Por Pedro Valadares

Categoria: Literatura (Page 1 of 2)

Literatura fantástica – origem, autores e obras

A literatura fantástica é um gênero literário cujo enredo é caracterizado pela transcendência do real, pois apresenta elementos sobrenaturais que se misturam à realidade.

Em sua origem, essa literatura explorava o medo e o susto por meio de monstros, fantasmas, entre outros, para causar espanto no leitor. A narrativa primava por acontecimentos surpreendentes, assustadores e emocionantes. 

Em contrapartida, a partir do último século, observa-se que o gênero tem sofrido diversas modificações. Muitos estudiosos abarcaram a literatura fantástica como objeto de estudo, proporcionando diferentes definições ao gênero fantástico.

O que é o fantástico?

Na obra O Fantástico, a professora Dra. Selma Calasans Rodrigues explica que: “o termo fantástico (do latim phantasticu, por sua vez do grego phantastikós, os dois oriundos de phantasia) refere-se ao que é criado pela imaginação, o que não existe na realidade, o imaginário, o fabuloso. Aplica-se, portanto, melhor a um fenômeno de caráter artístico, como é a literatura, cujo universo é sempre ficcional por excelência, por mais que se queira aproximá-la do real.” (RODRIGUES, 1988, p. 9)

Tzvetan Todorov, filósofo, linguista búlgaro e um dos mais conceituados críticos de literatura fantástica na contemporaneidade, em sua principal obra, Introdução à literatura fantástica, explica que o fantástico deve ser entendido como um gênero literário.

Para o filósofo, a narrativa fantástica consiste na interrupção, em nosso mundo, de um acontecimento que não pode ser explicado pelas leis racionais, causando assim o sentimento de dúvida no leitor. Essa dúvida é a sensação de que a fantasia se sobressai sobre o racional, e, para que isso ocorra, é necessária uma integração do leitor com o mundo das personagens, encarando-as como personagens vivas.

Ou seja, apesar de o fantástico estar naturalmente relacionado ao irreal e ao sobrenatural, não quer dizer que não tenha relação com a realidade e que não possa envolver o leitor a ponto de confundi-lo entre o que é real e o que é fantástico. Todo texto literário, inclusive o fantástico, é uma representação do mundo real, pois a literatura não nasce do nada, pelo contrário, ela é criada a partir da realidade.

Por isso, Todorov também afirma que a expressão “literatura fantástica” refere-se a um gênero literário que ocorre na incerteza se o que está sendo lido se trata de uma ilusão dos sentidos e as leis do mundo continuam a ser o que são; ou, então, o acontecimento realmente ocorreu e integra uma realidade regida por leis desconhecidas para nós.

Enfim, a discussão levou e ainda leva vários estudiosos a tentarem conceituar de forma mais precisa esse gênero literário. O próprio Todorov alerta para a inviabilidade de uma conceituação plena de uma ficção que é mutável, que ganha novas formas a cada novo século por ser a subversão do racional e porque a razão também passa por mudanças conceituais.

Ainda assim, em meio às várias definições, esses estudos refletem características em comum como:

– a fusão do real e do irreal;

– a presença do sobrenatural no cotidiano;

– a evocação de emoções no leitor por meio de fatos sobrenaturais.

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Movimento Antropofágico – origem, representantes e obras

O movimento antropofágico foi um movimento cultural nacionalista que surgiu em 1928, durante a primeira fase do Modernismo (1922 – 1930).

Liderado por Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, é considerado um movimento de vanguarda e esteve ligado ao contexto da Semana de Arte Moderna de 1922.

Origem do movimento antropofágico

A origem do movimento antropofágico está numa famosa tela pintada por Tarsila do Amaral para presentear seu então marido Oswald de Andrade, no aniversário dele em janeiro de 1928.

A tela foi batizada por Oswald e Raul Bopp de “Abaporu” (aba = homem; poru = que come), nome inspirado nos rituais antropofágicos dos índios brasileiros, nos quais eles devoravam seus inimigos para lhes extrair a força, nascendo assim a ideia do movimento.

Então em maio de 1928, Oswald publicou o primeiro manifesto antropófago ou antropofágico na Revista de Antropofagia, do estado de São Paulo. Inspirado nas ideias primitivistas do francês André Breton, o escritor propunha a devoração simbólica da cultura do colonizador europeu, sem com isso perder nossa identidade cultural. Ou seja, o manifesto defendia uma arte genuinamente brasileira. 

Esse movimento surgiu como uma nova etapa no nacionalismo “Pau-Brasil”, também liderados por Oswald e Tarsila do Amaral, e como resposta ao grupo do Verde-Amarelismo, formado por Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida e Cassiano Ricardo, os criadores da Escola da Anta.

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O que é literatura?

A palavra literatura deriva do latim litteratura, que, segundo o Dicionário Caldas Aulete, significa “arte que usa a linguagem escrita como meio de expressão”. Portanto, na maioria das vezes em que falamos de literatura, estamos fazendo referência a obras de arte escritas.

Porém, esse termo também é muito utilizado para referenciar um conjunto qualquer de textos, mesmo não havendo viés artístico. Por isso é muito comum escutarmos as expressões “literatura médica”, “literatura jurídica”, “literatura química” etc. 

Aqui, contudo, o nosso foco será a literatura artística.

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Verso, estrofe, rima – qual a diferença?

Na literatura, verso, estrofe e rima são elementos de ordem estética que compõem a estrutura de um poema. Por causa deles, conseguimos facilmente diferenciar os poemas dos textos em prosa, que apresentam parágrafos.

O que é verso?

Verso é cada linha ritmada de um poema, podendo apresentar uma ou mais palavras. Como exemplo, veja abaixo a contagem de versos de um poema de Carlos Drummond de Andrade:

Construção

1. Um grito pula no ar como foguete.

2. Vem da paisagem de barro úmido, caliça e andaimes hirtos.

3. O sol cai sobre as coisas em placa fervendo.

4. O sorveteiro corta a rua.

5. E o vento brinca nos bigodes do construtor.

Como temos cinco linhas nesse poema, logo temos cinco versos.

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Modernismo – características, obras e autores

Modernismo foi o principal movimento artístico da primeira metade do século XX. Surgiu após o pré-modernismo, enquanto o mundo ocidental passava por uma série de conflitos sociopolíticos e por rupturas em relação aos principais valores e ideias do século anterior.

Havia, nessa época, uma enorme euforia diante do progresso industrial e dos avanços técnico-científicos. Isso aumentou a disputa pelo domínio dos mercados fornecedores e consumidores e resultou na Primeira Guerra Mundial.

Assim, durante e após a belle époque, surgiram variadas correntes artísticas que refletiam o caos e a violência das primeiras décadas do século XX. São as chamadas “vanguardas europeias”.

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Literatura de cordel – características, autores e obras

Literatura de cordel é um gênero literário tradicional da cultura popular brasileira, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

Os estados em que se destaca são: Paraíba, Pernambuco, Pará, Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia.

É feita em versos, por isso também é chamado de literatura popular em verso.

Origem da literatura de cordel

A literatura de cordel teve início em Portugal, por volta do século XII, com os trovadores medievais. Como o analfabetismo era generalizado, os textos eram tradicionalmente transmitidos de forma oral.

Mas com a criação da prensa durante o Renascimento, as histórias começaram a ser publicadas no formato de folhetos. Nesse período, os cordéis também ganharam espaço em países como Espanha, França e Itália.

Esses folhetos ficavam pendurados em cordel, ou seja, em cordas, para serem vendidos em feiras, bancos e mercados. Daí a origem do nome desse gênero literário.

Com a chegada dos portugueses ao Brasil, a literatura de cordel foi introduzida no nosso país ainda no período colonial. Foi difundida por meio dos repentistas (ou violeiros), os quais contavam histórias de forma musicada e rimada nas ruas das cidades.

Na segunda metade do século XIX, as impressões de folhetos brasileiros começaram. A tradição de vendê-los pendurados em cordas, contudo, não prosseguiu tão fortemente por aqui, sendo possível encontrá-los à venda pendurados ou não.

Características da literatura de cordel

– Aborda fatos do cotidiano, episódios históricos, lendas, religiosidade, temas políticos, etc.;

– Fortalece as identidades regionais, o folclore;

– É escrito em versos, contém rimas e métricas;

– Privilegia a linguagem simples, coloquial e regional;

– Uso de humor, ironia e sarcasmo;

– Apresenta algumas ilustrações, principalmente xilogravuras;

– É tradicionalmente declamado pelos cordelistas;

– É uma literatura de valor acessível.

Estrutura do cordel

Quadra: estrofe de quatro versos (não é mais utilizada);

Sextilha: estrofe de seis versos (é a mais conhecida);

Septilha: estrofe de sete versos (é a mais rara);

Oitava: estrofe de oito versos;

Quadrão: os três primeiros versos rimam entre si, o quarto com o oitavo e o quinto, o sexto e o sétimo também entre si;

Décima: estrofe de dez versos;

Martelo: estrofes formadas por decassílabos (comuns em desafios e versos heroicos);

Galope à beira-mar: estrofe de dez versos hendecassílabos (com 11 sílabas);

Redondilha: verso de cinco ou sete sílabas;

Carretilha: décima de redondilhas menores rimadas na mesma disposição da décima clássica.

Principais obras do cordel brasileiro

A chegada de Lampião no céu, de Rodolfo Coelho Cavalcante;

Cordel, de Patativa do Assaré;

Antologia da literatura de cordel, de Sebastião Nunes Batista;

O flautista misterioso e os ratos de Hamelin, de Braulio Tavares;

A mulher roubada, de Leandro Gomes de Barros;

Canudos na literatura de cordel, de José Calasans;

Cordéis que educam e transformam, de Costa Senna;

O menino do dinheiro em cordel, de Reinaldo Domingos e José Santos;

Desafios de cordel, de César Obeid;

Antologia do cordel brasileiro, de Marco Haurélio;

Colcha de retalhos, de Moreira de Acopiara;

Mitos e lendas do Brasil em cordel, de Nireuda Longobardi;

Minhas rimas de cordel, de César Obeid;

Zumbi dos Palmares em cordel, de Madu Costa.

Arcadismo – características, autores e obras

Arcadismo foi o movimento artístico-literário que predominou no século XVIII. Também chamado de Neoclassicismo, recebeu esse nome por promover a revalorização do Classicismo, pois a arte Barroca passou a ser considerada antiquada e sinônimo de mau gosto.

Contexto histórico

A tentativa de frear o barroquismo iniciou-se ainda no final do século XVII, com a fundação da “Arcádia”, em Roma. Esta era uma sociedade literária com a finalidade de combater o Barroco e de cultivar a poesia bucólica e anacreôntica (lírico-amorosa).

No século seguinte, a religiosidade e o exagero do Barroco já não agradavam mais a sociedade burguesa, que estava voltada para questões mundanas e artes subjetivas. Vivia-se também nesse período o Iluminismo, ou Século das Luzes, que abriu os caminhos para a Revolução Francesa, em 1789.

O Arcadismo só teve início, de fato, em 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana, por parte de alguns escritores liderados por Antônio Dinis da Cruz e Silva. O lema da Arcádia Lusitana era Inutilia truncat (“acabe-se com as inutilidades”, em português, o que caracterizou todo o Arcadismo.

Arcadismo no Brasil

No Brasil, a morte dos artistas do Barroco marca o enfraquecimento desse movimento. Além disso, a cultura jesuítica começa a dar lugar ao Neoclassicismo, e o pensamento iluminista francês é difundido.

O início do Arcadismo se dá em 1768, com a fundação da Arcádia Ultramarina, em Vila Rica, e a publicação de Obras, de Cláudio Manuel da Costa.

O Arcadismo desenvolve-se até 1808 com a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, que introduz o pensamento pré-romântico por meio de suas medidas político-administrativas.

Características do Arcadismo

Os poetas árcades visavam uma literatura simples, oposta às extravagâncias do Barroco.

Na linguagem, prevaleceram:

– Construções sintáticas na ordem direta;

– Frases claras e melódicas;

– Adjetivos que expressam suavidade e harmonia.

No conteúdo, temos:

– Personagens mitológicos;

– Bucolismo e pastoralismo: vida campestre idealizada; o sujeito lírico é um pastor, e a mulher amada, uma pastora;

– Ambientação no locus amoenus (lugar ameno): idealização da natureza;

– Temática do fugere urbem (fugir da cidade): a cidade é lugar de sofrimento e corrupção;

– Elogio da aurea mediocritas (mediania de ouro): expressão do poeta Horácio para dizer que o equilíbrio deve prevalecer em relação ao que é extremo;

Carpe diem (aproveite o dia): o amante tentar convencer a amada de que devem viver o amor antes que estejam velhos ou morram.

Principais autores e obras

Em Portugal:

Manuel Maria Barbosa du Bocage: Morte de D. Ignez de Castro, Elegia, Idílios Marítimos.

António Dinis da Cruz e Silva: O Hissope, Odes Pindáricas, A Degolação do Baptista.

Pedro António Correia Garção: Obras Poéticas, Teatro Novo e Assembleia ou Partida.

Francisco José Freire: Vieira Defendido, Arte Poética ou Regras da Verdadeira Poesia.

Domingos dos Reis Quita: Obras Poéticas (dois volumes da obra completa).

Nicolau Tolentino de Almeida: Miscelânea Curiosa e Proveitosa, Passeio, Amantes.

No Brasil:

Cláudio Manuel da Costa: Obras, Vila Rica.

Silva Alvarenga: Glaura.

Tomás Antônio Gonzaga: Marília de Dirceu, Cartas chilenas.

Santa Rita Durão: Caramuru.

Basílio da Gama: O Uruguai.

Todos os autores árcades viviam nos centros urbanos e eram burgueses, mas escreviam sobre locus amoenus, isto é, procura pela vida amena no campo, além de criticarem a aristocracia. Tudo isso caracterizava um estado de espírito, uma posição política e ideológica, portanto foram muito criticados, o que fez com que utilizassem pseudônimos.

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Barroco – característica, autores e obras

O Barroco é o estilo artístico que predominou entre o final do século XVI e o início do século XVIII em toda literatura, pintura, arquitetura, escultura e música. Teve início na Itália e aos poucos foi difundido para o restante da Europa e para a América Latina.

As obras barrocas surgiram refletindo o pessimismo, o conflito e o desequilíbrio entre a razão e a emoção do homem europeu. Todas essas características nasceram da crise de valores renascentistas, ocasionada pelas lutas religiosas (especialmente a Reforma Protestante e a Contrarreforma) e pela crise econômica vivida em consequência da falência do comércio europeu com o Oriente.

Características da arte barroca

– Assimetria;

– Contraste de cores claras e escuras;

– Formas volumosas e sem contorno;

– Predomínio de linhas inclinadas;

– Drama por meio de figuras em movimento;

– Perspectiva sem nitidez.

Principais artistas europeus: Caravaggio, Bernini, Francesco Borromini, Andrea Pozzo.

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Quinhentismo – característica, autores e obras

Quinhentismo é a denominação dada a todas as manifestações literárias no Brasil durante o século XVI. Esse período corresponde à introdução da cultura europeia em terras brasileiras, portanto as manifestações literárias do Quinhentismo fazem parte da literatura de viagens do Renascimento português.

Por essa razão, não se fala que o Quinhentismo seja uma literatura do Brasil, mas uma literatura no Brasil e sobre o Brasil. Ou seja, é uma literatura que não reflete a cosmovisão do homem brasileiro, mas, sim, a cosmovisão, as ambições e as intenções do homem europeu.

Dividimos essas manifestações literárias em literatura informativa, dos viajantes, e literatura catequética, do Pe. José de Anchieta.

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Gênero literário – definição e exemplos

Gênero literário é a divisão dos textos literários em categorias de acordo com as semelhanças que apresentam no conteúdo e na estrutura. Tradicionalmente, temos três gêneros literários: o lírico, o épico e o dramático, os quais tiveram origem na Grécia clássica, com Aristóteles, quando a poesia era a forma predominante de literatura.

Contudo, essa divisão sempre foi questionada ao longo dos séculos, principalmente com o início dos textos em prosa. Como consequência, o gênero épico passou a também ser chamado de gênero narrativo

Veja cada um a seguir.

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