Por Pedro Valadares

Categoria: Produção de texto (Page 1 of 8)

Redação no Enem: passo a passo para a nota mil

Uma redação nota mil no Enem tornou-se o sonho de muitos jovens brasileiros nos últimos anos. No entanto, escrever uma boa redação dissertativa-argumentativa nesse exame vai muito além de escrever de forma coerente e sem erros de português.

A banca do Enem possui regras bem específicas, e você deve conhecê-las para não perder ponto à toa. Portanto, veja a seguir como você será avaliado e as principais dicas que o Clube separou para você fazer uma redação nota mil no Enem!

Conheça as cinco competências do Enem 

As competências do Enem são os critérios que norteiam a avaliação da sua redação pela banca examinadora. Para cada competência, o corretor aplica uma nota de 1 a 5, sendo:

1 – Descumprimento total da competência;

5 – Desenvolvimento pleno da competência.

Vejamos cada uma.

Competência I: Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa

A primeira competência da Matriz de Referência do Enem avalia o domínio que o candidato possui da norma culta da Língua Portuguesa. Na prática, o que a banca espera do candidato é um léxico variado, respeito à ortografia e boas estruturas sintáticas, a fim de garantir uma leitura fluida e clara.

Contudo, é importante não confundir léxico variado, que é um amplo conhecimento e emprego de palavras, com preciosismo linguístico!

O preciosismo é um vício de linguagem que consiste no uso excessivo de palavras rebuscadas e não usuais, o famoso “falar difícil”. Muitos pensam que isso automaticamente passa certa credibilidade e demonstra domínio da língua, enquanto, na verdade, esses vocábulos afastam a clareza e a inteligibilidade imediata do leitor. Portanto, evite correr riscos e aposte numa linguagem simples, porém correta.

No mais, preocupe-se principalmente com a forma como seus períodos são construídos, certificando-se de que eles estão completos e contribuem para a fluidez da leitura. De modo geral, prefira orações na ordem direta e períodos curtos, entre duas e três linhas, no máximo. 

De qualquer forma, para dominar esta competência, não há outro caminho a não ser muita leitura e estudo da gramática normativa.

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Tipologia textual: conceito e exemplos

A tipologia textual trata das diferentes formas de organização e apresentação linguística de um texto. Também conhecido apenas como tipo textual ou ainda modo de organização do discurso e modo textual, esse tipo de classificação de um texto se dá por meio dos seus aspectos sintáticos, dos tempos verbais empregados, das relações lógicas, do objetivo comunicativo, etc. 

Existem cinco categorias de texto dentro da tipologia textual:

  1. Texto narrativo;
  2. Texto descritivo;
  3. Texto dissertativo (informativo ou argumentativo);
  4. Texto injuntivo;
  5. Texto dialogal.

Neste artigo, vamos falar sobre cada uma delas e trazer exemplos. Vejamos!

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Gêneros textuais – o que são e exemplos

Os gêneros textuais são formatos de textos que apresentam uma função social, ou seja, apresentam uma finalidade.

Assim, uma carta, uma receita, uma lista de compras, uma história em quadrinho, um conto, um bilhete são gêneros textuais diferentes, pois possuem formatos distintos e funções sociais também distintas.

O formato de uma receita é diferente do formato de uma história em quadrinho, que é diferente de um bilhete, etc. Cada um desses gêneros possui uma finalidade: a receita instrui, a história em quadrinho entretém e o bilhete dá um aviso.

Quando estamos diante de uma bula de remédio, por exemplo, esperamos que ela nos forneça informações de um determinado medicamento. Ninguém espera encontrar nela uma notícia, uma crítica ou uma história engraçada, pois sabemos que essas não são as funções sociais desse gênero.

É pelo formato, portanto, que sabemos o que esperar de um texto. Neste artigo, vamos explicar melhor este conceito e apresentar exemplos de gêneros textuais. Vejamos!

Gêneros textuais x tipologias textuais

É normal que muitos confundam gênero textual com tipologia textual e até pensem que são a mesma coisa, mas é importante frisar que não são!

Enquanto o gênero textual trata da forma como o texto se apresenta, a tipologia textual – ou apenas “tipo textual” – trata da organização do discurso de um texto, dos aspectos morfossintáticos, das relações lógicas, etc.

De modo geral, podemos dizer que a tipologia contempla a estrutura linguística, enquanto o gênero textual contempla a forma de apresentação. Além disso, por ser possível elaborar um texto de inúmeras formas, temos inúmeros gêneros, os quais se dividem em apenas cinco tipos textuais: narrativo, descritivo, injuntivo, dissertativo e dialogal.

Em outras palavras, os gêneros são desdobramentos das tipologias.

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Discurso direto, indireto e indireto livre: o que são e quando usar?

Em um texto narrativo, é comum nos depararmos com algumas formas distintas de discurso, são elas: discurso direto, discurso indireto e discurso indireto livre. Esses três tipos de discurso nos ajudam a conhecer os pensamentos e as falas das personagens no texto.

Discurso direto

É considerado discurso direto aquele em que o narrador apresenta a personagem e transcreve suas falas na íntegra, sem qualquer alteração. Exemplos:

Ela escrevia e o pai lia; num dado momento, ele disse:

— Sabes quem vem aí, minha filha?

— Quem é?

— Teu padrinho. (…)

(Triste Fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto)

Por fim Rui Soeiro rompeu o silêncio:

— Não foi decerto para espairecer pelos matos ao romper da alva, que nos fizestes vir aqui, misser Loredano?

— Não — respondeu o italiano laconicamente.

— Mas então desembuchai de uma vez, e não percamos tempo.

(O Guarani, José de Alencar)

Esse tipo de discurso apresenta, normalmente, as seguintes características:

a) Presença de verbos elocutivos, tais como: dizer, responder, afirmar, perguntar, sugerir, indagar ou sinônimos.

b) Presença de aspas, dois-pontos e travessão.

c) Mudança de linha.

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Títulos: quando usar maiúscula e minúscula?

Quando usar letra maiúscula e minúscula nos títulos? Neste artigo, vamos mostrar que há três formas de fazer isso. Vejamos!

Facultativo

De acordo com o Acordo Ortográfico, os bibliônimos, ou seja, os títulos podem ser escritos de três formas distintas:

1) Somente a primeira letra da primeira palavra em maiúscula:

  • A pedra do reino — Ariano Suassuna;
  • Diário de um mago — Paulo Coelho;
  • Dona Flor e seus dois maridos — Jorge Amado.

2) Todas as letras iniciais das palavras em maiúscula:

  • A Pedra do Reino — Ariano Suassuna;
  • Diário de Um Mago — Paulo Coelho;
  • Dona Flor e Seus Dois Maridos — Jorge Amado.

3) Todas as palavras inteiramente em maiúsculas:

  • A PEDR DO REINO — Ariano Suassuna;
  • DIÁRIO DE UM MAGO — Paulo Coelho;
  • DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS — Jorge Amado.
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Título tem ponto final?

O uso do ponto final nos títulos, apesar de não ser uma prática comum, é permitido em determinadas situações. Neste artigo, vamos mostrar quando usar e quando não usar esse tipo de pontuação. Vejamos!

Título com ponto final

De acordo com as normas ortográficas da língua portuguesa, o título só precisa ser finalizado com ponto final quando contiver um verbo.

Em outras palavras, só usaremos essa pontuação quando o título for uma oração:

  • Os políticos de hoje não sabem legislar.
  • Vasco joga mal e perde para o Madureira.
  • A carga de vacinas chegou hoje ao aeroporto.

Vale ressaltar, contudo, que essa regra não é plenamente seguida atualmente. Assim, é comum vermos títulos com verbo e sem o ponto final.

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Conectivos para redação: tipos e exemplos

Neste artigo, você vai encontrar uma lista de articuladores textuais. Esses conectivos têm a função de relacionar as diferentes partes de um texto e de garantir a coesão da escrita.

Segundo as professores Ingedore Koch e Vanda Maria Elias, os articuladores se dividem em cinco grandes grupos. Vejamos!

Articuladores de ordenação no tempo e no espaço

O objetivo desse grupo de articuladores é sinalizar relações espaciais ou temporais, indicando e organizando a sequência de episódios e referências em um texto.

ex: antes, depois, em seguida, defronte de, além, do lado direito, do lado esquerdo, a primeira vez que, a última vez que, muito tempo depois, logo depois, etc.

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Comunicação não violenta: 3 atitudes que bloqueiam o diálogo

As palavras têm poder. Esse velho ditado representa bem o objetivo central da Comunicação Não Violenta. Essa metodologia visa estabelecer uma forma mais eficaz e empática de criar relações entre as pessoas.

O processo vem sendo estudado e difundido pelo pesquisador Marshall Rosenberg. Ele enfatiza a importância de estabelecer base de valores comuns para as ações.

Muitas vezes, duas pessoas podem entrar em conflito simplesmente por que sua forma de falar cria uma barreira, em vez de estabelecer um entendimento.

Nesse sentido, Rosenberg destaca três comportamentos que bloqueiam a compaixão na nossa comunicação. Vamos analisar cada um deles.

1) Julgamentos moralizadores

Muitas vezes, queremos submeter as outras pessoas às nossas necessidades e aos nossos valores. Dessa forma, passamos a medir o próximo com base na nossa régua. Começamos a julgar como errado tudo aquilo que diverge das nossas crenças.

Esse tipo de comportamento ficou bem evidente nos últimos anos, por conta dos diversos embates políticos que vivenciamos no Brasil. Amigos de longa data se afastaram apenas por não concordarem ideologicamente. Isso tudo é fruto dos famigerados julgamentos moralizadores.

Se eu defendo determinado campo político e você discorda dele, passo a te tratar como um inimigo e encho minha comunicação de violência.

A pergunta que fica é: como resolver esse problema? O caminho é observar sem julgar. É buscar compreender antes de classificar ou criticar. Também é importante ter consciência de que nossos valores não são absolutos e que outras pessoas podem ter crenças distintas das nossas.

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Como a inteligência artificial impacta a produção de textos?

Não é segredo para ninguém que a tecnologia hoje permeia todos os campos da nossa vida. E na produção de textos, isso não é diferente. Atualmente, a inteligência artificial tem impactado a forma como escrevemos e consumimos conteúdo.

Nesse contexto, convidamos o advogado, mestre e especialista em transformação digital e inovação em negócios e criador do site Trends Talks, André Spínola, para mostrar um pouco desse novo mundo. Confira no artigo abaixo.

*

Os robôs estão por aqui, inclusive escrevendo artigos e fazendo pesquisas

O jornal britânico The Guardian do último dia 8 de setembro trouxe um texto
chamado “Um robô escreveu este artigo na íntegra. Já está assustado,
humano?
”.

Inicialmente, vale um pequeno disclaimer: Não pretendo entrar no mérito da
qualidade do que foi escrito nem realizar comparações com textos feitos por
pessoas, ok?

Prosseguindo, esse é o estado da arte da aplicação da inteligência artificial no
campo da redação de textos, que afeta jornalistas, advogados, publicitários,
researchers, copywriters e todo mundo que exerce alguma função que
dependa da dessa habilidade.

Muito se fala de IA e sempre vem à cabeça filmes que exploram o assunto de
forma muito interessante, vide os vilões Skynet em “O Exterminador do Futuro”
e Ultron de “Os Vingadores 2”, além daqueles desafios em jogos entre homem
e máquina, como xadrez e Go. Mas o fato é que a grande maioria de nós não
tem uma noção mínima do alcance desse tipo de tecnologia.

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Como usar o imperativo para reforçar sua autoridade

Se o seu verbo for fraco e a sua sintaxe não tiver firmeza, suas frases despencarão.  Esse ensinamento do escritor William Zinsser é certeiro.

Um verbo no modo e no tempo corretos molda a forma como as pessoas te enxergam como profissional. Sua firmeza e confiança no próprio trabalho transparecem na sua escrita.

E o modo verbal que melhor expressa esses sentimentos é o imperativo. Para mostrar isso na prática, vou analisar um story da Gabi Pazos .

Imperativo – o que é?

O imperativo é um dos três modos verbais (junto com o indicativo e o subjuntivo). Ele é usado para fazer uma exortação, dar uma ordem ou oferecer uma sugestão.

De acordo com o gramático Napoleão Mendes de Almeida, esse modo verbal estabelece uma relação de império, ou seja, de uma pessoa que conduz outra.

Por isso, ele é ideal para expressar a autoridade de um profissional em determinado campo do saber.

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