Língua Portuguesa e Literatura

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Verbos nocionais e não nocionais – qual a diferença?

Na língua portuguesa, os verbos nocionais e não nocionais são aqueles que se relacionam com a predicação verbal, ou seja, são facilmente reconhecidos pela ligação que mantém com sujeito, verbo e seus complementos. Neste artigo, vamos explicar melhor este tema. Vejamos!

O que é núcleo do predicado?

Vamos relembrar: numa oração, tudo que está ao redor do sujeito é o predicado. Quando o predicado é verbal, o seu núcleo é um verbo que indica ação (exemplo: “Dormi mais tarde”). Esse verbo (dormi) é nocional e se relaciona com uma ação.

Quando o predicado é nominal, o seu núcleo é um substantivo ou um adjetivo, pois atribui qualidade ao sujeito (exemplo: “A menina foi compreensiva”). Esse estado do ser (foi compreensiva) é não nocional, pois não se relaciona com uma ação.

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Poemas de forma fixa – definição e exemplos

Os poemas de forma fixa são aqueles que se submetem a regras determinadas de combinação de versos, rimas e estrofes. Em outras palavras, são poemas que apresentam estrutura pré-definida.

Dentro do contexto dos gêneros literários, esses tipos de poema pertencem à categoria do gênero lírico. Além disso, em oposição aos poemas de forma fixa temos os poemas de forma livre, os quais apresentam versos livres e versos brancos.

Tipos e exemplos de poemas de forma fixa

Há uma grande variedade de poemas de forma fixa. Veja as principais a seguir.

Soneto

O soneto é o tipo de poema que merece destaque por sua importância em várias literaturas, inclusive na portuguesa e na brasileira. Foi criado no século XIV e apresenta duas variedades: o soneto italiano e o soneto inglês.

  1. Soneto italiano: é composto de quatorze versos, usualmente decassílabos ou alexandrinos, organizados em dois quartetos e dois tercetos. Como exemplo, podemos citar o soneto Remissão, de Carlos Drummond de Andrade:

Tua memória, pasto de poesia,

tua poesia, pasto dos vulgares,

vão se engastando numa coisa fria

a que tu chamas: vida, e seus pesares.

Mas, pesares de quê? perguntaria,

se esse travo de angústia nos cantares,

se o que dorme na base da elegia

vai correndo e secando pelos ares,

e nada resta, mesmo, do que escreves

e te forçou ao exílio das palavras,

senão contentamento de escrever,

enquanto o tempo, e suas formas breves

ou longas, que sutil interpretavas,

se evapora no fundo do teu ser?

  1. Soneto inglês: também é composto de quatorze versos, no entanto, eles são organizados em três quartetos e um dístico final, sendo escritos sem espaçamento. Para exemplificar, temos o Soneto Inglês n° 2, de Manuel Bandeira:

Aceitar o castigo imerecido,

Não por fraqueza, mas por altivez.

No tormento mais fundo o teu gemido

Trocar num grito de ódio a quem o fez.

As delícias da carne e pensamento

Com que o instinto da espécie nos engana,

Sobpor ao generoso sentimento

De uma afeição mais simplesmente humana.

Não tremer de esperança e nem de espanto.

Nada pedir nem desejar, senão

A coragem de ser um novo santo

Sem fé num mundo além do mundo. E então

Morrer sem uma lágrima, que a vida

Não vale a pena e a dor de ser vivida.

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Objeto direto preposicionado x Objeto indireto: como diferenciar?

Na gramática, os complementos verbais são aqueles cuja função é a de complementar o sentido de determinados verbos. Objeto direto e objeto indireto são exemplos de complementos verbais. 

O objeto direto complementa um verbo transitivo direto, sem a preposição, como nos exemplos a seguir:

  • Maria ama João. 
  • Ele vendia doces.
  • Adoramos o cabelo dela.

O objeto indireto complementa um verbo transitivo indireto, com a preposição, como nos exemplos a seguir:

  • Maria gosta do João.
  • Pedro precisa da sua ajuda.
  • Necessito de água.

Há casos, porém, em que temos o objeto direto preposicionado, mas, antes de chegarmos a ele, vamos a uma explicação detalhada sobre como diferenciar objeto direto e objeto indireto.

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Homeschooling: 5 metodologias para ensinar língua portuguesa

O homeschooling (educação domiciliar) é um movimento que tem crescido cada dia mais no Brasil. Por isso, neste artigo, vamos mostrar 5 metodologias que os pais podem seguir para ensinar a língua portuguesa em casa para seus filhos. Vejamos!

1) Tradicional

A metodologia tradicional é a mais conhecida, porque é a que espelha o modelo das escolas em geral. Nela, os pais trabalham com um livro didático e, depois da leitura da teoria, a criança resolve alguns exercícios.

Nessa linha, o foco principal é a memorização dos conteúdos, com o objetivo de conseguir bons resultados em provas e avaliações de modo geral.

A maioria dos pais, por já terem passado por escolas formais (por terem sido “escolarizados”), inicia o processo de homeschooling por este método.

2) Clássica

A metodologia clássica é baseada no Trivium, trata-se do modelo utilizado nas universidades da Idade Média e que visa estimular o domínio da linguagem por meio do ensino de três artes liberais: gramática, lógica e retórica.

Na primeira etapa (dos 5 aos 10 anos), as crianças vão trabalhar a gramática. O processo tem um foco grande no desenvolvimento da memória e do entendimento das estruturas da língua.

Na segunda etapa (dos 10 aos 14 anos), trabalha-se a lógica. O objetivo é o estudante aprender a resgatar o conhecimento e a utilizá-lo de forma coerente para compreender a realidade que o cerca, identificando argumentos válidos e inválidos.

Na terceira etapa (a partir dos 14 anos), o adolescente começa a estudar a arte da retórica. Nesse momento, a ideia é que ele aprenda a argumentar e a expressar suas ideias por meio da escrita e da fala.

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Cruzamento sintático: o que é e como evitar?

Na sintaxe da língua portuguesa, cruzamento sintático é o fenômeno que pode ser ou não um vício de linguagem. Neste artigo, vamos explicar melhor este conceito. Vejamos!

O que é cruzamento sintático?

O cruzamento sintático ocorre quando duas construções linguísticas, no lugar de trazer clareza, causam confusão no recebimento da mensagem.

Vejamos alguns exemplos:

  • Ela gosta de dançar e principalmente de música. (A confusão é: se ela gosta de dançar, naturalmente, será ao som de música. A segunda oração não contribui para a compreensão porque cruza informações);
  • Fiquei irritada naquele lugar tanto porque a música era ruim mas também porque eu não conhecia ninguém. (Aqui, surge a necessidade de paralelismo para equilibrar a oração, pois “tanto” pressupõe que se use em seguida “quanto”).

Quando os pares não são respeitados e a estruturação oracional é comprometida, a harmonia do texto é prejudicada. É importante ficar atento, pois os cruzamentos sintáticos podem também afetar a regência de alguns verbos. 

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Crase antes de essa – tem ou não tem?

Não se deve usar crase antes de “essa”, tampouco antes de alguns outros pronomes demonstrativos. Neste artigo, vamos explicar o porquê. Vejamos!

Crase

Primeiramente, é importante lembrarmos o que é a crase. 

A palavra crase vem do termo grego krâsis, que significa “mistura” ou “fusão de sons”. E é justamente esta sua função: fundir duas vogais “a” que se encontram em uma oração.

Em geral, isso ocorre em três situações:

  1. encontro da preposição “a” com os artigos definidos “a” ou “as”;
  2. encontro do pronome demonstrativo “a” com a preposição “a”;
  3. encontro dos pronomes demonstrativos “aquilo”, “aquele” e “aquela” com a preposição “a”.

Nestes casos, o acento grave deve ser inserido em cima da letra “a”.

Pronomes demonstrativos

Já os pronomes demonstrativos, como é o caso do termo “essa”, servem para apontar a distância (física ou temporal) entre algo e alguém dentro do mesmo discurso. 

Exemplos

  • Pronomes demonstrativos invariáveis: aquilo, isso e isto;
  • Pronomes demonstrativos variáveis: essa, esta, essas, estas, esse, este, esses, estes, aquela, aquele, aquela, aqueles e aquelas;
  • Pronomes demonstrativos eventuais: mesmo, mesmos, mesma, mesmas, semelhante, semelhantes, tal e tais, própria, próprias, próprio, próprios.
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Qual o plural de cachorro-quente?

Qual o plural de cachorro-quente

O plural de cachorro-quente é cachorros-quentes. Neste artigo, vamos explicar qual regra se aplica a este caso. Vejamos!

Plural dos substantivos compostos

Quando os termos compostos são formados pela união de um substantivo com um adjetivo, ambos os termos devem ir para o plural. É exatamente o caso de cachorro-quente (substantivo “cachorro” + adjetivo “quente”). Vejamos outros vocábulos que seguem essa mesma regra:

  • Cachorro-quente – Cachorros-quentes;
  • Guarda-noturno – Guardas-noturnos;
  • Gentil-homem – Gentis-homens;
  • Cavalo-marinho – Cavalos-marinhos.
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Caqui x Cáqui – qual a diferença?

Tanto caqui quanto cáqui são palavras que existem na língua portuguesa. Elas, contudo, têm significados bem distintos. Neste artigo, vamos mostrar quando e como utilizar cada um dos termos. Vejamos! 

Caqui – quando usar?

Caqui, sem o acento agudo na primeira sílaba, é um substantivo masculino que faz referência a uma fruta avermelhada de sabor doce, originada do caquizeiro. 

Trata-se de uma palavra oxítona (a última sílaba é a tônica), que tem origem da palavra japonesa kaki. Veja alguns exemplos com o uso dela:

  • O caqui é uma fruta bem doce, rica em ferro, proteína e cálcio.
  • Gosto muito de comer caqui durante o dia.
  • No Brasil, temos uma plantação enorme de caqui.
  • Meus filhos amam comer caqui
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Siso x Ciso – qual a forma correta?

Siso ou ciso? A forma correta é siso, com “s”. Neste artigo, vamos explicar por que a palavra se escreve com “s”, e não com “c”. Vejamos!

O que é siso?

O siso, também chamado de dente do juízo, localiza-se atrás de todos os outros, isto é, em cada uma das quatro extremidades da boca (2 superiores e 2 inferiores), sendo o último dente a nascer. 

Uma curiosidade a respeito dele é que algumas pessoas não têm esse dente; em outras, ele nem chega a nascer, ficando contido na gengiva.

Por que siso, e não ciso?

Porque a palavra siso tem sua origem na palavra latina “sensus”, que começa com a letra “s”. Logo, “siso” também se inicia com “s” e não com “c”.

As consoantes “s” e “c” partilham o mesmo fonema quando seguidas das vogais “e” e “i (“ci” e “si” têm pronúncias idênticas), assim como “ce” e “se”.

Porém, não existem regras que determinam quando deve ser empregado “s” ou “c”. A forma correta está sempre associada à origem da palavra.

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Depilação a laser ou à laser – tem crase?

A forma correta é “depilação a laser“, sem crase. Neste artigo, vamos explicar por que não devemos utilizar o acento grave com essa expressão. Vejamos!

Crase

Primeiramente, vamos relembrar o que é a crase. Ela consiste na contração de duas vogais iguais e é representada pelo acento grave.

A contratação mais comum é a da preposição “a” com o artigo definido feminino “a”.

  • a + a = à.

Para que a crase ocorra, é preciso que a preposição “a” e o artigo definido feminino “a”, indicativo de uma palavra feminina, apareçam ao mesmo tempo.

Exemplos

  • Fomos à escola.
  • Vou à praça.
  • Iremos à agência bancária.
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