É passo a passo, degrau a degrau, que a criança em fase de alfabetização desenvolve a capacidade de escrever. Antes mesmo de chegar ao ponto de dominar a escrita, ela passa por várias etapas. Em cada uma ela leva em conta as informações que recebe, mas também acrescenta, sempre e ao mesmo tempo, algo de pessoal nesse processo. Assim, esse processo obedece a uma linha evolutiva, que passa por quatro grandes níveis de escrita: pré-silábico, silábico, silábico alfabético e alfabético.

Neste artigo, vamos detalhar cada um desses níveis e mostrar quais são suas características. Vejamos!

Nível pré-silábico: desenhos e rabiscos de letras

O nível pré-silábico é o primeiro dos quatro níveis de escrita. Nele a criança inicia seu processo de distinção entre desenho e escrita. Nesse período, ela ainda não conhece direito o alfabeto, mas já percebe que a escrita representa o que ela diz, mesmo que ainda se expresse por meio de rabiscos e desenhos.

Sem dominar o uso das letras, é comum que a criança use critérios quantitativos, variando a quantidade de letras para obter escritas diferentes, e qualitativos, a fim de variar o repertório das letras ou a posição delas, sem alterar a quantidade.

Em geral, a criança demonstra intenção de escrever por meio do traçado linear com formas diferentes e pode caracterizar uma palavra com a letra inicial. Ela também apresenta leitura global, individual e instável do que escreve, de modo que só ela sabe o que realmente escreveu. Nessa fase, contudo, a criança não estabelece vínculo entre fala e escrita e acaba usando letras do próprio nome ou números e letras na mesma palavra.

Nível silábico: correspondência e organização

O nível seguinte é o silábico, que marca a construção de formas de diferenciação e organização da escrita. Nessa fase, a criança apreende noções sobre as letras, sobre como usá-las e como organizá-las para que possa dizer algo.

A escrita silábica é uma grande conquista pessoal da criança e não é transmitida pelo adulto, embora nessa fase ela observe muito mais os mais velhos, buscando ver como eles leem e escrevem e confrontando o que percebeu com o que já sabia. Assim, a criança passa a entender que a palavra escrita está relacionada com os aspectos sonoros da fala.

Neste ponto, ela vai buscando explicações sobre o sistema de representação e pode começar a separar oralmente as palavras e procurar uma correspondência em suas grafias.

Aqui, a criança admite haver correspondência entre letras e fala, mesmo que ela não esteja pronta para conectar as letras aos seus sons e que registre cada sílaba por meio de apenas uma letra, aleatória ou não. A criança tenta ainda fonetizar a escrita e dar valor sonoro para as letras, e passa a desconfiar de que a menor unidade de língua seja a sílaba.

Nível silábico-alfabético: relacionando sílabas e letras

Somente no nível seguinte, o silábico-alfabético, a criança passa a relacionar as sílabas faladas a mais de uma letra. Ela realiza as primeiras combinações de vogais e consoantes em uma mesma palavra, tentando combinar sons, e entende que a escrita representa o som da fala e já é capaz de realizar leituras menos complexas. É a fase inicial de fonetização da escrita.

Embora ainda não domine as exceções, percebe que sua escrita não é satisfatória. Nesse momento,  a criança tanto pode evoluir para acrescentar letras faltantes quanto se retrair e voltar a escrever com muitas letras aleatórias.

É um momento de transição, então não se surpreenda que a criança escreva alfabeticamente algumas sílabas enquanto permanece silábica para outras.

Nível alfabético – reprodução dos fonemas

O último nível desta evolução é quando a criança consegue perceber o valor das letras e sílabas. É o chamado nível alfabético, no qual o estudante passa a reproduzir adequadamente todos os fonemas de uma palavra, percebe o modo de construção do código da escrita.

Só aí compreende que a sílaba pode ter uma, duas ou três letras, mas ainda mostra dificuldade na separação das palavras ao redigir um texto. E entende também que a escrita possui uma função social, mas ainda não se mostra nem léxica nem ortográfica.

Toda essa trajetória, que passa por cada um dos níveis de escrita, é fundamental para alcançar o pleno desenvolvimento educacional dos meninos e meninas.

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