Língua Portuguesa e Literatura

Categoria: Para professores e pais (Page 1 of 4)

Homeschooling: 5 metodologias para ensinar língua portuguesa

O homeschooling (educação domiciliar) é um movimento que tem crescido cada dia mais no Brasil. Por isso, neste artigo, vamos mostrar 5 metodologias que os pais podem seguir para ensinar a língua portuguesa em casa para seus filhos. Vejamos!

1) Tradicional

A metodologia tradicional é a mais conhecida, porque é a que espelha o modelo das escolas em geral. Nela, os pais trabalham com um livro didático e, depois da leitura da teoria, a criança resolve alguns exercícios.

Nessa linha, o foco principal é a memorização dos conteúdos, com o objetivo de conseguir bons resultados em provas e avaliações de modo geral.

A maioria dos pais, por já terem passado por escolas formais (por terem sido “escolarizados”), inicia o processo de homeschooling por este método.

2) Clássica

A metodologia clássica é baseada no Trivium, trata-se do modelo utilizado nas universidades da Idade Média e que visa estimular o domínio da linguagem por meio do ensino de três artes liberais: gramática, lógica e retórica.

Na primeira etapa (dos 5 aos 10 anos), as crianças vão trabalhar a gramática. O processo tem um foco grande no desenvolvimento da memória e do entendimento das estruturas da língua.

Na segunda etapa (dos 10 aos 14 anos), trabalha-se a lógica. O objetivo é o estudante aprender a resgatar o conhecimento e a utilizá-lo de forma coerente para compreender a realidade que o cerca, identificando argumentos válidos e inválidos.

Na terceira etapa (a partir dos 14 anos), o adolescente começa a estudar a arte da retórica. Nesse momento, a ideia é que ele aprenda a argumentar e a expressar suas ideias por meio da escrita e da fala.

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Como desenvolver a letra cursiva?

A alfabetização é um processo complexo e envolve vários pontos importantes para a criança e para seu respectivo professor, dentre eles está o desenvolvimento da letra cursiva

A evolução da escrita é um dos primeiros marcos da criança na escola, porém, deve ser regada de cuidado e atenção. Neste artigo vamos ver como desenvolver a escrita cursiva. Confira!

Conhecendo a letra cursiva

Ao iniciar na escola, as crianças se deparam com muitas descobertas, um mundo até então desconhecido por elas, e uma imensa carga de informações novas. Dentre elas, está o primeiro contato com as letras, que se dá de forma natural. 

A dinâmica do ensino da escrita inicia-se com a letra bastão, mais conhecida como “letra de forma”, que é executada com um traçado mais simples e de fácil aprendizagem.

Para a criança que ainda está em desenvolvimento da leitura, usar a letra cursiva, por emendar uma letra na outra, dificulta esse processo. Por esse motivo, a letra de mão só é apresentada após as primeiras etapas da alfabetização, ou seja, quando o aluno já tem a noção da leitura.

Assim, a escrita cursiva, também conhecida como “letra de mão”,  é apresentada aos pequenos aos 5 ou 6 anos, geralmente de forma mais lúdica.  

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Transtornos de escrita – quais são e como tratar?

O caminho até a fluência da escrita nem sempre é livre de percalços. Certas transtornos mentais impõem inúmeros obstáculos ao processo de alfabetização.

Há, por exemplo, três transtornos específicos de aprendizagem listados na edição mais recente do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), que é uma das bases de diagnósticos de saúde mental mais conhecidas no mundo. São eles: a dislexia (que causa prejuízos à leitura); a disortografia (relacionada à expressão escrita); e a discalculia (que afeta as habilidades matemáticas).

Os transtornos da expressão escrita, de acordo com os critérios diagnósticos do Manual, são manifestados pela:

  • Capacidade significativamente inferior à média das habilidades de expressão escrita para a idade cronológica da criança, ou de sua capacidade intelectual e nível de escolaridade;
  • Dificuldade na expressão escrita apresentada pelo indivíduo, que interfere de modo significativo nas atividades cotidianas que requeiram habilidades de escrita, como escrever frases gramaticalmente corretas e parágrafos organizados;
  • Presença de algum déficit sensorial, que dificulta sobremaneira a escrita;
  • Falta de habilidade na composição de textos, em gramática e pontuação e má organização dos parágrafos, com erros frequentes de ortografia e caligrafia precária.
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Coordenação motora fina e alfabetização – entenda a relação

Massinha, costura e bordados, colagens com letrinhas de macarrão, grãos, miçangas. O que tudo isso tem em comum? São todas atividades interessantes capazes de ajudar a desenvolver a coordenação motora fina, sem a necessidade de realizar exercícios maçantes e repetitivos que deixam as crianças cansadas.

E, sabe-se, a coordenação motora fina, que é a capacidade de coordenar movimentos decorrente da integração entre cérebro, músculos e articulações, é uma habilidade fundamental para o processo de alfabetização.

Ao lado da evolução cognitiva, o desenvolvimento motor vai além de aprender a agarrar objetos ou de seguir desenhos pontilhados. Essa motricidade deve começar a crescer ainda nas séries iniciais – na verdade, ela começa nos primeiros passinhos, sob a forma de coordenação motora ampla, ligada a atividades relacionadas ao impulso físico, como quando a criança ainda rasteja no chão, ou quando pula e dança.

Já a coordenação motora fina é a capacidade de usar com precisão os músculos menores, localizados principalmente nas mãos e nos pés, para realizar movimentos delicados e específicos. É por meio dela que a criança se torna capaz de manusear objetos e de realizar atividades como recortar, costurar, desenhar, pintar e, claro, escrever.

Manusear o lápis

Manipular de forma correta um lápis não é algo nato. Precisa ser aprendido, e essa é a tarefa número um do processo de alfabetização infantil. Se a coordenação motora fina for bem-sucedida, será mais fácil passar, em breve, escrever com o lápis.

Exercitar as mãos de modo coordenado, portanto, é imperativo. Isso deve ser feito de modo criativo e criterioso.

É preciso atentar para os detalhes desse processo. Ensinar desde cedo a pegar corretamente no lápis, por exemplo, é muito importante. Pensando nisso, até o tamanho do objeto faz diferença e evita problemas ergonômicos e de caligrafia.

É fato que a criança que segura o lápis errado costuma se cansar mais ao resolver as tarefas – tentar usar um toquinho de lápis pode exigir um esforço muscular muito maior do aluno. Por outro lado, um lápis muito longo pode tornar a escrita instável e difícil.

O educador deve demonstrar qual é a pressão adequada a ser exercida sobre o lápis e, se necessário, auxiliar a criança a posicionar o lápis no ponto inicial do traçado e parar no ponto final da linha – aí está um dos exercícios mais comuns nas escola: o de descrever traçados dentro de uma trilha pontilhada, mantendo uma só orientação da folha.

Competências fundamentais

A partir daí, vale incentivar um conjunto de prática como recortar, pintar, desenhar, apertar e bater palmas de modo ritmado, colocando em prática competências fundamentais para o desenvolvimento cognitivo da criança, entre elas a atenção, a manutenção da atenção, a sequência, a memória e a imitação.

E os estudos mostram a importância da atividade motora em lugar do uso indiscriminado de tecnologias, pelo menos nessa fase da primeira infância. Várias pesquisas provam que a criança em fase de alfabetização que é exposta ao uso de lápis ou giz de cera apresenta muito mais ativação neurológica, se comparada a outra que utiliza um tablet. Isso revela como o movimento das mãos (mais incentivado pelo uso do lápis) determina o estímulo a competências mais efetivas.

A seguir, você pode ver quais são as tarefas que mais auxiliam a coordenação motora fina:

– Massinha: a criança pode manuseá-la, apertar, fazer bolinhas, em movimentos de sobe e desce com os dedinhos. Esse exercício lúdico trabalha a força das mãos, mas precisa de supervisão, para que os pequenos não levem o material à boca.

– Papel: ao amassar papel e fazer bolas, a criança movimenta as mãos e vai se aperfeiçoando no manuseio de objetos e no próprio controle das mãos. Ela pode ainda rasgar papel, realizando movimentos simultâneos e alternados.

– Fios e barbantes: pegar e usar algum objeto de modo criativo também ajuda a desenvolver a coordenação motora fina. A criança pode fazer colares, pulseiras e outros itens de decoração.

– Pintura: os desenhos com a mão, pincéis ou esponjas também otimizam a coordenação motora dos pequenos.

– Dobraduras: outra forma de exercitar as mãos que eleva a habilidade de manipular objetos de uma forma bem mais precisa.

É bom ressaltar que o ambiente doméstico pode ajudar muito a desenvolver as crianças, mas, seja como for, o papel de pedagogos e educadores é fundamental para estimular o contato seguro com objetos e desenvolver a coordenação motora fina das crianças.

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Gostou do artigo? Então, vale a pena aprofundar seus conhecimentos com o Guia da Alfabetização.

12 atividades para estimular a escrita dos seus filhos

O pleno desenvolvimento da escrita começa bem antes de a criança sistematizar suas ideias “no papel” e explorar o mundo de forma dinâmica, criativa e sensível. Formar palavras, reconhecer sílabas e escrever nomes são um desafio para toda criança que inicia o processo de leitura e escrita, e inúmeras atividades podem (e devem) estimular nelas o desejo e a prática da escrita.

E muitas dessas brincadeiras precisam envolver o corpo, para incrementar as habilidades motoras. Porém, escrever não é só fundamental para o desenvolvimento escolar da criança, mas também para potencializar a imaginação.

Por isso, a brincadeira é uma das formas mais potentes de estimular a aprendizagem nos primeiros anos da educação infantil. Ao introduzir exercícios divertidos, o incentivo à escrita fica explícito de um jeito muito agradável.

Há muitas maneiras de estimular a escrita de forma criativa. Que tal, por exemplo, um bingo de sílabas? Ou o velho e bom “stop”? Por que não caminhar sobre letras ou escrevê-las na areia? Com certeza, cada uma dessas atividades – e muitas outras – são ferramentas para guiar os pequenos em busca do domínio da escrita.

Veja a seguir algumas ideias:

1) Bingo em família

O jogo é uma forma divertida de fazer com que os pequenos aprendam sobre as famílias silábicas. Elabore cartões coloridos e preencha algumas palavras, mas deixe faltando algumas sílabas. Em seguida, faça um sorteio dessas sílabas que faltam para que a criança possa preencher as palavras nos cartões.

2) Dinâmica dos nomes

Separe num papel o nome de palavras da vivência da criança e peça a ela que ajude a soletrar um nome de cada vez. Se possível, peça para apontar para o objeto ou a pessoa correspondente depois de soletrar e escreva você mesmo em um quadro ou no papel o nome ditado. Isso ajuda a entende o alfabeto e a fazer relações entre a escrita e a leitura de palavras importantes.

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Alfabetização no método Montessori – componentes e características

Tudo o que uma criança ouve, vê, toca e sente vira referência para que ela construa, aos poucos, sua própria percepção do mundo. Essa é a chave do pensamento da educadora, médica e pedagoga italiana Maria Tecla Artemisia Montessori (1870-1952), conhecida por ter criado um método educativo ainda largamente usado hoje em dia em escolas públicas e privadas de todo o mundo.

Representante do movimento da Educação Nova, Montessori tinha a mente aberta para a criança, o ambiente e o educador. Seu foco era a educação sensorial, considerada por ela, a base da educação intelectual. Com esse método, ela colocou a liberdade em primeiro plano no desenvolvimento físico e mental das crianças.

Para a educadora, liberdade e disciplina se equilibrariam e seriam ambas indispensáveis. Assim, ela propunha o princípio da autoeducação no ambiente escolar, com base em materiais didáticos. Neste sentido, o papel do professor era o de exercer uma interferência mínima no processo de aprendizagem.

Essência do método Montessori

A essência do método é a crença na curiosidade nata da criança. Todas as ações são pensadas para promover estímulos na criança que a impulsionem ao aprendizado espontâneo.

Para fazer isso, o método sugere uma dinâmica muito diferente na escola. A escola Montessori apresenta peculiaridades em relação ao modelo considerado tradicional, que inclui na rotina dos alunos a escrita e a leitura a partir dos seis anos de idade.

Montessori propõe uma introdução gradual desde os três anos e seis meses. A lógica é capacitar a coordenação motora fina e a associação entre letras e sons para que a descoberta da escrita seja intuída.

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Contatos com a escrita – o que é e como praticar?

No contexto da Literacia Familiar, as práticas de contatos com a escrita dividem-se em dois grupos: exposição à escrita e práticas da escrita.

A exposição à escrita objetiva colocar as crianças em contato com os mais variados materiais escritos, além de chamar a atenção para a presença da escrita em sua vida cotidiana. Desse modo, as crianças compreendem que a escrita possui inúmeros propósitos e funções.

Mais além estão as práticas da escrita, as quais visam incentivar as crianças a exercitarem a escrita desde cedo. Normalmente, inicia-se por desenhos, avança para as grafias inventadas, depois para as letras, para a formação de palavras e frases e chega a textos simples e complexos. Com isso, as crianças exercitam a coordenação motora fina e descobrem mais uma forma de expressão — os textos.

Portanto, ao executar tais práticas com seu filho, você estará ajudando-o a reconhecer que vive cercado de textos e que também é capaz de produzi-los.

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Alfabetização inclusiva – o que é e como fazer?

A Educação é um direito fundamental de todo brasileiro, e a alfabetização inclusiva é uma expressão dessa cidadania. No entanto, o país continua tendo muita dificuldade em universalizar o acesso a escolas de pessoas com deficiências.

Por isso, mais do que um gesto de afeto e empatia, educar com didáticas que atendam às necessidades de estudantes com algum tipo de deficiência, e assim garantir uma educação mais inclusiva a eles, é essencial.

Há alguns avanços a serem comemorados. A alfabetização inclusiva já é realidade em algumas escolas brasileiras e destaque internacional pela atuação de profissionais dedicados a apoiar estudantes com necessidades especiais. É o caso da professora de português e libras Doani Bertan, de Campinas (SP), que foi finalista do Prêmio Global Teacher Prize 2020, considerado o Nobel da Educação.

Além disso, muitas políticas públicas têm sido implementadas. Por força de lei ou por iniciativas individuais, várias ações vêm promovendo a alfabetização inclusiva na escola, considerando as diferenças do aprender.

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Narração de histórias – qual a importância para a alfabetização?

A narração de histórias é uma importante prática de Literacia Familiar e consiste em contar histórias em voz alta.

Sua aplicação no seio familiar favorece o desenvolvimento de habilidades relacionadas à compreensão oral das crianças, transmite valores importantes para a vida, dá asas à imaginação e proporciona um momento especial entre pais e filhos.

Onde e quando praticar a narração de histórias?

A narração de histórias pode ser realizada em qualquer lugar, pois é necessário apenas que você e seu filho estejam juntos. Além disso, pode ser realizada sem qualquer recurso material, o que facilita a sua aplicação.

A outra grande vantagem dessa prática é poder encaixá-la facilmente em diversos momentos do cotidiano familiar. Os pais podem contar histórias para os filhos ao acordar, durante as refeições, no caminho para a escola, no carro, no transporte público, no banho, nos passeios de família, antes de dormir… Ou seja, as possibilidades são inúmeras!

Ademais, não há restrições de idade quando falamos de ouvir histórias. Da gestação até a vida adulta, conte histórias para seu filho!

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Alfabetização na BNCC – tudo que você precisa saber

Dominar o sistema de escrita não é suficiente para estar alfabetizado. Vimos isso nos tópicos anteriores, que explicam ser preciso também tornar-se capaz de ler e escrever textos de diversos gêneros, interpretando e entendendo seu contexto. Esse pensamento também encontra guarida na própria Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que pretende alinhar as propostas pedagógicas do país que adotam a rota da alfabetização.

Vale destacar que a BNCC não oferece ao professor orientações didáticas e elementos para avaliação. O foco do documento está em “o que ensinar”, pois se concentra na proposição das competências e habilidades essenciais a serem desenvolvidas pelos alunos, deixando a construção do “como ensinar” a cargo das escolas. Mas como trilhar esse caminho? Veremos logo a seguir.

Antes, é preciso lembrar que, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº 9.394/1996), a BNCC, que é um documento federal de caráter normativo, deve nortear os currículos dos sistemas e redes de ensino e as propostas pedagógicas de todas as escolas públicas e privadas.

O processo de elaboração do documento foi intenso: envolveu contribuições públicas por meio de consultas virtuais e seminários promovidos para discussão. A BNCC para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental foi homologada em dezembro de 2017 (a do Ensino Médio foi homologada um ano depois, em dezembro de 2018).

Resumidamente, a Base estabelece conhecimentos, competências e habilidades que se espera que todo estudante desenvolva ao longo da escolaridade básica, da Educação Infantil ao Ensino Médio. Assim, a BNCC delineia o que é essencial abordar na escola básica, como, por exemplo, garantir o aprendizado do alfabeto e de sua utilidade como código de comunicação, bem como a apropriação do sistema de escrita e de mecanismos de leitura.

Nesse processo, a alfabetização é definida como a principal ação pedagógica do começo do Ensino Fundamental dos 1º e 2º anos. O documento prevê que, ao final do 2º ano, as crianças já devem possuir habilidades relacionadas a leitura e escrita. Numa lógica evolutiva, o processo tem continuidade no 3º ano com ênfase na ortografização.

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