintomático?
As palavras expressam dinâmicas distintas de aparecimento de sintomas

Com a pandemia de coronavírus, várias palavras entraram no nosso vocabulário cotidiano. Neste artigo, vamos falar de duas delas: assintomático e pré-sintomático.

Vamos mostrar a diferença entre os dois termos. Também analisaremos o processo de formação de cada um. Vamos lá!

Assintomático

É um adjetivo que indica alguém que não desenvolveu sintomas esperados de determinada doença em nenhum estágio após o contágio.

Também pode indicar uma moléstia que não gera sintomas (ex: doença assintomática).

A palavra é formada por derivação prefixal, com a junção do prefixo “a” – que indica oposição ou negação – com o adjetivo sintomático.

O termo recebe o acento agudo por ser uma proparoxítona, ou seja, por ter como tônica a antepenúltima sílaba.

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