Vanguardas Europeias são um conjunto de tendências artísticas que ocorreram em diversos locais do continente europeu, sobretudo em Paris, a partir do início do século XX. 

“Vanguarda” é como são chamadas as tropas militares que estão à frente do exército. Por isso, metaforicamente, o termo também representa pioneirismo.

Nos séculos XVII, XVIII e XIX, a Europa era vista como um berço de grandes criações artísticas, no entanto, vários artistas sentiam-se amarrados aos moldes tradicionais.

Com o objetivo de ressignificar o que até então era considerado arte, os artistas das vanguardas violaram os padrões e fizeram inúmeros experimentos estéticos com novas técnicas e materiais, abrindo o caminho para a criação da arte moderna.

No Brasil, elas tiveram influência direta sobre o Modernismo, movimento iniciado na Semana de Arte Moderna de 1922.

Contexto histórico

O início do século XX na Europa foi marcado por uma enorme mudança de paradigmas, visto que Segunda Revolução Industrial difundiu grandes invenções, como carro movido a gasolina, luz elétrica e produção em larga escala de bens de consumo. Com isso, o ritmo da vida foi acelerado de forma geral.

Graças à industrialização, as cidades transformavam-se em grandes metrópoles, enquanto as ciências estavam em constante evolução — em 1905, Einstein publicou a Teoria da Relatividade e Freud propôs a análise dos processos mentais, resultando no surgimento da psicanálise e possibilitando outras descobertas.

Era o despertar de uma nova era, com novas formas de pensar, viver e enxergar o mundo. Portanto, a arte também precisava se reinventar para captar a atual postura da modernidade.

Além disso, a fotografia, inventada no século XIX, estava sendo cada vez mais aperfeiçoada, dispensando uma arte “camuflada”, assim como o cinema também mostrava-se como novo formato artístico.

No entanto, esse cenário tecnologicamente inflado não foi capaz de sanar a fome, a miséria e os outros problemas da humanidade. Pelo contrário, foi palco de um conflito sombrio, de magnitude nunca antes vista: a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

O evento impactou os últimos movimentos das Vanguardas Europeias de forma direta, fazendo com que os artistas questionassem ainda mais as tradições e tivessem ainda mais entusiasmo com a modernização crescente do período.

Principais correntes vanguardistas

Cada uma das correntes vanguardistas têm suas próprias particularidades, tendo se desenvolvido como movimentos independentes, cujo objetivo central era a reformulação estética, que desprezava a cultura e o gosto que regiam a arte naquele período.

Outro ponto em comum entre elas era a aproximação de diversas formas de artistas – arquitetos, escritores, escultores, músicos, pintores e poetas conviviam e produziam juntos nos movimentos. 

As principais correntes vanguardistas são: futurismo, surrealismo, cubismo, expressionismo, fauvismo e dadaísmo. Saiba mais sobre elas.

Futurismo

Entusiasmados pela modernização das cidades que se transformavam em metrópoles, os futuristas veneravam as máquinas, as invenções e a velocidade, adorando a industrialização do mundo moderno industrializado, além de propor experimentações estéticas que retratavam esse dinamismo.

Também entusiastas do patriotismo, boa parte dos futuristas declararam apoio ao fascismo italiano, liderado por Benedito Mussolini.

Surrealismo

Motivados pela teoria psicanalítica de Freud, a arte proposta pelos surrealistas abordava o universo imaginário e do inconsciente, derrubando fronteiras entre lucidez e delírio, sonho e realidade.

O surrealismo gerou novas técnicas de composição artística ao apreciar processos não racionais do cérebro, indo contra o posicionamento hiperlógico, mecanicista e cientificista.

Cubismo

Buscando romper a tradição artística consolidada em concordância com a nova realidade da industrialização, em que houve a aceleração do tempo, a principal característica dos cubistas era a eliminação da geometrização das formas e da perspectiva plana.

Em outras palavras, no cubismo, existia a sobreposição de diversas perspectivas, o que trazia inovações para a literatura e as artes plásticas, por meio da técnica de colagem e da representação de diferentes visões simultaneamente.

Expressionismo

Considerado a primeira vanguarda, o expressionismo apreciava a gravura e as artes primitivas. Os expressionistas foram os primeiros a exigir que a arte não representasse a realidade de forma mimética, o que era comum em todas as demais vanguardas.

Para eles, a representação da arte deveria ser a realidade subjetiva, que parte de interpretações individuais. Cores vibrantes, estética do grotesco e figuras deformadas são algumas de suas particularidades.

Fauvismo

A base do fauvismo era a intensidade cromática, o uso de cores puras e a simplificação das formas. O estilo de pintura defendia que as cores puras deviam ser usadas ocasionalmente, descompromissadas em relação às cores reais.

Devido a essas características, os pintores deste movimento foram chamados de fauves (feras, em tradução livre) pelos críticos durante o Salão de Outono devido ao novo modo de pintar. Daí surgiu o termo fauvismo.

Dadaísmo

Inovador, provocativo e arrojado, o dadaísmo abolia as leis da lógica e adotava o lema “a destruição também é criação”. Os dadaístas foram impactados pela Primeira Guerra Mundial, que causou nos artistas uma repulsa ainda maior pelas tradições. 

Entre as artes de vanguarda que valorizavam a ruptura, o dadaísmo foi a maior delas, tendo negado todas as regras, valores vigentes e culturas tradicionais, Basicamente, propunha uma “antiarte”.

De modo geral, as Vanguardas Europeias trouxeram ao mundo uma nova forma de fazer arte, com base na liberdade de criação e na ruptura com o tradicionalismo.

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