Língua Portuguesa e Literatura

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Graciliano Ramos – vida e obra

Graciliano Ramos foi um escritor e jornalista brasileiro que fez parte da segunda fase do Modernismo (fase de consolidação), sendo considerado o prosador mais importante da Geração de 30.

No campo literário, escreveu diversas obras entre romances, contos, crônicas e literaturas infanto-juvenis. O estilo de sua narrativa – simples, seco e sem rodeios – propicia uma análise profunda e uma abordagem direta dos personagens e dos cenários retratados.

O autor destaca-se por sua habilidade de abordar os aspectos psicológicos dos personagens, a complexidade das relações humanas e os conflitos sociais caraterísticos do Brasil.

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Graça Aranha – vida e obra

Graça Aranha foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Escritor, advogado e diplomata, participou da Semana de Arte Moderna de 1922.

O romancista fez parte do pré-modernismo e suas obras apresentam traços simbolistas e naturalistas, além de trazer características do nacionalismo modernista.

Vida pessoal e profissional

José Pereira da Graça Aranha nasceu no dia 21 de junho de 1868, em São Luís, no Maranhão.

Em 1882, antes de completar 15 anos, conseguiu autorização do governo para cursar Direito. No mesmo ano, iniciou o curso de Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito do Recife.

Após sua formatura, em 1886, Graça Aranha foi morar no Rio de Janeiro, onde atuou exerceu o Direito no município de Campos.

Depois, se mudou para o Espírito Santo, onde trabalhou na cidade de Porto do Cachoeiro.

No ano de 1897, contribuiu para a fundação da Academia Brasileira de Letras. Em seguida, iniciou suas atividades como diplomata e, até 1920, atuou na Europa.

Ao retornar para o Brasil, em 1921, teve o primeiro contato com os novos artistas paulistas quando foi até a exposição Fantoches da Meia-Noite, de Di Cavalcanti.

Em 1922, participou da organização da Semana de Arte Moderna. Nesse mesmo ano, Graça Aranha foi preso e ficou encarcerado por cerca de um mês, como suspeito de conspiração na revolta militar contra o presidente eleito, Artur Bernardes. 

Quando foi libertado, a polícia o convocou novamente. Com medo de ser preso outra vez, fugiu para o interior de São Paulo.

Após dois anos, o escritor voltou aos noticiários ao pedir afastamento da Academia Brasileira de Letras, sob o argumento de que ela não admitia reformas e nenhum outro tipo de renovação.

Ainda jovem, Graça Aranha se casou com Maria Genoveva de Araújo. Entretanto, se separou, não oficialmente, em 1928, para ficar com Nazareth Prado, seu verdadeiro amor.

O romancista faleceu no dia 26 de janeiro de 1931, no Rio de Janeiro.

No livro Cartas de amor, publicado em 1935, está parte da história do relacionamento vivido entre Graça Aranha e Nazareth Padro, reunindo cartas que ele enviou para ela de 1911 a 1927.

A literatura de Graça Aranha

Graça Aranha é um escritor do pré-modernismo (período de transição entre o simbolismo e o modernismo na literatura brasileira), portanto, suas obras publicadas de 1902 a 1922 são consideradas pré-modernistas.

Logo, seus livros têm características do modernismo, como o regionalismo e o nacionalismo, mas também são percebidas marcas do naturalismo (estilo literário do fim do século XX).

A visão do Brasil é mais realista, sem idealizações, expondo conflitos políticos e sociais. Além disso, como influência do naturalismo, o autor também aborda questões raciais. 

A temática da imigração, inclusive, faz parte de sua obra mais famosa, Canaã, em que pensamentos racistas são abordados pelos personagens, trazendo a miscigenação brasileira para a história.

O simbolismo também influenciou a obra do romancista. A crítica especializada identifica traços desse estilo no livro Canaã e na peça de teatro Malazarte.

Nessas obras, a impressão dos personagens sobre a realidade, por meio da reflexão filosófica e do monólogo interior, se destacam sobre a ação.

Obras de Graça Aranha

  • Canaã (1902) — romance
  • Malazarte (1911) — teatro
  • Estética da vida (1921) — ensaio
  • Espírito moderno (1925) — ensaio
  • A viagem maravilhosa (1929) — romance
  • O meu próprio romance (1931) — memórias

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Cecília Meireles – vida e obra

Cecília Meireles foi uma escritora, professora, jornalista e pintora, considerada a principal representante feminina da segunda geração do modernismo brasileiro. Também é amplamente considerada a melhor poetisa do Brasil, ainda que tivesse horror a que a chamassem de poetisa, tendo preferência pelo termo poeta.

Vida pessoal e profissional

Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, no bairro Rio Comprido, na cidade do Rio de Janeiro. Seu pai, Carlos Alberto de Carvalho Meireles, era funcionário do Banco do Brasil e faleceu poucos meses antes de seu nascimento. Sua mãe, Mathilde Benevides Meireles, era professora da rede pública do ensino primário da época e faleceu quando a filha tinha apenas três anos de idade.

Órfã de pai e mãe, Cecília foi criada pela avó materna, a portuguesa Jacinta Garcia Benevides. Contudo, sua infância foi solitária, pois sua avó não a deixava sair de casa para brincar com outras crianças.

Seus primeiros estudos foram na Escola Municipal Estácio de Sá, onde se destacou e recebeu a Medalha de Ouro Olavo Bilac, em 1910, das mãos do próprio Olavo Bilac, que era inspetor de sua escola. Nesse período, a menina já demonstrava todo o seu amor pelos livros e começou a escrever seus primeiros versos.

Em 1917, formou-se na Escola Normal do Rio e começou a lecionar no ano seguinte, na Escola Pública Deodoro, de ensino primário. Seu livro de estreia foi Espectros, em 1919, sob a influência dos poetas que formariam o grupo da revista Festa, de inspiração neossimbolista.

Em 24 de outubro de 1922, casou-se com o pintor, desenhista, ilustrador e artista plástico português Fernando Correia Dias. O casal teve três filhas: Maria Elvira (1923), Maria Mathilde (1924) e Maria Fernanda (1925).

Em 1927, no Rio de Janeiro, circulou a revista Festa, fundada por Tasso da Silveira e Andrade Muricy. A revista modernista tentava revalorizar a linha espiritualista de tradição católica e tinha Cecília Meireles entre seus colaboradores. Dois anos depois, escreveu para O Jornal, também do Rio de Janeiro, e, em 1930, dirigiu seção do Diário de Notícias.

Em 1934, inaugurou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro e do Brasil, ao dirigir o Centro Infantil. A partir desse ano, lecionou e proferiu conferências em várias universidades do mundo:

1934 – Conferências sobre Literatura Brasileira em Lisboa e Coimbra (Portugal), a convite do governo português;

1935 a 1938 – Professora de Literatura Luso-brasileira e de Técnica e Crítica Literária na Universidade do Distrito Federal (que na época estava sediada no Rio de Janeiro);

1940 – Professora do curso de Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos, além de participar de conferências sobre literatura, folclore e educação no México;

1953 – Congresso sobre Gandhi, em Goa, na Índia, a convite do primeiro-ministro Jawaharlal Nehru.

Casou-se pela segunda vez com Heitor Grillo, em 1940, pois seu primeiro marido, que sofria de depressão, suicidou-se em 1935.

Após uma vida dedicada à arte, ao conhecimento e a viagens pelo mundo, Cecília Meireles faleceu dia 9 de novembro de 1964, no Rio de Janeiro, vítima de um câncer no estômago, com o qual lutava desde 1962.

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Conceição Evaristo – vida e obra

Conceição Evaristo é uma escritora brasileira, doutora em Literatura Comparada e ex-professora da rede pública fluminense.

Romancista, poeta e contista, venceu o Prêmio Jabuti 2015 e foi homenageada como Personalidade Literária do Ano pelo Prêmio Jabuti 2019.

Negra e de origem pobre, a autora é um grande expoente da literatura contemporânea. Seus textos trazem a experiência de opressão e marginalidade, com forte valorização da memória ancestral.

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Como a tecnologia pode ajudar na alfabetização

O que a carteira em sala de aula tem a ver com um mundo hiperconectado? Muito pouco, sem dúvida. Talvez quase nada… Afinal, o mundo mudou, alunos e professores mudaram, a dinâmica das interações não é mais a mesma dentro e fora da escola.

Sobretudo depois da pandemia, quem imagina ser possível retornar à escola sem ter um novo olhar sobre as coisas?

Nesse cenário, é crucial que o professor perceba o quanto a tecnologia pode ser uma aliada na mediação do conhecimento e como o interesse é um motor superpotente para a aprendizagem. Então, não há como dissociar a educação – não só a alfabetização, mas o letramento, em particular – de como o mundo se encontra hoje, com tantos bites e bytes, gigas e “gês” rolando por aí.

Em 2020, 92% das crianças e adolescentes brasileiros de 10 a 17 anos viviam em domicílios com acesso à internet, segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). A proporção foi menor (82%) para indivíduos das classes D e E. Porém é importante ressaltar que a inserção de recursos tecnológicos no ambiente educacional, por si só, não garante que o estudante absorva o conhecimento.

O que pode trazer esse resultado é a maneira como o professor promove a articulação entre as ferramentas e conteúdos curriculares. E, diga-se, isso pode ser um enorme desafio para ele, que vai confrontar suas habilidades com os alunos nativos digitais.

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Carolina Maria de Jesus – vida e obra

Carolina Maria de Jesus foi uma improvável escritora, compositora e poetisa brasileira. 

Ela se destacou por seus relatos, em forma de livro-diário, sobre sua realidade na favela, repleta de sofrimento, luta e superação.

Como uma das primeiras autoras negras do país, seu nome é considerado um dos mais importantes da literatura nacional.

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Comportamento leitor – o que é e como estimular?

A leitura precisa ser estimulada desde a infância para que vá muito além do que decifrar códigos gráficos. Muito mais do que aprender o alfabeto, compreender a conexão entre as letras, sílabas e palavras, é preciso entender a relação delas com o mundo, e fazer disso um hábito. É, portanto, na prática cotidiana de ler que se adquire o chamado comportamento leitor.

Esse comportamento leitor nada mais é do que fazer da leitura um prazeroso costume. E que forma mais prazeirosa há de ler se não pela literatura?

Ler é essencial para a formação humana e é na relação direta com contextos que se estabelece a interpretação de algo escrito. Objetivamente, a leitura ajuda no desenvolvimento cognitivo e intelectual dos indivíduos. Mas ela se mostra ainda mais essencial nas questões sociais e emocionais.

Ninguém precisa ser um mestre em português, mas, quanto antes a prática da leitura for solidificada no dia a dia de alguém, maior será a chance dele crescer como um cidadão capaz de ler, entender, selecionar e organizar as informações por escrito.

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José Lins do Rego – vida e obra

José Lins do Rego foi um romancista e jornalista paraibano que fez parte da Geração de 30 do modernismo brasileiro. O autor integrou o “Movimento Regionalista do Nordeste”, é patrono da Academia Brasileira de Letras e teve sua obra Riacho Doce transformada em minissérie de televisão.

Vida pessoal e profissional

José Lins do Rego Cavalcanti nasceu em 3 de junho de 1901, no Engenho Corredor, no município de Pilar, Paraíba. Seu pai, João do Rego Cavalcanti, e sua mãe, Amélia Lins Cavalcanti, eram de uma tradicional família da oligarquia do Nordeste açucareiro. No mesmo ano de seu nascimento, ficou órfão de mãe e sua criação ficou por conta de seus avós.

Seus primeiros estudos foram no Instituto Nossa Senhora do Carmo, na cidade de Itabaiana, em regime de internato. Depois fez o curso secundário em João Pessoa, no Colégio Diocesano Pio X. Em 1918, após presenciar a decadência dos engenhos de açúcar, que deu lugar às usinas, mudou-se para o Recife. Nessa cidade, estudou no Colégio Carneiro Leão e Osvaldo Cruz.

No ano seguinte à mudança, matriculou-se na Faculdade de Direto do Recife. Enquanto cursava o ensino superior, fez amizade com os escritores José Américo de Almeida, Olívio Montenegro e, principalmente, com o polímata Gilberto Freyre, quem muito o influenciou. Nessa época, passou a colaborar no Jornal do Recife

José Lins formou-se em 1923 e, dois anos depois, já estava ocupando o cargo de promotor, em Manhuaçu, Minas Gerais. Casou-se com D. Filomena Masa Lins do Rego em 1924. Em 1926, mudou-se para Maceió e lá trabalhou como fiscal de bancos e de consumo até 1935, além de ter escrito para o Jornal de Alagoas.

Paralelamente, em 1932, publicou com os próprios recursos o seu primeiro livro, Menino de engenho, o qual lhe rendeu o Prêmio Graça Aranha.

A partir de 1935, transferiu-se definitivamente para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como fiscal do imposto de consumo novamente e colaborou em alguns jornais, mas sem deixar de lado suas produções literárias. Entre 1942 e 1954, foi secretário-geral da Confederação Brasileira de Desportos.

Em 15 de setembro de 1955, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, sendo o quarto ocupante da Cadeira 25, na sucessão de Ataulfo de Paiva.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 12 de setembro de 1957.

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Vanguardas Europeias: principais características

Vanguardas Europeias são um conjunto de tendências artísticas que ocorreram em diversos locais do continente europeu, sobretudo em Paris, a partir do início do século XX. 

“Vanguarda” é como são chamadas as tropas militares que estão à frente do exército. Por isso, metaforicamente, o termo também representa pioneirismo.

Nos séculos XVII, XVIII e XIX, a Europa era vista como um berço de grandes criações artísticas, no entanto, vários artistas sentiam-se amarrados aos moldes tradicionais.

Com o objetivo de ressignificar o que até então era considerado arte, os artistas das vanguardas violaram os padrões e fizeram inúmeros experimentos estéticos com novas técnicas e materiais, abrindo o caminho para a criação da arte moderna.

No Brasil, elas tiveram influência direta sobre o Modernismo, movimento iniciado na Semana de Arte Moderna de 1922.

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Érico Veríssimo – vida e obra

Érico Veríssimo é um dos nomes mais significativos do romance brasileiro. O autor despontou na década de 1930, durante a segunda fase do modernismo, período que produziu uma literatura de caráter mais construtivo, de maturidade, aproveitando as conquistas da geração de 1922 e sua prosa inovadora.

É o representante gaúcho dentro do regionalismo modernista e sua obra mais famosa é a trilogia O tempo e o vento, publicada em sete volumes. 

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