Língua Portuguesa, Literatura e Alfabetização

Categoria: Estilística e semântica (Page 1 of 3)

Os artigos reunidos nesta categoria abordam os temas da estilística e da semântica.

A estilística é a parte dos estudos da linguagem que preocupa-se com o estilo da escrita. Esse campo aborda principalmente as figuras e os vícios de linguagem.

Já a semântica é a parte dos estudos linguísticos que aborda o significado das palavras, tratando de fenômenos como a polissemia, a homonímia, a transição semântica, entre outros.

Estrofe – conceito e classificações

Estrofe, também chamada de estança ou estância, é cada um dos conjuntos de versos em que se divide um poema. Os versos, por sua vez, consistem em cada linha desse gênero textual.

Tanto o verso quanto a estrofe são elementos obrigatórios do poema, diferentemente da rima, elemento estético que pode ou não aparecer.

Verso x estrofe

Para compreender bem a distinção entre verso e estrofe, tome como exemplo o poema abaixo, de Mario Quintana. 

Canção de outono

Mario Quintana

(1ª estrofe)

O outono toca realejo

No pátio da minha vida.

Velha canção, sempre a mesma,

Sob a vidraça descida…

(2ª estrofe)

Tristeza? Encanto? Desejo?

Como é possível sabê-lo?

Um gozo incerto e dorido

De carícia a contrapelo…

(3ª estrofe)

Partir, ó alma, que dizes?

Colher as horas, em suma…

Mas os caminhos do Outono

Vão dar em parte nenhuma!

Acompanhe a análise:

– Cada linha desse texto é um verso, portanto o poema apresenta ao todo 12 versos;

– Agora, perceba como o texto está dividido em três partes iguais. São essas partes que chamamos de estrofe, logo o poema apresenta 3 estrofes ao todo;

– Como cada estrofe contém 4 versos, elas são classificadas como quartetos ou quadras

Conheça todas as classificações das estrofes a seguir.

Classificação das estrofes

As estrofes podem apresentar dois tipos de classificações: classificação de acordo com a medida do verso e classificação de acordo com o número de versos agrupados em cada estrofe. Veja:

  1. Classificação de acordo com a medida do verso:
  1. Estrofes simples: quando o poema é composto de versos que possuem a mesma medida (monossílabo, dissílabo, trissílabo, tetrassílabo etc.). 
  2. Estrofes compostas: quando o poema agrupa versos de medidas diferentes.
  3. Estrofes livres: quando o poema agrupa versos sem nenhum rigor métrico.
  1. Classificação de acordo com o número de versos em cada estrofe:

O número de versos agrupados em cada estrofe de um poema pode variar. Dessa forma, temos a seguinte classificação das estrofes quanto ao número de versos:

1 verso: monóstico;

2 versos: dístico ou parelha;

3 versos: terceto ou trístico;

4 versos: quarteto ou quadra;

5 versos: quintilha, quinteto ou pentástico;

6 versos: sexteto, sextilha ou hexástico;

7 versos: sétima, septilha, septena, hepteto ou heptástico;

8 versos: oitava ou octástico;

9 versos: nona;

10 versos: décima ou década;

Mais de 10 versos: estrofe irregular ou bárbara.

O soneto italiano

Uma das estruturas mais famosas de poema é a do soneto italiano, um tipo de poema de forma fixa.

A estrutura do soneto italiano é constituída por catorze versos, sendo que eles se dividem em quatro estrofes, das quais duas delas são quartetos e duas são tercetos. Observe o exemplo:

Amar!

Florbela Espanca

Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar: Aqui… além…

Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente

Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…

Prender ou desprender? É mal? É bem?

Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida, 

Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar! 

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada 

Que seja a minha noite uma alvorada, 

Que me saiba perder… pra me encontrar… 

Análise:

O soneto de Florbela Espanca apresenta:

14 versos;

4 estrofes: sendo dois quartetos (as duas primeiras estrofes) e dois tercetos (as duas últimas estrofes); 

estrofes simples: todos os versos são decassílabos, ou seja, apresentam 10 sílabas métricas cada um.

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Gostou do artigo? Então, continue seus estudos com o nosso Guia da Literatura.

Classificação das rimas – tipos, característica e exemplos

Na literatura, muitos poemas contam com um recurso estilístico e fonético denominado rima. A rima é a igualdade ou semelhança de sons vocais ou consonantais no fim ou no meio das palavras e ocorre a partir da sua última vogal tônica.

Apesar de não ser um elemento obrigatório nos versos, a rima é muito utilizada pelos poetas por ser um recurso sonoro agradável aos ouvidos. Mas para que esse objetivo seja atingido, os grandes poetas, normalmente, seguem algumas estratégias de aplicação.

Dessa forma, de acordo com a posição, a sonoridade e ao valor da rima, ela terá um tipo de classificação. Confira todas a seguir.

Neste artigo, vamos falar sobre:

  1. Classificação da rima quanto à posição no verso
  2. Classificação da rima quanto à posição na estrofe
  3. Classificação da rima quanto à fonética
  4. Classificação da rima quanto ao acento tônico
  5. Classificação da rima quanto ao valor
  6. Resumo de todas as classificações

1) Classificação da rima quanto à posição no verso

De acordo com a posição da rima no verso, ela pode ser:

  1. final: quando a última palavra de um verso rima com a última palavra de um verso posterior.
  2. interna: quando a última palavra de um verso rima com uma palavra no interior do verso seguinte. 

Em Aventura Meridiana, de António Feliciano de Castilho, podemos observar a presença desses dois tipos de rima:

“Era na estiva quadra! Intenso meio-dia 

Pedia um respirar

No meio do meu peito 

Me deito a descansar

Janela entreaberta, esquiva ao sol fogoso

Repouso ali mantém

Luz como a de espessura 

Escura ao quarto vem”.

Em cada uma das estrofes acima, as rimas se posicionam assim:

– o final do 1º verso rima com a 2ª sílaba do 2° verso (dia-pedia / fogoso-repouso). Ou seja, a rima é interna.

– o final do 2° verso rima com o final do 4° verso (respirar-descansar / mantém-vem). Ou seja, a rima é final;

– o final do 3° verso rima com a 2ª sílaba do 4° verso (peito-deito / espessura-escura). Nessa caso, a rima também é interna.

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“Grande maioria” é pleonasmo vicioso?

A expressão “grande maioria” não é considerada um pleonasmo vicioso. Neste artigo, vamos explicar por que o uso dessa construção é totalmente legítimo na língua portuguesa. Vejamos!

Toda maioria é grande?

A palavra maioria é um substantivo feminino que indica a maior parte de um grupo. Um ponto importante a se observar é que existe uma gradação no tamanho de uma maioria.

Para entender melhor essa situação, vamos imaginar uma eleição com dois candidatos. No primeiro cenário, o eleito conquistou 51% dos votos e o perdedor ficou com os outros 49%.

Perceba que estamos diante de uma diferença de apenas dois pontos percentuais. Isso significa que o vencedor recebeu o apoio de uma pequena maioria.

Agora vamos supor que, nesse mesmo pleito, o candidato eleito recebesse 95% dos votos, contra apenas 5% do opositor. Aqui podemos afirmar, sem medo, que o vencedor teria conquistado uma grande maioria.

Percebeu como o uso do adjetivo “grande” não é redundante. Ele acrescenta uma informação importante ao substantivo “maioria”, que nos permite captar detalhes da situação descrita.

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Estilística – definição e campos de estudo

Estilística é a parte da linguística que estuda o aspecto estético e emocional da linguagem, ou seja, trata do uso criativo da língua. Seu uso é muito comum nas conversas do dia a dia e nos textos literários, contextos que costumam ser mais informais, sem compromisso estrito com a norma culta.

O jogo de palavras praticado pela estilística atém-se fortemente ao uso da linguagem conotativa e das figuras de linguagem, mas não só isso. Ela consegue passear por todos os campos da linguagem, como veremos a seguir.

Estilística semântica

A estilística semântica explora os diversos sentidos que as palavras podem ter. Os principais recursos utilizados dentro desse campo são:

– linguagem conotativa (figurada)

– sinônimos e antônimos

– polissemia

– ambiguidade

– intertextualidade

E as figuras de palavras (ou semânticas):

– metáfora

– comparação

– metonímia

– catacrese

– perífrase (antonomásia)

– sinestesia

Além das figuras de pensamento:

– antítese

– paradoxo (oxímoro)

– hipérbole

– gradação

– eufemismo

– ironia

– prosopopeia (personificação)

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Semântica – definição e campos de estudo

Semântica é um ramo da linguística que trata da significação das palavras, as quais podem estar isoladas ou contextualizadas.

Quando estão isoladas, as palavras apresentam um significado primário, aquele que encontramos no dicionário. Por outro lado, a depender do contexto em que estão inseridas, as palavras podem apresentar vários sentidos secundários.

Ao escutarmos a palavra gato, por exemplo, logo nos vêm à cabeça um animal doméstico da família dos felídeos. Mas se falamos que um certo homem é um gato ou que alguém fez um gato, essa palavra passa a apresentar sentidos secundários, tais como bonito e ligação elétrica irregular, respectivamente.

Dessa forma, de acordo com a significação, as palavras podem apresentar distintas classificações. Vejamos todas a seguir.

Denotação

Denotação trata do significado primário da palavra. Isto é, uma palavra em seu sentido denotativo deve ser interpretada de forma literal.

– Ganhei um cachorro lindo dos meus pais. (cachorro = animal)

– A massa do bolo ficou muito mole. (mole = flácida)

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Métrica: como contar sílabas poéticas?

Chamamos de métrica ou escansão o método utilizado na contagem de sílabas poéticas. Portanto, fazer a metrificação ou a escansão de um verso é determinar-lhe o tamanho.

No entanto, existem diferenças entre a contagem tradicional de sílabas, aquela que se aprende na alfabetização, para a metrificação de versos. Na contagem de sílabas poéticas, a sonoridade das palavras é o que mais importa, por isso recomenda-se conhecimento básico de fonologia.

A seguir, conheça as regras de metrificação e perceba como é fácil fazê-la.

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Ambiguidade – o que é e como evitar

A ambiguidade, também chamada de anfibologia, consiste na dupla possibilidade de interpretação de uma palavra, de uma expressão ou de todo um texto. Popularmente, recebe o nome de “duplo sentido” e pode ser causada de forma intencional ou não. 

Quando a ambiguidade é proposital e tem finalidade estilística, é considerada uma figura de linguagem de palavra e de construção. Mas quando a ambiguidade é consequência da má escolha de palavras ou da posição em que as palavras se encontram na frase, é caracterizada como um vício de linguagem e deve ser evitada.

Exemplo de ambiguidade como figura de linguagem:

– “Quem come um pede bis.” 

Nesse antigo slogan da Bis, tradicional marca de chocolate wafer, o substantivo comum bis, que significa repetição, gera ambiguidade na frase por ser homônimo perfeito do nome da marca. Logo o slogan tem a intencionalidade de mostrar que os que provam um chocolate da marca Bis, pedem bis, ou seja, pedem para comer de novo, insinuando a boa qualidade do produto.

Nos casos em que a ambiguidade resulta do duplo sentido de uma palavra, ela é chamada de ambiguidade lexical

Exemplo de ambiguidade como vício de linguagem:

– A tia levou a criança para sua casa. 

Aqui já não é possível saber se a casa é da tia ou da criança devido ao mau uso do pronome possessivo.

Em casos como esse, em que a ambiguidade resulta da forma como a frase foi construída, ela é chamada de ambiguidade estrutural.

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Intertextualidade: conceito, classificações e tipos

Intertextualidade é um conceito que indica a relação entre vários textos. Ela acontece quando um autor usa referências de outras produções textuais. Isso pode ocorrer de forma explícita ou implícita.

Neste artigo, vamos detalhar esse tema e apresentar as categorias e tipos de intertextualidade. Vejamos!

Classificações da intertextualidade

A intertextualidade é dividia em duas categorias: explícita e implícita. Assim, vamos entender melhor as característica de cada um desses grupos.

Intertextualidade explícita

A modalidade explícita é aquela em que fica claro para o leitor a referência que o autor está utilizando em seu texto.

Um exemplo são as citações, que, em geral, são marcadas pelas aspas. Dessa forma, estabelece-se uma relação direta e nítida com o texto-fonte.

As principais característica dessa categoria são:

  • Fácil identificação da intertextualidade por parte do leitor;
  • Não necessidade de conhecimento prévio;
  • Relação direta com o texto original.

Intertextualidade implícita

Em contrapartida, a modalidade implícita é mais sutil. Ela envolve uma referência indireta ao texto-fonte, o que exige do leitor uma bagagem cultural maior para compreender a relação entre os textos.

Um exemplo são as alusões, que aparecem na produção textual de forma apenas sugerida, mas sem explicitação da origem.

As principais característica dessa categoria são:

  • Difícil identificação da intertextualidade por parte do leitor;
  • Necessidade de conhecimento prévio;
  • Relação indireta com o texto original.
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Hipertexto – o que é isso?

Hipertexto é uma forma não linear de escrita e leitura, que coloca o leitor como protagonista na construção interativa de textos. Neste artigo, vamos detalhar esse conceito. Vejamos!

Linguística e Tecnologia

Quando o computador ainda era um objeto raro na vida das pessoas, o filósofo e sociólogo americano Theodor H. Nelson criou o conceito de hipertexto, lá na década de 60.

Segundo o pesquisador, hipertexto são “escritas associadas não sequenciais, conexões possíveis de se seguir, oportunidades de leitura em diferentes direções”.

O exemplo mais claro disso são os links e hiperlinks que encontramos nos textos da internet. Eles permitem a criação de uma rede de informações que dá origem a uma experiência de leitura que pode seguir por diferentes caminhos de maneira não hierarquizada.

Nesse contexto, há o empoderamento tanto do leitor quanto do autor e a possibilidade de trabalhar com diferentes níveis de aprofundamento. Você pode, por exemplo, escolher uma leitura rápida e superficial, mas pode também optar por navegar por diferentes fontes para explorar até os mínimos detalhes de determinado tema.

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Holonímia x Meronímia – qual a diferença?

Holonímia e meronímia são dois conceitos relacionados à hierarquia semântica. Eles estabelecem uma relação de parte e todo entre palavras. Neste artigo, vamos detalhar melhor esse dois termos. Vejamos!

Holonímia

De acordo com o Dicionário Terminológico, na holonímia, há uma relação entre palavras em que o significado de uma (holônimo) refere-se a um todo do qual a outra (merônimo) é parte constituinte.

Para entender melhor esse conceito, vejamos alguns exemplos:

  • Carro x Parabrisa – a palavra carro estabelece uma relação de holonímia com a palavra parabrisa.
  • Casa x Quarto – a palavra casa estabelece uma relação de holonímia com a palavra quarto.
  • Rosto x Nariz – a palavra rosto estabelece uma relação de holonímia com a palavra nariz.
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