Língua Portuguesa e Literatura

Tag: alfabetização

Alfabetização e letramento: conceitos distintos, mas parceiros

Aprender a reconhecer as letras, sílabas, palavras – o que se chama alfabetização – é como ser iluminado por uma lamparina em meio a uma imensa escuridão. Dá para enxergar alguns palmos ao redor.

Porém, para saber realmente onde se está pisando, quais os riscos, os perigos e as maravilhas que estão por vir, é preciso dispor, se possível, da luz do sol – e a isso dá-se o nome de letramento.

A alfabetização não garante autonomia. O letramento, sim. Este é o passo adiante – melhor ainda pensar que fosse uma caminhada lado a lado, com o processo de letramento despertando o interesse pela língua.

A vontade de aprender mais sobre ela ajuda a aprimorar seu uso fora dos muros da escola, por exemplo, nas redes sociais, no âmbito da família, com os amigos ou em qualquer outro espaço de convivência.

Em outras palavras, alfabetização é um processo que leva a codificar e decodificar a escrita e os números, ou seja, se refere à aprendizagem e ao domínio do código alfabético (escrita). Esse aprendizado envolve conhecer a gramática tradicional, que busca separar o conteúdo das práticas sociais – quem nunca ficou confuso ao se deparar com a definição de “oração subordinada adjetiva” ou de “sujeito oculto”?

Continue reading

Consciência fonológica – o que é isso?

O senso comum pode indicar que o primeiro passo para alfabetizar uma criança é ensinar a ela como identificar as letras. Essa ideia está equivocada, porque não leva em conta que, muito mais do que uma representação gráfica, a letra representa fundamentalmente um som. Na verdade, tudo começa com um outro processo: o de tomada de consciência fonológica.

É importante destacar que a noção de linguagem falada (composta de sequências de pequenos sons) não é algo que surge de forma natural ou fácil. Somar uma letra a outra, formar uma sílaba, daí uma palavra, e assim por diante. É, sobretudo, um mecanismo de aprendizado.

O som é a chave de ignição de todo esse processo, que nada mais é do que uma tomada de consciência desses mecanismos da língua. E essa consciência fonológica é a habilidade do falante de manipular os sons de uma língua, ou seja, é o desenvolvimento de uma competência que permite a ele identificar, manipular e refletir sobre os sons da fala.

É também a capacidade de entender, antes mesmo de adquirir qualquer compreensão do princípio alfabético, que os sons que se associam às letras não são exatamente os mesmos sons da fala.

É, ainda, a possibilidade de perceber que a linguagem falada pode ser repartida em várias unidades, ou seja, que a frase pode ser dividida em palavras, as palavras em sílabas e as sílabas em fonemas. Por meio dela, percebemos ainda que o mesmo som pode começar ou terminar palavras diferentes e que há frases e orações.

Continue reading

Métodos de alfabetização – quais são e como funcionam?

Uma boa alfabetização é alicerce de um processo eficaz de aprendizagem da leitura e escrita. Por isso não pode ser realizada de qualquer maneira. Deve-se ter método.

Mas quais métodos de alfabetização usar? Isso é o que veremos logo abaixo. Antes, vale lembrar que as crianças desenvolvem as habilidades necessárias para a leitura antes mesmo de ingressarem na educação infantil – elas são ainda bebês quando conseguem distinguir os sons de diferentes línguas; já domina fonemas suficientes para falar mais de 50 palavras aos 2 anos; e muitas já aprenderam a reconhecer certas letras antes de completarem 3 anos.

Podemos, portanto, ajudá-las de muitas maneiras. Antes de elas chegarem ao Ensino Fundamental, podemos estimulá-las apontando letras, criando oportunidades para brincar com a língua e para manusear livros e conversando com elas sobre as atividades do dia.

Mas, quando chega o tempo certo de alfabetizá-las, diversos métodos podem ser aplicados, segundo vários fatores, que incluem as condições socioeconômicas da população e os recursos pedagógicos disponíveis.

Basicamente, os métodos de alfabetização se dividem em dois grupos: sintéticos e analíticos. Os primeiros supõem desde a leitura dos elementos gráficos (letras, sílabas e palavras) até a leitura da totalidade das palavras (textos). Estes são representados pelos sistemas alfabético, fônico e silábico. Já os analíticos fazem o caminho inverso: partem da leitura da palavra, frase ou texto para chegar ao reconhecimento dos elementos gráficos (sílaba e letra).

Continue reading

Como alfabetizar meu filho em casa?

A possibilidade de alfabetizar seus filhos em casa é uma discussão acesa na sociedade brasileira mesmo antes da pandemia de Covid-19. É preciso admitir que o tema já vinha sendo debatido independentemente da chegada do novo coronavírus por aqui, com muitos pais e mães já se mostrando convencidos de que deveriam assumir o processo educacional dos filhos.

A alfabetização marca um momento extraordinário na vida da criança: seu primeiro contato com a educação formal.

Por isso mesmo a tarefa não é simples. Alfabetizar em casa é uma decisão muito particular de cada família.

E o papel dos pais nesse processo é fundamental, porque não bastará utilizar o mesmo material da escola. Tem-se de saber quais são as melhores formas de ensinar e conhecer as palavras e os discursos que fazem sentido no dia a dia da criança. Essa é, inclusive, uma das vantagens da educação domiciliar (ou homeschooling).

Muito mais do que letras e sílabas

A chance de poder interferir pessoalmente na alfabetização do filho exige muita dedicação e não pode encobrir as dificuldades de atuar em um processo que é complexo e singular a cada indivíduo.

O que importa no processo de alfabetização é desenvolver o raciocínio da criança, é explorar suas hipóteses frente a um mundo que ela ainda está por desvendar. Segundo a psicolinguista argentina, Emília Ferreiro, compor uma palavra não é só conhecer e combinar letras e sílabas.

Passa ainda por elaborar e reelaborar suposições. Neste sentido, a leitura desempenha um papel importante colocando a criança como parte do mundo ao redor.

Vale lembrar que aprender a ler envolve cinco habilidades diferentes. São elas:

  • Consciência fonológica: capacidade de ouvir e manipular os diferentes sons das palavras;
  • Fonética: reconhecimento da conexão entre letras e sons;
  • Vocabulário: compreensão do significado das palavras, definições e contexto;
  • Compreensão de leitura: do significado do texto, esteja ele publicado aonde for;
  • Fluência: capacidade de ler em voz alta com velocidade, compreensão e precisão.
Continue reading

© 2022 Clube do Português

Theme by Anders NorenUp ↑