Os diálogos são parte fundamental dos textos narrativos. Contudo, muita gente se confunde na hora de pontuar esse tipo textual. Por isso, neste artigo, vamos mostrar as principais regras de pontuação dos diálogos. Vejamos.

O que são os diálogos?

Os diálogos são a representação do discurso direto e indicam a fala real dos personagens. Eles se diferem dos discurso indireto, quando o narrador expressa a fala dos personagens com suas próprias palavras.

Os diálogos interrompem a narração. Nesse sentido, é fundamental marcar essas interrupções de forma clara por meio da pontuação.

Antes de avançarmos, é importante destacarmos uma característica fundamental dos textos narrativos, que é o uso dos verbos dicendi. Esses verbos são aqueles que indicam o ato de fala de um sujeito (ex: dizer, falar, narrar, reclamar, concordar, exclamar, gritar, ralhar, etc.).

Saber identificá-los é fundamental para usar corretamente a pontuação nos diálogos.

Travessão x Aspas

Diferente do que acontece na língua inglesa, que utiliza as aspas para indicar os diálogos em um texto narrativo, no português, usamos o travessão para esse fim. Vejamos alguns exemplos:

Exemplo1: — Não entre agora aí! — gritou Márcia.

Exemplo2: — Júlia avisou que passar aqui agora à tarde — disse Marta. — Ela deve chegar por volta das 18h30.

Perceba que o travessão tem um duplo papel. Ele introduz a fala do personagem e também a separa da narração, que é introduzida pelos verbos dicendi (“gritou” e “disse”).

Letra minúscula

Note que nos exemplos acima, os verbos após o segundo travessão vêm em letra minúscula e o ponto final só aparece após o trecho da narração indicado pelo nome do personagem.

Isso acontece, porque o diálogo e o trecho da narração são partes da mesma sentença. Essa regra se aplica mesmo se houver uma exclamação ou uma interrogação no final do diálogo, como ocorre no exemplo 1.

Esses sinais de pontuação servem somente para indicar a entonação da frase, mas não a encerram.

Letra maiúscula

Quando o trecho que aparece depois do segundo travessão não tiver um verbo dicendi que una o diálogo à narração, a frase seguinte deve começar com letra maiúscula.

Exemplo 3: — Estou cansado desta situação. — O gerente bateu a porta e se retirou da reunião rispidamente.

Perceba que frase que vem após o segundo travessão do exemplo 3 não se refere à fala do gerente. Ela indica uma ação paralela à fala do personagem.

Em outras palavras, temos duas ideias distintas – uma antes e outra depois do segundo travessão.

Ponto final

Nas frases em que houver o verbo dicendi, o ponto final deve vir após o nome do personagem, como acontece nos exemplos 1 e 2. Vamos relembrar:

Exemplo1: — Não entre agora aí! — gritou Márcia.

Exemplo2: — Júlia avisou que passar aqui agora à tarde — disse Marta. — Ela deve chegar por volta das 18h30.

Se não houver verbo dicendi, o ponto deve vir logo ao final do diálogo, conforme acontece no exemplo 3. Vejamos:

Exemplo 3: — Estou cansado desta situação. — O gerente bateu a porta e se retirou da reunião rispidamente.

Vírgula após o travessão

A vírgula pode aparecer logo após o segundo travessão de um diálogo se houver uma narração intercalada dentro da fala de um personagem. Vejamos um exemplo:

Exemplo 4: — Marieta viria hoje aqui buscar os presentes — explicou Jorge —, mas ela teve um contratempo e virá amanhã.

Note a fala da personagem foi repartida pela narração. Se retirarmos o trecho introduzido pelo verbo dicendi (“explicou”), a vírgula se mantém.

Exemplo 5: — Marieta viria hoje aqui buscar os presentes, mas ela teve um contratempo e virá amanhã.

Veja que o uso da vírgula é obrigatório antes conjunção adversativa “mas”. Assim, mesmo se introduzirmos um trecho de narração no meio do diálogo, o sinal de pontuação deve ser mantido.

Travessão, hífen e meia-risca

Antes de finalizar, vale destacar que, apesar dos três sinais serem representados por um traço ou um risco, há uma diferença entre o travessão, o hífen e a meia-risca.

O hífen (-) é o menor dos três. Ele é usado em geral para conectar palavras. O segundo maior é o meia-risca (–), que é utilizada em geral para unir valores extremos (ex: 1 – 10). Já o travessão (—) é maior de todos e tem, entre outras, a função de introduzir diálogos em um texto narrativo e de conectá-los à narração.

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