Por Pedro Valadares

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Preposição – definição e classificações

Preposição é a palavra invariável que tem como função estabelecer uma relação entre dois termos de uma oração.

Nesse sentido, segundo Celso Cunha e Lindley Cintra, as palavras conectadas passam a funcionar de tal modo que a primeira (antecedente) é explicada ou completada pela segunda (consequente). Vejamos alguns exemplos:

  • Vou a Brasília.
  • Eles saíram do carro.
  • O gato entrou pela janela.

Neste artigo, vamos falar mais sobre essa classe gramatical. Vejamos!

Índice do artigo:

Semântica e Sintaxe

De acordo com Fernando Pestana, do ponto de vista semântico, a preposição estabelece determinadas relações de sentido, que são dependentes do contexto. Afinal, por si só, a preposição é vazia de sentido. Vejamos alguns exemplos:

  • Joana falou a Jorge.
  • Joana falou após Jorge.
  • Joana falou contra Jorge.
  • Joana falou de Jorge.
  • Joana falou sobre Jorge.

Percebeu como a troca do conectivo alterou o sentido da frase?

Já do ponto de vista sintático, é importante destacar que as preposições não exercem função sintática alguma. Contudo, elas participam do sistema de transitividade verbal e nominal, introduzindo os complementos. Vejamos:

  • Eu discordo dos seus argumentos. (introduz o complemento verbal)
  • Esse tipo de programa é impróprio para menores de idade. (introduz o complemento nominal)

Pestana reforça que o papel da preposição é subordinar um termo a outro. Dessa forma, o primeiro (que vem antes do conectivo) é subordinante, e o segundo (que vem após o conector) é subordinado.

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As 10 classes gramaticais

Devido a uma semelhança morfológica, as palavras de nossa língua são divididas em dez classes gramaticais, também chamadas de classes de palavras.

Essas classes são: substantivo, artigo, adjetivo, numeral, pronome, verbo, advérbio, preposição, conjunção e interjeição. Vejamos uma por uma a seguir.

Flexão das palavras

Quanto à flexão, as dez classes gramaticais se dividem em variáveis e invariáveis:

  1. Variáveis – são as palavras que variam em:
  • gênero e número: substantivo, adjetivo, artigo e numeral;
  • pessoa, gênero e número: pronome;
  • pessoa, número, modo, tempo e voz: verbo.
  1. Invariáveis – são as palavras que não apresentam flexões: advérbio, preposição, conjunção e interjeição.

1. Substantivo

O substantivo é a palavra que nomeia tudo o que existe ou o que imaginamos existir. 

Quanto à forma, pode ser classificado em:

a) primitivo: pedra, motor, trovão.

b) derivado: pedreira, motorista, trovoada.

c) simples: fruta, pão, granjeiro, chuva, pedra.

d) composto: fruta-pão, hortifrutigranjeiro, chuva-de-pedra.

Quanto à significação, pode ser classificado em:

a) comum: homem, mulher, rio, remédio, cidade.

b) próprio: Jonas, Vanessa, São Francisco, Neosaldina, São Paulo.

c) abstrato: ódio, amor, beijo, toque, fé.

d) concreto: chuva, relógio, luz, Deus, Diabo.

e) coletivo: boiada, rebanho, tropa, vara, horda.

Quanto à flexão, pode apresentar:

a) Flexão em gênero: o substantivo pode ser masculino ou feminino. Exemplos: 

– gato, gata / homem, mulher / o jacaré macho, o jacaré fêmea.

b) Flexão em número: o substantivo pode ser singular ou plural. Exemplos:

– gato, gatos / homem, homens / mulher, mulheres.

Quanto à variação em grau, pode apresentar:

a) grau aumentativo: homem grande, homenzarrão, casa gigante, casarão.

b) grau diminutivo: homem miúdo, homenzinho, casa pequena, casinha.

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Junto a, junto de ou junto com – qual a forma correta?

As locuções junto a e junto de estão corretas. Elas são sinônimas de “perto de” ou “ao lado de”. Vejamos alguns exemplos:

  • O castelo fica junto ao rio.
  • O castelo fica junto do rio.
  • O anexo 4 fica junta à torre norte.
  • O anexo 4 fica junto da torre norte.

Já a expressão junto com é redundante e não deve ser utilizada. Recomenda-se usar somente a preposição “com”. Vamos analisar as frases abaixo:

  • Fui ao cinema junto com Patrícia. (redundante)
  • Fui ao cinema com Patrícia. (correta)

Mau uso de “junto a” e “junto de”

As expressões junta a e junto de não devem ser usadas no lugar de “com”, “a”, “de”, “em” e “entre”. Vejamos alguns exemplos desses mau usos:

  • A questão será resolvida junto à diretoria. (Errado)
  • A questão será resolvida com a diretoria. (Certo)
  • Pediu um financiamento junto à instituição bancária. (Errado)
  • Pediu um financiamento à instituição bancária. (Certo)
  • A empresa comprou o produto junto ao fornecedor. (Errado)
  • A empresa comprou do fornecedor o produto. (Certo)
  • Mariana entrou com recurso junto ao juizado. (Errado)
  • Mariana entrou com recurso no juizado. (Certo)
  • O discurso repercutiu bem junto aos eleitores. (Errado)
  • O discurso repercutiu bem entre os eleitores. (Certo)
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Volta às aulas x Volta as aulas – tem crase?

O correto é “volta às aulas“, com crase. Neste artigo, vamos explicar por que devemos utilizar o acento grave nesse caso. Vejamos.

Regência do verbo voltar

Quando é utilizado no sentido de regressar ou retornar, voltar é um verbo transitivo indireto. Isso significa que ele demanda o uso da preposição “a”.

Essa transitividade é transferida para o substantivo volta, que é derivado do verbo. Por isso, ele também pede a preposição.

Assim, temos o encontro da preposição “a” com o artigo definido feminino no plural “as”, que acompanha o substantivo “aulas”. Esse encontro caracteriza um caso de crase. Vamos esquematizar esse processo:

Volta a + as aulas (a + as = às). Logo, volta às aulas.

Vale destacar que, nessa construção, o termo “às aulas” é complemento nominal do substantivo abstrato “volta”.

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Depois x Após – qual é a diferença?

O leitor Álvaro Bangui nos enviou uma instigante dúvida: qual é a diferença entre as palavras APÓS e DEPOIS? Neste artigo, vamos explicar o que diferencia esses dois termos e explicar quando usar cada um. Vamos lá!

Sinônimos

Primeiramente, é preciso destacar que as duas palavras podem ser usadas como sinônimas. Porém, como se sabe, não existe sinonímia perfeita, ou seja, as palavras nunca são completamente intercambiáveis, porque sempre há algumas nuances de sentido que as diferenciam.

Preposição x Advérbio

A grande diferença entre após e depois reside na classificação gramatical. APÓS pode funcionar como preposição, quando tem o significado de “depois de”, “em seguida a”:

ex: Após a festa, fomos ao restaurante.

APÓS também pode agir como advérbio, quando o sentido é “depois” ou “atrás”.

ex: Minha casa fica após a padaria.

Já o vocábulo DEPOIS exerce somente a função de advérbio de tempo ou de lugar, significando “mais tarde” ou “mais longe”.

ex1: Depois que você terminar o dever de casa, poderá sair para jogar bola.

ex2: Depois da montanha, há um rio.

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Crase antes de aquele e aquela

Pronome e preposição

Veja quando utilizar a crase antes de pronomes demonstrativos.

A crase é um tema muito recorrente na língua portuguesa e que gera muitas dúvidas.  Neste texto, vamos tratar de um caso especial, que é a crase com os pronomes aquele e aquela. Só lembrando que já tratamos de outros 6 casos em que usamos o acento grave. Dito isso, vamos lá!

O que é mesmo a crase?

Antes de avançarmos, vale lembar que crase é o encontro de letras iguais, no caso entre as letras “a”.

À = A + A

Àquele = A + Aquele

Como identificar se há ou não crase?

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O que é paralelismo?

Definição de paralelismo

Entenda como usar o paralelismo.

Pergunta do leitor: Pode utilizar a seguinte frase: “vou à praia, o cinema e a aula”? Ou necessariamente deverá ser escrito “vou à praia, ao cinema e à aula”  ou “vou a praia, cinema e aula”.

Resposta

Um fator que deve ser um ponto de atenção na hora de escrever é o chamado paralelismo. Esse é o nome que se dá ao uso de estruturas idênticas ou similares. Um texto bem construído deve prezar pelo paralelismo, como forma de obter uma estrutura coerente e coesa. Dito isso, vamos analisar  a dúvida do leitor.

CASO 1 – Vou à praia, o cinema e a aula.

Aqui encontramos uma quebra do paralelismo, mais especificamente, do paralelismo sintático.  O objeto indireto  deve sempre estar ligado ao verbo pela preposição. Isso se aplica também nos casos em que há mais de um objeto direto. Então, o mais correto seria:

ex: Vou à praia, ao cinema e à aula. Continue reading

3C – fórmula para escrever bons textos

3C

Um bom texto é aquele que possui ideias claras e expostas de maneira harmoniosa, com um encadeamento lógico entre os parágrafos. Para isso, uma boa escrita deve conter os 3 Cs: coesão, coerência e consistência.

Coesão

Trata-se do uso adequado dos conectivos, que garantem unicidade à redação e criam uma ligação fluida entre as frases e parágrafos.

Os principais elementos de coesão são as preposições (a, de, para, com), as conjunções (que, porém, entretanto, todavia), os pronomes (este, cujo, o qual, ele, ela, lhe, la), os advérbios (aqui, à direita, lá, acolá) e as palavras denotativas (então, apenas, inclusive).

Coerência

Trata-se da garantia do significado lógico do texto, que evita contradições e quebras de sentido. Deve-se buscar a não contradição entre as ideias apresentadas na escrita. Veja o exemplo abaixo:

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EU e MIM – como usar um e outro?

Eu-x-mimQuem nunca sofreu (ouvindo ou falando) falando mim no lugar de eu? Esse é um dos equívocos mais comum na língua portuguesa. Então, vamos desfazer essa confusão.

REGRA: Pronome oblíquo não conjuga verbo. Ou seja, mim não faz coisa alguma.

DICA¹: Fique de olha nos verbos no infinitivo, aqueles terminados em -ar, -er, -ir, -or.

ex: Para eu fazer. (CERTO)

Para mim fazer.  (ERRADO)

DICA²: Mim sempre virá depois do verbo.

ex: Ele trouxe um presente para mim.

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Sujeito SEMPRE sem preposição

Muitas vezes,  é complicado acertar a concordância em frases com sujeitos que possuem adjuntos adnominais longos.

Ex.: A falta crônica de água de esgoto e de escola nas periferias são um problema para a humanidade.

Para evitar esse equívoco, basta se lembrar que sujeito nunca vem acompanhado de preposição. NUNCA!

Como acertar a concordância?

Para acertar a conjugação, vamos identificar as preposições. Vejamos:

Ex²: A falta crônica de água de esgoto e de escola nas periferias é um problema para a humanidade.

Perceba que o único termo não preposicionado é “falta”, logo estamos diante de um sujeito simples. Então a conjugação correta do verbo ser é:

ex³: A falta crônica de água de esgoto e de escola nas periferias é um problema para a humanidade.

Preposição “de”

Outro erro comum que envolve sujeito preposicionado é a equivocada contração da preposição “de” com o artigo definido masculino “o” que compõem o sujeito de uma oração. Vejamos um exemplo:

  • Já é hora dos deputados votarem o projeto. (errado)
  • Já é hora de os deputados votarem o projeto. (certo)

Existe algum caso de sujeito preposicionado?

Para terminar, vale ressaltar que alguns gramáticos mais antigos, como Rebelo Gonçalves e de Eduardo Carlos Pereira, consideravam legítima a contração da preposição com o artigo que inicia o sujeito de uma oração.

Em outras palavras, esses estudiosos chancelavam um caso de sujeito preposicionado.

ex: Amanhã é dia dele ir à academia.

Destaca-se, contudo, que atualmente esse tipo de construção é vista pela maioria dos gramáticos como uma infração da norma culta. Por isso, deve ser evitada.

ex: Amanhã é dia de ele ir à academia.

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