Por Pedro Valadares

Autor: admin (Page 2 of 44)

Pézinho x Pezinho – tem acento?

O correto é pézinho ou pezinho? Devemos utilizar o acento agudo? Nesse artigo, vamos tirar essa dúvida e explicar as regras de acentuação aplicadas ao caso. Vamos lá!

Sílaba tônica

Antes de tudo, vamos relembrar as classificações das palavras conforme a sílaba tônica:

Antes de tudo, porém,  um lembrete:

OXÍTONA – Sílaba tônica é a última da palavra. Ex: picolé, chulé, chaminé.
PAROXÍTONA – Sílaba tônica é a penúltima da palavra. Ex: caráter, difícil, médio.
PROPAROXÍTONA – Sílaba tônica é a antepenúltima da palavra.
Ex: oxítona, médico, penúltima.

Identificar corretamente a sílaba mais forte é essencial para utilizar bem os acentos.

Continue reading

Vir à tona x Vir a tona – qual a forma correta?

Afinal, o certo é vir a tona ou à tona? A locução tem ou não tem crase? Neste artigo, vamos tirar essa dúvida e explicar o sentido da expressão. Vamos lá!

Locução adverbial

Na língua portuguesa, todas as locuções formadas com núcleo feminino têm crase. É exatamente o caso de à tona, que é uma locução adverbial

Ex: Depois de muitos anos, a verdade finalmente veio à tona.

Outros exemplos de locuções formadas por palavras femininas e que recebem o acento grave são à capela, à caneta, à mão.

Continue reading

Bandeide ou Band-Aid – como se escreve?

Como se escreve: band-aid ou bandeide?

O correto é bandeide ou band-aid? Neste artigo, vamos tirar essa dúvida e mostrar qual a origem dos termos. Vamos lá!

Duas formas

Ambas as grafias, band-aid e bandeide, estão corretas. A primeira se refere ao nome de origem do curativo adesivo. Já a segunda é a forma aportuguesada da palavra.

Vale ressaltar, contudo, que o termo bandeide não é registrado pelo Vocabulário Oficial da Língua Portuguesa (VOLP). Contudo, ele aparece em diversos dicionários, como Aurélio, Priberam e Aulette.

Marca

Band-Aid era originalmente o nome da marca de curativos adesivos que foi criada em 1920 por Earle Dickson, funcionário da empresa Jhonson & Jhonson.

Com a popularização, o termo passou a designar qualquer tipo de curativo que tivesse a capacidade adesiva, também conhecido como emplastro. Assim, o vocábulo também passou a ser escrito em letras minúsculas, pois perdeu a conexão direta com o substantivo próprio que lhe deu origem.

Quando ocorre esse fenômeno em que trocamos o nome do produto pelo da marca, temos a ocorrência de uma figura de linguagem chamada metonímia. Trata-se, de forma simplificada, da substituição de um termo por outro que esteja no mesmo campo de significação.

Confira nossa playlist completa sobre figuras de linguagem:

Estrangeirismo

As palavras estrangeiras podem ser incorporadas ao nosso vocabulário de duas maneiras: em sua forma original e por meio do aportuguesamento.

No caso dos vocábulos em análise, tivemos inicialmente a manutenção da grafia original (band-aid) e, mais recentemente, o advento da forma aportuguesada (bandeide).

Esse mesmo processo ocorreu com outros termos. Veja alguns exemplos abaixo:

Banco (bank), beisebol ou basebol (Baseball), basquete (basketball), bife (beef), blecaute (black-out), bangalô (bungalow), boxe (boxing), catchup (ketchup, também utilizada em sua grafia original),  cliclete (cliclet), clipe (clip), coquetel (cock-tall), debênture (debenture), escore (score), estresse (stress), esporte (sport), folclore (folklore), futebol (football), golfe (golf, também utilizada na grafia original), nailon (nylon), nocaute (knockout), piquenique (picnic), rali (rally), repórter (reporter), sanduíche (sandwich), suéter, (sweater), telefone (telephone), teste (test), tênis (tennis), time (team), uísque (whisky, também usada na grafia original), voleibol ou vôlei (volleyball), xampu (Shampoo, muitas vezes utilizada também na sua grafia original).

Inscreva-se para fazer parte do clube de português gratuitamente e receber dicas para te deixar afiado na língua (link para um nova página do site) .

Em torno x Entorno – qual a diferença?

A imagem mostra uma vizinhança de casas rodeadas pelo mar. Acima está escrito: em torno x entorno - qual a diferença.
Veja todos os significados de cada uma das expressões.

Tanto “em torno” quanto “entorno” existem. Contudo, as duas expressões têm significados diferentes. Neste artigo, vamos explicar quando usar cada uma. Vamos lá!

A principal diferença

Em torno de” ou “em torno a” é uma locução prepositiva que introduz um adjunto adverbial de lugar. Já “entorno” é um substantivo que indica “arredor”, “cercania” ou “área vizinha”.

Ex1: Na hora do almoço, a família sentava em torno da mesa.

Ex2: O entorno de Brasília é pouco conhecido.

Agora que você já conhece a principal distinção entre os termos, vamos analisar de forma mais aprofundada cada um deles e explorar outros significados.

Em torno

Como locução prepositiva, “em torno de” também pode significar aproximadamente.

Ex1: Na casa, moravam em torno de cinco pessoas.

Além disso, a expressão pode funcionar ainda como locução adverbial de lugar, sendo sinônima de “ao redor” ou “em volta”.

Ex2: Júlia parou o carro perto da igreja, olhou em torno, mas não viu nada suspeito.

Continue reading

Assintomático x Pré-sintomático – qual a diferença?

Qual a diferença entre pré-sintomático e assintomático?
As palavras expressam dinâmicas distintas de aparecimento de sintomas

Com a pandemia de coronavírus, várias palavras entraram no nosso vocabulário cotidiano. Neste artigo, vamos falar de duas delas: assintomático e pré-sintomático.

Vamos mostrar a diferença entre os dois termos. Também analisaremos o processo de formação de cada um. Vamos lá!

Assintomático

É um adjetivo que indica alguém que não desenvolveu sintomas esperados de determinada doença em nenhum estágio após o contágio.

Também pode indicar uma moléstia que não gera sintomas (ex: doença assintomática).

A palavra é formada por derivação prefixal, com a junção do prefixo “a” – que indica oposição ou negação – com o adjetivo sintomático.

O termo recebe o acento agudo por ser uma proparoxítona, ou seja, por ter como tônica a antepenúltima sílaba.

Continue reading

Islamita, islamista e islâmico – qual a diferença?

A imagem mostra um palácio islâmico. Abaixo está escrito: islamita, islamista, islâmico - qual a diferença?

Na língua portuguesa, muitas vezes, pequenas mudanças podem alterar totalmente o sentido de um palavra. É o que acontece com o termos islamita, islamista e islâmico.

Neste artigo, vamos explicar o significado de cada um deles e quando usá-los. Também vamos abordar os debates sociológicos que envolvem esses vocábulos. Vejamos!

Islamita x Islamista

Segundo o dicionário Hoauiss, islamita é “seguidor do islamismo, maometano, muçulmano”.

O termo islamista é considerado por alguns dicionaristas como sinônimo de islamita. Há, contudo, um aspecto histórico e social que vem gerando uma diferenciação entre essas duas palavras.

De acordo com estudiosos do islã, como Abdoolkarim Vakil e Margarida Santos Lopes, islamita designa aqueles que seguem o islã como fé.

Em contrapartida, islamista indica as pessoas que usam a religião como arma política e para fazer terrorismo.

De acordo com os pesquisadores, essa distinção de sentido surge em um contexto no qual se vê um crescimento acelerado da islamofobia, ou seja, da rejeição às pessoas que seguem a fé islâmica.

Assim, faz-se necessário adotar termos diferentes para separar a maioria pacífica dos radicais terroristas.

Essa caso demonstra como as palavras carregam em si uma carga de significado que pode se modificar de acordo com o contexto sócio-histórico. É o que chamamos de alteração semântica.

Destaca-se que essa discriminação entre os dois vocábulos é mais fortemente adotada em Portugal do que no Brasil.

Continue reading

7 lições que aprendi em dez anos como produtor e revisor de conteúdo

A imagem mostra uma caneta tinteira. Ao lado está escrito: 7 dicas sobre produção e revisão de textos.

Trabalho como revisor e produtor de textos há mais de uma década. Nessa jornada, deparei-me com as mais diferentes situações e com vários tipos e formatos de conteúdos.

Isso me trouxe várias lições. Neste artigo, vou compartilhar 7 delas com você. Vamos lá!

1) Mais precisão, menos floreio

Existe uma regra de ouro em bons textos: eles são precisos.

Isso foi algo que demorei a perceber. Antes, eu achava que uma escrita cheia de ideias subjetivas me faria parecer mais inteligente.

Foi quando li o livro “Como escrever bem” do William Zinsser. Lá, ele mostra a importância dos termos concretos nos textos de não ficção.

Por exemplo, se queremos dizer que uma montanha é alta, ao invés de falar que ela é um gigante de pedra, é mais assertivo dizer que do chão você não consegue enxergar o pico.

O segundo caso trará uma referência mais clara para o leitor que primeiro.

E essa deve ser a meta de qualquer bom conteudista: passar a informação da forma mais direta possível. Só assim é que se cria uma conexão real com seu público. 

Usar figuras de linguagem e artifícios poéticos é como andar na corda bamba. Se você chega do outro lado, é lindo. Mas se algo dá errado, o tombo é feio. Muito feio. Eu levei muito tempo para aprender essa lição. 

Isso com certeza me fez falar sozinho mais vezes do que eu gostaria de admitir.

Continue reading

Caixa-preta x Caixa preta – qual a diferença?

A imagem mostra um avião. Em cima, está escrito: caixa-preta ou caixa preta: qual a forma correta?

O que tem dentro de um avião é uma caixa preta ou uma caixa-preta? Neste artigo, vamos tirar essa dúvida e explicar a diferença entre as duas expressões. Vejamos!

Caixa-preta

A expressão caixa-preta, com hífen, indica o sistema de registro de voz e dados dos aviões, que é muito utilizado para desvendar as causas de acidentes aéreos.

Ex: Os bombeiros encontram a caixa-preta da aeronave.

Nesse caso, estamos diante de um substantivo composto formado por justaposição. Isso ocorre quando a união de duas palavras dá origem a um novo vocábulo com significado distinto.

Nessa situação, o hífen é obrigatório, como ocorre em outros termos como: saia-justa, abaixo-assinado, beija-flor, arco-íris, couve-flor, entre outros.

Continue reading

Fonética articulatória, acústica e auditiva – qual a diferença?

A imagem mostra uma menina e um robô e simboliza como os conceitos de fonética articulatória, acústica e auditiva vêm sendo usados no campo da inteligência artifical.
Esses conceitos vêm sendo usados no campo da Inteligência Artificial

A fonética é o campo da gramática que, segundo o professor Napoleão Mendes de Almeida, estuda os vários sons ou fonemas linguísticos.

Ela se divide em três áreas: articulatória, acústica e auditiva. Neste artigo, você vai entender cada uma delas. Vamos lá!

1) Fonética articulatória

Esse ramo da fonética estuda como os sons são produzidos no aparelho fonador (veja imagem abaixo):

A imagem mostra um aparelho fonador do corpo humano.

Antes de avançarmos com as explicações, é importante diferenciar dois conceitos: voz e fala.

Segundo, Izabel Seara, Vanessa Nunes e Cristiane Lazzarotto-Volcão, a voz pode ser definida como o som produzido a partir da vibração das pregas vocais. Já a fala é o resultado da articulação desse som.

Dito isso, vale destacar que esse segmento busca avaliar as propriedades articulatórias, que, segundo Markus Dicknson, Chris Brew e Detmar Meurers, são três:

Continue reading

Pé-de-meia x Pé de meia – tem hífen?

A imagem mostra uma meia cheia de moedas. Em cima há uma tarja preta, onde está escrito: "pé-de-meia x pé de meia: qual a forma correta"?

Afinal, o correto é pé de meia ou pé-de-meia? As duas formas são possíveis na língua portuguesa, mas têm significados distintos. Neste artigo, vamos explicar quando usar cada uma. Vejamos!

Pé-de-meia

Quando a expressão indica um dinheiro que uma pessoa tem guardado, uma poupança, ela tem hífen.

Ex: Estou fazendo um pé-de-meia para a minha aposentadoria.

Trata-se de uma exceção à regra trazida pelo Acordo Ortográfico. A Base XV da Reforma (que trata do uso do hífen em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares) diz que:

Nas locuções de qualquer tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais, não se emprega em geral o hífen.

Ponto 6 da Base xv do acordo ortográfico de 1990.

Marquei o “em geral” ali exatamente para mostrar que há casos que fogem a essa regra. Além de pé-de-meia, temos as seguintes exceções, que, segundo o documento, são casos consagrados pelo uso:

  • arco-da-velha;
  • mais-que-perfeito;
  • cor-de-rosa;
  • água-de-colônia.

Também continuam com hífen as locuções que representam espécies botânicas e zoológicas: cana-de-açúcar, mico-leão-dourado, pimenta-do-reino, peixe-boi, entre outras.

As demais locuções seguem a regra geral. É por isso, por exemplo, que pé de moleque perdeu o hífen.

Continue reading
« Older posts Newer posts »

© 2020 Clube do Português

Theme by Anders NorenUp ↑