Desde a pré-história, o ser humano sente a necessidade de se comunicar para sobreviver. Por essa razão, a linguagem foi sendo cada vez mais desenvolvida e, consequentemente, moldada para ser uma língua (idioma), o que permitiu a perpetuação de diversas culturas através do tempo e do espaço.

Língua é um instrumento social à disposição do falante e também uma das formas encontradas pelo homem de organizar a linguagem. Essa organização se dá, principalmente, por meio da gramática normativa, que regista a norma culta.

Porém, a língua é mutável e está sujeita à ação do tempo e do meio, refletindo as diferenças individuais de cada falante. É por isso que existem os níveis de fala, os quais podem ser: culto, coloquial, literário, regional etc. De todos esses, o que é mais ensinado nas escolas e também o mais cobrado em concursos e provas em geral é o culto, o qual requer estudo profundo das normas gramaticais.

O que é norma culta?

A norma culta, também chamada de língua padrão, registro formal e língua culta, é um modelo de bem falar e escrever que tem como base a forma como falam e escrevem as pessoas cultas na época atual. São considerados cultos os escritores renomados, além dos gramáticos e dicionaristas esclarecidos.

Mas a norma culta não é só a forma como as pessoas que gozam de prestígio social usam a língua, como também é inspiração para a construção da gramática normativa. Caso você tenha a oportunidade de folhear alguma gramática tradicional, perceberá facilmente que todos os exemplos que nela constam foram retirados de obras consagradas da nossa literatura.

No entanto, ao contrário do que muitos ainda pensam, o nível culto da língua não é melhor que os demais, pois cada um tem a sua finalidade e o seu porquê de existir. O que é necessário compreender é que a gramática normativa precisa existir para assegurar a unidade linguística de um povo.

Para ficar mais claro, faça o raciocínio inverso e questione: se não existissem normas para o uso da língua e cada um pudesse falar e escrever da maneira que quisesse, como seria a nossa comunicação?

Muito provavelmente a nossa espécie não haveria chegado até aqui se não tivesse padronizado a comunicação, uma vez que a evolução não privilegiou as espécies mais fortes, como os neandertais, mas, sim, a espécie a mais comunicativa, a Homo sapiens.

Por que estudar a norma culta é importante?

Além de assegurar a unidade linguística de um povo e não permitir que a comunicação se torne um caos, há outras vantagens em se estudar a norma culta. Veja algumas a seguir:

– Poder ler e compreender desde os textos mais básicos aos mais complexos/formais;

– Ter a oportunidade de seguir carreira científica;

– Ter a oportunidade de ascender profissionalmente, visto que um bom domínio do idioma pode abrir boas portas de trabalho (um bom exemplo são as provas de concurso público);

– Ter a oportunidade de ascender socialmente, fazendo parte de uma elite intelectual;

– Ser capaz de interpretar melhor não só textos, mas também o outro e o mundo à sua volta;

– Ajuda a evitar falhas na comunicação que acarretam em retrabalho, perda de tempo, brigas, discussões etc.