A leitura dialogada é uma das práticas de Literacia Familiar mais importantes no processo de desenvolvimento da linguagem das crianças.

Essa prática consiste na conversa entre adultos e crianças antes, durante e após a leitura em voz alta de algum livro. Dessa forma, por meio de perguntas e respostas, o ato de leitura torna-se um momento de bate-papo entre pais e filhos.

Acompanhe a seguir todos os benefícios dessa prática e como praticá-la.

Quais são os benefícios da leitura dialogada?

Primeiramente, a prática contínua da leitura dialogada fortalece os laços afetivos entre pais e filhos. Além disso, traz benefícios para todas as fases de desenvolvimento de seu filho. Veja:

Na primeira infância:

– favorece o desenvolvimento de habilidades, atitudes e conhecimentos facilitadores do processo de alfabetização.

Com crianças maiores e com adolescentes:

– reforça conhecimentos e habilidades adquiridos na escola;

– estimula o desenvolvimento da linguagem;

– estimula o amor pela leitura, pois os filhos ficam mais motivados a se tornar leitores por toda a vida.

Quando começar a praticar a leitura dialogada?

A leitura dialogada pode e deve ser praticada em todas as idades, inclusive na gestação, pois o bebê é capaz de identificar a voz dos pais já nos últimos três meses da gravidez!

Portanto, o melhor dia para começar a praticar a leitura dialogada é o de hoje!

Quanto tempo deve ser dedicado à prática?

A prática de leitura dialogada deve ser incorporada à rotina da família de forma que possa ser realizada, de preferência, todos os dias, por pelo menos dez minutos.

Engana-se quem pensa que são necessárias muitas horas do dia para consolidar o hábito da leitura na família. Na verdade, a constância importa mais que o tempo. Com dez minutos de prática, desde que seja todos os dias, já é possível realizar a tarefa, mas se for possível praticar por mais tempo, melhor para todos!

Onde praticar?

Outra grande vantagem da leitura dialogada é poder praticá-la em qualquer lugar! Em casa, nas filas que enfrentamos no dia a dia, em salas de espera, em parques, em shoppings, em clubes… 

O importante é andar sempre com um livro na bolsa para aproveitar as oportunidades.

Como praticar?

Aqui vão algumas dicas simples e práticas para ajudar os pais e responsáveis a praticarem a leitura dialogada.

1. Organize o ambiente

Escolha um ambiente tranquilo e silencioso, desligue os aparelhos eletrônicos e arrume o espaço de forma que fique confortável para seu filho se sentar ou deitar. Acomode-o de maneira que ele consiga ver o texto e as ilustrações do livro. Para crianças pequenas, o colo dos pais é o lugar perfeito para acompanhar a leitura.

2. Utilize objetos para ilustrar

Quando possível, selecione objetos que tenham a ver com a história que será lida e utilize-os de maneira criativa para ilustrar aquilo que lê.

3. Apresente o livro

Antes de começar a leitura, mostre a capa e a contracapa do livro, o título e o nome do autor. Indague ao seu filho se ele consegue antecipar o enredo da história considerando as informações que acabou de obter.

4. Converse sobre o tema

Ainda antes de começar, converse com seu filho sobre o tema a ser explorado. Ajude-o a retomar os conhecimentos que tem sobre o assunto.

5. Consulte o dicionário quando necessário

Quando surgir uma palavra desconhecida durante a leitura, convide o seu filho a consultar um dicionário junto a você (aqui é válido tanto um dicionário on-line quanto um físico). Após descobrirem o significado da palavra, tentem incorporá-la no dia a dia de vocês.

6. Reveze-se com ele na leitura

Se o seu filho já sabe ler, então reveze a leitura com ele. Por outro lado, se ele ainda não for alfabetizado, encoraje-o a criar histórias por meio das ilustrações, por exemplo.

7. Não force a barra!

A leitura dialogada deve ser prazeirosa. Portanto, em vez de forçar o seu filho a participar de sessões de leitura, encoraje-o e dê o exemplo. Não trate a leitura como uma punição!

8. Utilize as técnicas de leitura dialogada

Há duas técnicas de leitura dialogada: PAVERE e QueFaleComVida. Aprenda-as a seguir!

Técnica PAVERE

A técnica PAVERE – Perguntar, Avaliar, Expandir, Repetir – deve ser utilizada após a leitura completa de uma história. Trata-se de uma sequência de quatro etapas em que comandos e perguntas orientam as interações entre adultos e crianças. Durante a releitura de um livro, empregue essa técnica repetidas vezes, abordando diferentes aspectos da história.

PERGUNTAR: pergunte ao seu filho algo sobre o que está nas ilustrações ou sobre o que acabou de ser lido.

AVALIAR: avalie a resposta dele. Está correta ou incompleta? Respostas erradas devem ser corrigidas amorosamente, sem destacar o erro.

EXPANDIR: expanda a resposta de seu filho, acrescentando mais elementos e informações.

REPETIR: peça que seu filho repita a resposta expandida. Isso o ajudará a consolidar as novas informações.

Técnica QueFaleComVida

A técnica QueFaleComVida é complementar à técnica anterior. São cinco categorias de perguntas que podem iniciar uma sequência de PAVERE.

Que de Questões do tipo “o quê?”, “quando?”, “quando?”…

Faça perguntas com pronomes e advérbios interrogativos: que, quem, quando, quanto, onde, como, etc. Exemplos:

– O que a bruxa fez com a princesa?

Quem ajudou a criancinha?

Fa de Final Aberto

Faça perguntas que exijam respostas que vão além de um simples “sim” ou “não”, ou seja, faça perguntas que têm respostas abertas. Exemplos:

– Por que o mocinho estava com medo do Lobo Mau?

– O que mais te chamou atenção na história?

Le de Lembrar

Faça perguntas para lembrar o que foi lido, retomando episódios passados. Exemplos:

– Você se lembra do que a personagem fez no início da história para ajudar o amigo?

– Como eram feitas as festas no castelo?

Com de Completar

Brinque de completar o final de frases, principalmente as que rimam ou que possuem repetições. Exemplos:

– Ciranda, cirandinha, vamos todos _______?

– A dona aranha subiu pela _______?

Vida de Relação com a vida da criança

Faça perguntas que relacionam a história a momentos da vida de seu filho, criando assim uma relação entre a vida real e os livros. Exemplos:

– Existe alguém que tenha mentido para você como o Pinóquio fez?

– Você conhece alguém que é tratado como o Patinho Feio?

“Não sei ler ou leio mal, como posso praticar a leitura dialogada com meu filho?”

Se você tem pouco ou nenhum estudo, mas mesmo assim deseja ajudar o seu filho a desenvolver o hábito da leitura, você pode inventar histórias com base nas ilustrações dos livros. Se ele já tiver aprendido a ler na escola, então deixe-o ler em voz alta no seu lugar. 

Além disso, esforce-se para voltar a estudar numa escola próxima de sua casa. Veja isso como um esforço pela sua família.

Sugestões de livros para cada faixa etária

0 a 3 anos

– Livros resistentes e duráveis: de papel grosso, de plástico e de pano;

– Livros com ilustrações em cores fortes e contrastantes;

– Livros com ilustrações ou fotografias de pessoas, bebês, animais e objetos;

– Livros com rimas e letras de canções;

– Livros com uma frase curta ou uma palavra por página e com predomínio de ilustrações.

3 a 5 anos

– Livros com poucas frases em cada página e muitas ilustrações;

– Livros com enredos simples;

– Livros temáticos: dinossauros, carros, planetas etc.;

– Livros com rimas e padrões repetitivos.

5 a 7 anos

– Livros com características semelhantes aos da faixa etária anterior, mas que a criança seja capaz de ler por conta própria ou com a ajuda de um adulto;

– Livros que a criança ainda não é capaz de ler sozinha, mas que consegue compreender se um adulto os ler em voz alta para ela.

7 a 9 anos

– Livros narrativos e informativos sobre tópicos de interesse da criança;

– Livros com uma proporção de texto superior à das fases anteriores.

9 anos ou mais

– A partir dessa idade, podem ser introduzidas as narrativas curtas, já sem ilustrações, e depois partir para romances mais longos e complexos;

– Não há restrições quanto à extensão do texto e à complexidade da narrativa ou do vocabulário.

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Gostou do artigo? Então, vale a pena aprofundar seus conhecimentos com o Guia da Alfabetização.