Clube do Português

Por Pedro Valadares

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Islamita, islamista e islâmico – qual a diferença?

A imagem mostra um palácio islâmico. Abaixo está escrito: islamita, islamista, islâmico - qual a diferença?

Na língua portuguesa, muitas vezes, pequenas mudanças podem alterar totalmente o sentido de um palavra. É o que acontece com o termos islamita, islamista e islâmico.

Neste artigo, vamos explicar o significado de cada um deles e quando usá-los. Também vamos abordar os debates sociológicos que envolvem esses vocábulos. Vejamos!

Islamita x Islamista

Segundo o dicionário Hoauiss, islamita é “seguidor do islamismo, maometano, muçulmano”.

O termo islamista é considerado por alguns dicionaristas como sinônimo de islamita. Há, contudo, um aspecto histórico e social que vem gerando uma diferenciação entre essas duas palavras.

De acordo com estudiosos do islã, como Abdoolkarim Vakil e Margarida Santos Lopes, islamita designa aqueles que seguem o islã como fé.

Em contrapartida, islamista indica as pessoas que usam a religião como arma política e para fazer terrorismo.

De acordo com os pesquisadores, essa distinção de sentido surge em um contexto no qual se vê um crescimento acelerado da islamofobia, ou seja, da rejeição às pessoas que seguem a fé islâmica.

Assim, faz-se necessário adotar termos diferentes para separar a maioria pacífica dos radicais terroristas.

Essa caso demonstra como as palavras carregam em si uma carga de significado que pode se modificar de acordo com o contexto sócio-histórico. É o que chamamos de alteração semântica.

Destaca-se que essa discriminação entre os dois vocábulos é mais fortemente adotada em Portugal do que no Brasil.

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7 lições que aprendi em dez anos como produtor e revisor de conteúdo

A imagem mostra uma caneta tinteira. Ao lado está escrito: 7 dicas sobre produção e revisão de textos.

Trabalho como revisor e produtor de textos há mais de uma década. Nessa jornada, deparei-me com as mais diferentes situações e com vários tipos e formatos de conteúdos.

Isso me trouxe várias lições. Neste artigo, vou compartilhar 7 delas com você. Vamos lá!

1) Mais precisão, menos floreio

Existe uma regra de ouro em bons textos: eles são precisos.

Isso foi algo que demorei a perceber. Antes, eu achava que uma escrita cheia de ideias subjetivas me faria parecer mais inteligente.

Foi quando li o livro “Como escrever bem” do William Zinsser. Lá, ele mostra a importância dos termos concretos nos textos de não ficção.

Por exemplo, se queremos dizer que uma montanha é alta, ao invés de falar que ela é um gigante de pedra, é mais assertivo dizer que do chão você não consegue enxergar o pico.

O segundo caso trará uma referência mais clara para o leitor que primeiro.

E essa deve ser a meta de qualquer bom conteudista: passar a informação da forma mais direta possível. Só assim é que se cria uma conexão real com seu público. 

Usar figuras de linguagem e artifícios poéticos é como andar na corda bamba. Se você chega do outro lado, é lindo. Mas se algo dá errado, o tombo é feio. Muito feio. Eu levei muito tempo para aprender essa lição. 

Isso com certeza me fez falar sozinho mais vezes do que eu gostaria de admitir.

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Caixa-preta x Caixa preta – qual a diferença?

A imagem mostra um avião. Em cima, está escrito: caixa-preta ou caixa preta: qual a forma correta?

O que tem dentro de um avião é uma caixa preta ou uma caixa-preta? Neste artigo, vamos tirar essa dúvida e explicar a diferença entre as duas expressões. Vejamos!

Caixa-preta

A expressão caixa-preta, com hífen, indica o sistema de registro de voz e dados dos aviões, que é muito utilizado para desvendar as causas de acidentes aéreos.

Ex: Os bombeiros encontram a caixa-preta da aeronave.

Nesse caso, estamos diante de um substantivo composto formado por justaposição. Isso ocorre quando a união de duas palavras dá origem a um novo vocábulo com significado distinto.

Nessa situação, o hífen é obrigatório, como ocorre em outros termos como: saia-justa, abaixo-assinado, beija-flor, arco-íris, couve-flor, entre outros.

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Fonética articulatória, acústica e auditiva – qual a diferença?

A imagem mostra uma menina e um robô e simboliza como os conceitos de fonética articulatória, acústica e auditiva vêm sendo usados no campo da inteligência artifical.
Esses conceitos vêm sendo usados no campo da Inteligência Artificial

A fonética é o campo da gramática que, segundo o professor Napoleão Mendes de Almeida, estuda os vários sons ou fonemas linguísticos.

Ela se divide em três áreas: articulatória, acústica e auditiva. Neste artigo, você vai entender cada uma delas. Vamos lá!

1) Fonética articulatória

Esse ramo da fonética estuda como os sons são produzidos no aparelho fonador (veja imagem abaixo):

A imagem mostra um aparelho fonador do corpo humano.

Antes de avançarmos com as explicações, é importante diferenciar dois conceitos: voz e fala.

Segundo, Izabel Seara, Vanessa Nunes e Cristiane Lazzarotto-Volcão, a voz pode ser definida como o som produzido a partir da vibração das pregas vocais. Já a fala é o resultado da articulação desse som.

Dito isso, vale destacar que esse segmento busca avaliar as propriedades articulatórias, que, segundo Markus Dicknson, Chris Brew e Detmar Meurers, são três:

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Pé-de-meia x Pé de meia – tem hífen?

A imagem mostra uma meia cheia de moedas. Em cima há uma tarja preta, onde está escrito: "pé-de-meia x pé de meia: qual a forma correta"?

Afinal, o correto é pé de meia ou pé-de-meia? As duas formas são possíveis na língua portuguesa, mas têm significados distintos. Neste artigo, vamos explicar quando usar cada uma. Vejamos!

Pé-de-meia

Quando a expressão indica um dinheiro que uma pessoa tem guardado, uma poupança, ela tem hífen.

Ex: Estou fazendo um pé-de-meia para a minha aposentadoria.

Trata-se de uma exceção à regra trazida pelo Acordo Ortográfico. A Base XV da Reforma (que trata do uso do hífen em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares) diz que:

Nas locuções de qualquer tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais, não se emprega em geral o hífen.

Ponto 6 da Base xv do acordo ortográfico de 1990.

Marquei o “em geral” ali exatamente para mostrar que há casos que fogem a essa regra. Além de pé-de-meia, temos as seguintes exceções, que, segundo o documento, são casos consagrados pelo uso:

  • arco-da-velha;
  • mais-que-perfeito;
  • cor-de-rosa;
  • água-de-colônia.

Também continuam com hífen as locuções que representam espécies botânicas e zoológicas: cana-de-açúcar, mico-leão-dourado, pimenta-do-reino, peixe-boi, entre outras.

As demais locuções seguem a regra geral. É por isso, por exemplo, que pé de moleque perdeu o hífen.

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Ponto final: dentro ou fora das aspas?

A imagem mostra um texto. Em cima, há uma tarja, na qual está escrito: ponto final: dentro ou fora das aspas?
Onde colocar o ponto final?

Quando usamos as aspas, o ponto que encerra a frase deve ficar dentro ou fora delas? Neste artigo, vamos acabar de vez com essa dúvida.

Dentro das aspas

De acordo com Celso Cunha e Lindley Cintra, quando as aspas abrangem todo o período, sentença, frase ou expressão, o ponto deve ficar dentro delas.

ex: : “Eu decidi ficar com amor. O ódio é um fardo muito grande para carregar.” (Martin Luther King)

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Aposto: 7 tipos que você precisa conhecer

A imagem mostra um caderno sobre uma mesa. Em cima, há uma tarja na qual está escrito: aposto - o que é, tipos e exemplos.
Aprenda quando utilizar cada tipo de aposto.

Um aposto é um termo usado junto a outro com valor substantivo ou pronominal para explicá-lo ou especificá-lo melhor.

Neste artigo, vamos explicar os 7 tipos que existem. Também vamos te mostrar quando utilizar cada um. Vamos lá!

1 – Aposto resumidor ou recapitulativo

Resume uma sequência de termos, usando os pronomes indefinidos “tudo”, “nada”, “nenhum”.

Deve-se usar pontuação antes do pronome indefinido.

Ex1: Falei com Márcia, Rafaela e Daniel, todos estavam bem.

Ex2: Bebida, festas, viagens, nada me alegrava.

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Corrimãos x Corrimões – qual a forma correta?

A imagem mostra uma foto em preto e branco de uma escada. Ao lado, está escrito: corrimãos ou corrimões?
As duas grafias são válidas?

O plural de palavras derivadas sempre gera dúvidas. É o que ocorre com os termos corrimãos e corrimões. Afinal, qual a forma correta? Neste artigo, vamos acabar com essa dúvida.

Qual o plural de corrimão?

As duas formas estão registradas no VOLP, Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

Como o plural de “mão” é “mãos”, a forma original é corrimãos.

No entanto, o termo corrimões foi consagrado pelo uso, já que temos a tendência de fazer o plural de muitas palavras terminadas em “-ão” com “-ões”.

Por exemplo: sermão/sermões, caminhão/caminhões, padrão/padrões.

Ex1: Os funcionários fizeram a limpeza dos corrimãos do shopping.
.
Ex2: O risco de contágio de coronavírus é grande em corrimões.

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Cloroquina – qual a origem da palavra?

Cloroquina: essa palavra ganhou muito destaque por causa da crise gerada pela Covid-19. Neste artigo, você vai conhecer a origem e os usos do termo e o processo de formação do vocábulo. Vamos lá!

Etimologia

A foto mostra a planta chamada quina ou quinina, que deu origem à cloroquina.
Quina ou Quinina (foto do site “Tua Saúde”)

O termo nasceu da junção do prefixo cloro, que designa algo que é verde ou – mais modernamente – algo que contém cloro, com o substantivo feminino quina ou quinina, que é o nome de uma planta usada originalmente pelos indígenas para curar suas dores e febres.

Então, estamos diante de um substantivo feminino derivado, formado por derivação prefixal: cloro + quina.

Vale destacar ainda que o prefixo cloro vem do grego khlōris. Ele indica, como dito antes, algo esverdeado. É usado, por exemplo, no vocábulo clorofila.

O prefixo é utilizado também na química para indicar a presença de cloro em algum composto ou substância (ex: clorofórmio).

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Correio x Correios – qual a diferença?

A imagem mostra uma carta e um envelope, onde está escrito: correio x correios.
O significado é diferente?

Qual a diferença entre os termos correio e correios? Neste artigo, vamos explicar a origem das palavras e quando usar cada uma. Vamos lá!

Correio

A palavra correio vem do espanhol “correo”, cuja origem é o latim “currere”, que quer dizer deslocar-se rapidamente, viajar.

O significado original do substantivo masculino indicava a pessoa responsável por entregar correspondências, o mensageiro.

Contudo, por um processo de metonímia, a palavra passou a indicar também:

  • serviço que se encarrega de levar mensagens rapidamente aos respectivos destinatários;
  • repartição pública à qual competem a seleção, o transporte e a distribuição de correspondências;
  • local onde funciona essa repartição;
  • reunião daquilo que se envia (cartas, documentos, encomendas);
  • correspondência; condutor de mala postal.

Ex1: Talita vai me mandar o currículo pelo correio.

Ex2: O correio ainda não passou.

Ex3: Pedro foi ao correio mandar um livro para Miguel.

Ex4: Você já postou o correio de hoje?

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