O movimento antropofágico foi um movimento cultural nacionalista que surgiu em 1928, durante a primeira fase do Modernismo (1922 – 1930).

Liderado por Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, é considerado um movimento de vanguarda e esteve ligado ao contexto da Semana de Arte Moderna de 1922.

Origem do movimento antropofágico

A origem do movimento antropofágico está numa famosa tela pintada por Tarsila do Amaral para presentear seu então marido Oswald de Andrade, no aniversário dele em janeiro de 1928.

A tela foi batizada por Oswald e Raul Bopp de “Abaporu” (aba = homem; poru = que come), nome inspirado nos rituais antropofágicos dos índios brasileiros, nos quais eles devoravam seus inimigos para lhes extrair a força, nascendo assim a ideia do movimento.

Então em maio de 1928, Oswald publicou o primeiro manifesto antropófago ou antropofágico na Revista de Antropofagia, do estado de São Paulo. Inspirado nas ideias primitivistas do francês André Breton, o escritor propunha a devoração simbólica da cultura do colonizador europeu, sem com isso perder nossa identidade cultural. Ou seja, o manifesto defendia uma arte genuinamente brasileira. 

Esse movimento surgiu como uma nova etapa no nacionalismo “Pau-Brasil”, também liderados por Oswald e Tarsila do Amaral, e como resposta ao grupo do Verde-Amarelismo, formado por Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida e Cassiano Ricardo, os criadores da Escola da Anta.

Revista de Antropofagia

A Revista de Antropofagia teve duas fases, sendo chamadas pelos antropófagos de duas “dentições”, e refletia as ideologias do Modernismo.

A primeira “dentição”, inaugurada pelo polêmico manifesto de Oswald de Andrade, foi comandada por Antônio de Alcântara Machado e Raul Bopp e contou com 10 números, os quais foram publicados entre os meses de maio de 1928 e fevereiro de 1929.

Ao lado de artigos de Oswald e Alcântara Machado e dos desenhos de Tarsila do Amaral, também tínhamos Mário de Andrade (que publicou o primeiro capítulo de Macunaíma no segundo número da revista) e Carlos Drummond de Andrade (que publicou o poema No meio do caminho no terceiro número). Contudo, também era possível encontrar publicações dos representantes da Escola da Anta, como os artigos de Plínio Salgado em defesa da língua tupi e as poesias de Guilherme de Almeida.

A segunda “dentição”, no entanto, teve uma ideologia mais definida e marcou a ruptura entre os amigos Oswald de Andrade e Mário de Andrade. Suas publicações se deram no jornal Diário de S. Paulo, sob o comando de Geraldo Ferraz, e contou com 16 números publicados semanalmente, de março a agosto de 1929.

Seguiram sendo antropófagos Oswald de Andrade, Raul Bopp, Geraldo Ferraz, Oswaldo Costa, Tarsila do Amaral e Patrícia Galvão (a Pagu). Os alvos da segunda “dentição” eram Mário de Andrade, Alcântara Machado, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia e Plínio Salgado.

Principais obras antropofágicas

– As pinturas Abaporu e Operários, de Tarsila do Amaral;

– O livro Cobra Norato, de Raul Bopp;

As Bachianas Brasileiras, série de nove composições de Villa-Lobos.

*

Gostou do artigo? Então, continue seus estudos com o nosso Guia da Literatura.