Por Pedro Valadares

Categoria: Redação (Page 1 of 7)

Anáfora – o que é isso?

Afinal de contas, o que é uma anáfora? O termo pode indicar uma figura de linguagem ou um processo de coesão. Neste artigo, vamos explicar o que é e quando utilizar cada um dos casos. Vejamos!

Figura de linguagem

A anáfora é a repetição de vocábulos ou expressões no início de cada frase ou verso. O professor Fernando Pestana traz dois exemplos do uso desse recurso estilístico:

ex1: Quando não tinha nada, eu quis/ Quando tudo era ausência, esperei/ Quando tive frio, tremi… (Chico César).

ex2: Era uma estrela tão alta!/ Era uma estrela tão fria! / Era uma estrela sozinha… (Manuel Bandeira).

7 lições que aprendi em dez anos como produtor e revisor de conteúdo

A imagem mostra uma caneta tinteira. Ao lado está escrito: 7 dicas sobre produção e revisão de textos.

Trabalho como revisor e produtor de textos há mais de uma década. Nessa jornada, deparei-me com as mais diferentes situações e com vários tipos e formatos de conteúdos.

Isso me trouxe várias lições. Neste artigo, vou compartilhar 7 delas com você. Vamos lá!

1) Mais precisão, menos floreio

Existe uma regra de ouro em bons textos: eles são precisos.

Isso foi algo que demorei a perceber. Antes, eu achava que uma escrita cheia de ideias subjetivas me faria parecer mais inteligente.

Foi quando li o livro “Como escrever bem” do William Zinsser. Lá, ele mostra a importância dos termos concretos nos textos de não ficção.

Por exemplo, se queremos dizer que uma montanha é alta, ao invés de falar que ela é um gigante de pedra, é mais assertivo dizer que do chão você não consegue enxergar o pico.

O segundo caso trará uma referência mais clara para o leitor que primeiro.

E essa deve ser a meta de qualquer bom conteudista: passar a informação da forma mais direta possível. Só assim é que se cria uma conexão real com seu público. 

Usar figuras de linguagem e artifícios poéticos é como andar na corda bamba. Se você chega do outro lado, é lindo. Mas se algo dá errado, o tombo é feio. Muito feio. Eu levei muito tempo para aprender essa lição. 

Isso com certeza me fez falar sozinho mais vezes do que eu gostaria de admitir.

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Corretor do Word: 5 motivos para desconfiar dele

O corretor de texto do Microsoft Word é um instrumento valioso para quem escreve e revisa textos, mas ele está longe de ser perfeito.

Confiar cegamente que ele vai eliminar todos os erros da sua escrita é uma grande cilada. Neste artigo, vamos te apresentar 5 motivos para você ter um pé atrás com essa ferramenta.

#1 Palavras que existem x Palavras que não existem

Em um texto, você pode cometer dois tipos diferentes de erros ortográficos. O primeiro é quando você escreve uma palavra que não existe na língua portuguesa.

Por exemplo, usar “chícara” no lugar de “xícara”. Para esse tipo de escorregão, o corretor do Word é muito útil. Ele é um especialista em identificar termos que não existem na língua portuguesa.

O problema é quando você troca uma letra de uma palavra e isso resulta em uma outra que também existe. É o que ocorre quando você troca “carro” por “caro”.

Nessa situação, o corretor do Word não irá marcar isso como um erro – mesmo que a troca dos termos prejudique bastante o sentido da frase.

Veja com seus próprios olhos os dois exemplos citados aqui. No primeiro, a ferramenta indica que há um erro ortográfico. O segundo caso, porém, passa batido.

OBS: Veja que o corretor também não identificou a falta de acento em “comprá-lo”.

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Interrogativa geral x Interrogativa parcial – qual a diferença?

Existem dois tipo de entoação interrogativa: a geral e a parcial. Neste artigo, vamos explicar a diferença e quando utilizar cada uma. Vamos lá!

Interrogação geral

De acordo com o mestre Evanildo Bechara, em seu livro “Lições de Português pela análise sintática”, a interrogativa geral é aquela em que a resposta se resume a “sim” ou “não”.

Ex1: Você vai na festa a amanhã?

Ex2: Vai chover amanhã?

Ex3: A loja abre aos domingos?

Normalmente, quando utilizamos esse tipo de pergunta, buscamos respostas curtas e factuais. Não há uma preocupação de se aprofundar muito no tema.

Essas interrogativas normalmente sugerem uma conversa rápida. Por isso, quando essa expectativa é quebrada, gera-se um incômodo.

Por exemplo, se você pergunta se a padaria estará aberta amanhã, fica implícito que não deseja receber uma resposta longa e detalhada.

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O Que é Estrangeirismo e quais as palavras mais adotadas no nosso vocabulário?

A imagem mostra um quadro com vários nomes em inglês, como workshop, motivation, success, results, etc.
Imagem: Unist

A língua portuguesa teve suas origens no latim, assim como o italiano, francês, romano, espanhol e outras. E ela evoluiu ao longo dos anos juntamente com seus falantes. E podemos dizer, através de uma metáfora, que toda língua é um organismo vivo que está sujeito a constantes mudanças e adaptações.

Basta olhar registros de falantes de décadas ou centenas de anos atrás para perceber o caráter mutável e o fenômeno da transformação. E uma das formas que potencializam essas mudanças é a entrada de outras palavras através de falantes de outras línguas.

Esse fenômeno conhecido como estrangeirismo não é recente. Desde sempre as línguas se beneficiaram de palavras advindas de outros idiomas.

O Brasil, particularmente, agregou milhares de termos de línguas estrangeiras através da cultura e das pessoas que chegavam ao nosso país, fazendo com que o português falado no Brasil tivesse nuances que acabam por diferenciá-lo daquele falado em Portugal. E esses “empréstimos linguísticos” acabaram por acrescentar termos que enriqueceram nossa forma de se comunicar, apesar de alguns linguistas tradicionais olharem com cautela tal fato.

Um dos idiomas que mais contribuíram e ainda contribuem para a construção do nosso vocabulário é a língua inglesa. E apesar de existirem algumas diferenças entre o português e o inglês, nós incorporamos várias expressões utilizadas comumente em diversas áreas.

Isso se dá porque o inglês é a mais influentes das línguas faladas no mundo, sendo considerada a linguagem universal, assim como o francês já foi um dia.

As palavras e expressões são utilizadas em diversas áreas comuns: alimentação, hábitos, moda, comportamento, tecnologia e informática, comunicação e marketing, dentre outras.

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Gerundismo: evite esse vício de linguagem

Gerúndio: usado por muitos, odiado por vários.Essa forma nominal do verbo sofre de mau uso. Por isso, acaba por levar uma fama que não merece.

Quando usar o gerúndio?

O gerúndio deve ser utilizado para indicar atividades contínuas. O problema é que muita gente o usa para expressar ações que não têm essa característica.

Um caso clássico é o telemarketing.

Atire a primeira pedra que nunca ouviu um “vou estar transferindo sua ligação”.

O correto aqui seria um simples e efetivo “vou transferir sua ligação”. Mais prático impossível.

Uma dica matadora sobre o gerúndio é: empregue essa forma verbal com significado adverbial.

Mas que diabo é isso, Pedro? Calma, eu explico.

Use o gerúndio para mostrar a forma como determinada ação é praticada.

Ex1: Paulo vai para casa caminhando.

Ex2: O pintor trabalha assobiando.

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Queísmo: 5 dicas práticas para não repetir o “QUE”

O queísmo é uma vício de linguagem que empobrece seu texto. Confira 5 dicas práticas para fugir dele.

Hoje quero falar com você sobre um vício que estraga bons textos: o queísmo. Essa partícula é a erva daninha da escrita. É só você se distrair e logo seu conteúdo está infestado de “que” pra todo lado.

Por isso, vou compartilhar 5 técnicas para eliminar essa praga.

1) Use a oração reduzida de infinitivo

Ex: Planeje-se para que não haja prejuízo.

Agora, com o infinitivo.

Ex: Planeje-se para não haver prejuízo.

2) Use a oração reduzida de particípio passado

Ex: O chefe quer que as obras recomecem.

Vejamos como fica com o particípio.

Ex: O chefe quer as obras recomeçadas.

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Colocação pronominal: quando usar próclise, ênclise e mesóclise?

Hoje vou falar de um tema que sempre gera muitas dúvidas: colocação pronominal.Quando o pronome deve vir antes do verbo? Quando deve vir depois? Quando deve vir no meio?

Neste artigo, vou detalhar todos os casos para você dominar de vez esse tópico. O texto é mais longo, mas se você ler até o fim, garanto que não vai mais escorregar nessa questão.

Já adianto uma estratégia bem efetiva: na dúvida, use o pronome antes do verbo.

Próclise

É a mais famosa e recorrente de todas. É quando o pronome vem antes do verbo.

O segredo aqui é se lembrar dos fatores de próclise. São termos que atraem o pronome para perto deles:

a) Pronomes relativos: que, o/a qual, cujo, onde, quem, etc.

ex: Fui eu que lhe dei aquele presente.

b) Pronomes interrogativos: quem, quando, como, etc.

ex: Quem te ligou?

c) Pronomes indefinidos: alguém, algum, vários, muitos, etc.

ex: Alguém me disse que amanhã teremos uma reunião.

d) Advérbios ou locuções adverbiais: sempre, talvez, ontem, etc.

ex: Sempre se diz que a prática leva à perfeição.

e) Conjunção subordinativa (aquelas que ligam as orações subordinadas à principal): quando, embora, assim que, visto que, etc.

Embora se saiba que exercício faz bem para saúde, há ainda muitas pessoas sedentárias.

f) Em + pronome + gerúndio: em se tratando de, em se falando de, etc.

ex: Em se tratando de escrita, a prática diária é fundamental.

g) Negação: não, nem, nunca, etc.

ex: Não a vi hoje o dia inteiro.

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Fórmula CCE: 3 características de um texto irresistível


Neste artigo, você vai conhecer a fórmula CCE. Trata-se de uma estratégia com três elementos para escrever um texto incrível.

Mas o que é isso?

Na minha jornada como revisor e produtor de conteúdo, aprendi que um texto de qualidade tem três características essenciais.

1) Correção

Essa é a base de tudo.

A língua é um sistema de regras que permite que as pessoas se comuniquem.

Se você desrespeita as normas gramaticais, seu leitor terá dificuldade de compreender sua mensagem.

E quem não se entende, não se comunica.

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Outline: a fórmula infalível para destravar a escrita

Começar um texto. Essa é uma dificuldade tão recorrente, que recebeu até um nome: síndrome da folha em branco.

William Zinsser, no seu excelente livro “Como escrever bem”, diz que essa trava inicial se deve ao fetiche do produto final.

Antes mesmo de começarmos a escrever, já idealizamos um conteúdo pronto e acabado.

Essa abstração – aos poucos – consome nossa confiança.

Começamos a acreditar que não somos capazes de criar aquele texto maravilhoso que está na nossa cabeça.

Como começar um texto?

Para vencer essa barreira, podemos usar uma técnica chamada outline.

É uma espécie de esqueleto do texto. Uma estrutura de tópicos simplificada. Funciona da seguinte forma:

1) Defina o tema central;
2) Crie subtemas;
3) Liste 3 ideias-chaves para cada subtema.

Outline na prática

Vejamos um exemplo:

TEMA CENTRAL: Violência nas escolas

SUBTEMA 1: A escola como espaço de socialização.

Ideias-chaves: a) A escola recebe estudantes com valores diferentes: b) A diferença de valores pode gerar conflitos; c) Os professores se veem no papel de mediadores.

SUBTEMA 2: Escola como parte da sociedade.

Ideias-chaves: a) Não podemos enxergar a escola como um ambiente isolado; b) O ambiente onde a escola está inserida influência a vida escolar; c) Conflitos externos podem se refletir no ambiente interno da escola

SUBTEMA 3: Possíveis soluções para a violência nas escolas.

Ideias-chaves: a) Envolver a comunidade e os pais na gestão da escola; b) Promover ações para incentivar a paz nas escolas; c) Desenvolver atividades que fortaleçam os laços entre os estudantes.

Pronto! Agora temos um caminho claro de como construir o conteúdo.

Basta conectar os subtemas e as ideias-chaves e teremos um texto coeso e bem estruturado.

Gostou do texto? Então, vale a pena assistir ao vídeo no qual falo sobre como escrever o parágrafo perfeito:

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