Clube do Português

Língua Portuguesa e Literatura

Cruzamento sintático: o que é e como evitar?

Na sintaxe da língua portuguesa, cruzamento sintático é o fenômeno que pode ser ou não um vício de linguagem. Neste artigo, vamos explicar melhor este conceito. Vejamos!

O que é cruzamento sintático?

O cruzamento sintático ocorre quando duas construções linguísticas, no lugar de trazer clareza, causam confusão no recebimento da mensagem.

Vejamos alguns exemplos:

  • Ela gosta de dançar e principalmente de música. (A confusão é: se ela gosta de dançar, naturalmente, será ao som de música. A segunda oração não contribui para a compreensão porque cruza informações);
  • Fiquei irritada naquele lugar tanto porque a música era ruim mas também porque eu não conhecia ninguém. (Aqui, surge a necessidade de paralelismo para equilibrar a oração, pois “tanto” pressupõe que se use em seguida “quanto”).

Quando os pares não são respeitados e a estruturação oracional é comprometida, a harmonia do texto é prejudicada. É importante ficar atento, pois os cruzamentos sintáticos podem também afetar a regência de alguns verbos. 

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Crase antes de essa – tem ou não tem?

Não se deve usar crase antes de “essa”, tampouco antes de alguns outros pronomes demonstrativos. Neste artigo, vamos explicar o porquê. Vejamos!

Crase

Primeiramente, é importante lembrarmos o que é a crase. 

A palavra crase vem do termo grego krâsis, que significa “mistura” ou “fusão de sons”. E é justamente esta sua função: fundir duas vogais “a” que se encontram em uma oração.

Em geral, isso ocorre em três situações:

  1. encontro da preposição “a” com os artigos definidos “a” ou “as”;
  2. encontro do pronome demonstrativo “a” com a preposição “a”;
  3. encontro dos pronomes demonstrativos “aquilo”, “aquele” e “aquela” com a preposição “a”.

Nestes casos, o acento grave deve ser inserido em cima da letra “a”.

Pronomes demonstrativos

Já os pronomes demonstrativos, como é o caso do termo “essa”, servem para apontar a distância (física ou temporal) entre algo e alguém dentro do mesmo discurso. 

Exemplos

  • Pronomes demonstrativos invariáveis: aquilo, isso e isto;
  • Pronomes demonstrativos variáveis: essa, esta, essas, estas, esse, este, esses, estes, aquela, aquele, aquela, aqueles e aquelas;
  • Pronomes demonstrativos eventuais: mesmo, mesmos, mesma, mesmas, semelhante, semelhantes, tal e tais, própria, próprias, próprio, próprios.
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Qual o plural de cachorro-quente?

Qual o plural de cachorro-quente

O plural de cachorro-quente é cachorros-quentes. Neste artigo, vamos explicar qual regra se aplica a este caso. Vejamos!

Plural dos substantivos compostos

Quando os termos compostos são formados pela união de um substantivo com um adjetivo, ambos os termos devem ir para o plural. É exatamente o caso de cachorro-quente (substantivo “cachorro” + adjetivo “quente”). Vejamos outros vocábulos que seguem essa mesma regra:

  • Cachorro-quente – Cachorros-quentes;
  • Guarda-noturno – Guardas-noturnos;
  • Gentil-homem – Gentis-homens;
  • Cavalo-marinho – Cavalos-marinhos.
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Caqui x Cáqui – qual a diferença?

Tanto caqui quanto cáqui são palavras que existem na língua portuguesa. Elas, contudo, têm significados bem distintos. Neste artigo, vamos mostrar quando e como utilizar cada um dos termos. Vejamos! 

Caqui – quando usar?

Caqui, sem o acento agudo na primeira sílaba, é um substantivo masculino que faz referência a uma fruta avermelhada de sabor doce, originada do caquizeiro. 

Trata-se de uma palavra oxítona (a última sílaba é a tônica), que tem origem da palavra japonesa kaki. Veja alguns exemplos com o uso dela:

  • O caqui é uma fruta bem doce, rica em ferro, proteína e cálcio.
  • Gosto muito de comer caqui durante o dia.
  • No Brasil, temos uma plantação enorme de caqui.
  • Meus filhos amam comer caqui
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Siso x Ciso – qual a forma correta?

Siso ou ciso? A forma correta é siso, com “s”. Neste artigo, vamos explicar por que a palavra se escreve com “s”, e não com “c”. Vejamos!

O que é siso?

O siso, também chamado de dente do juízo, localiza-se atrás de todos os outros, isto é, em cada uma das quatro extremidades da boca (2 superiores e 2 inferiores), sendo o último dente a nascer. 

Uma curiosidade a respeito dele é que algumas pessoas não têm esse dente; em outras, ele nem chega a nascer, ficando contido na gengiva.

Por que siso, e não ciso?

Porque a palavra siso tem sua origem na palavra latina “sensus”, que começa com a letra “s”. Logo, “siso” também se inicia com “s” e não com “c”.

As consoantes “s” e “c” partilham o mesmo fonema quando seguidas das vogais “e” e “i (“ci” e “si” têm pronúncias idênticas), assim como “ce” e “se”.

Porém, não existem regras que determinam quando deve ser empregado “s” ou “c”. A forma correta está sempre associada à origem da palavra.

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Depilação a laser ou à laser – tem crase?

A forma correta é “depilação a laser“, sem crase. Neste artigo, vamos explicar por que não devemos utilizar o acento grave com essa expressão. Vejamos!

Crase

Primeiramente, vamos relembrar o que é a crase. Ela consiste na contração de duas vogais iguais e é representada pelo acento grave.

A contratação mais comum é a da preposição “a” com o artigo definido feminino “a”.

  • a + a = à.

Para que a crase ocorra, é preciso que a preposição “a” e o artigo definido feminino “a”, indicativo de uma palavra feminina, apareçam ao mesmo tempo.

Exemplos

  • Fomos à escola.
  • Vou à praça.
  • Iremos à agência bancária.
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Eu te amo, te amo ou amo-te – qual a forma correta?

Afinal, a forma correta é “eu te amo”, “te amo” ou “amo-te”? Neste artigo, vamos tirar essa dúvida e mostrar qual a regra de colocação pronominal correta. Vejamos!

A expressão “Te amo” está correta?

Apesar de nos depararmos frequentemente com as palavras: “te amo”, a maioria das pessoas não sabem, de fato, a maneira correta de escrevê-la. Então, vamos à explicação.

De acordo com a gramática da Língua Portuguesa, é incorreto iniciar uma oração com pronomes pessoais do caso oblíquo, aqueles que são acompanhados ou não de preposição. Confira abaixo quais são eles:

Pronomes pessoais oblíquos átonos: 

  • 1ª Pessoa – Me (no singular), nos (no plural);
  • 2ª Pessoa – Te (no singular),  vos (no plural);
  • 3ª Pessoa – Se, lhe, o, a (no singular), se, lhe, os, as (no plural).

Os pronomes pessoais oblíquos átonos não precisam ser acompanhados por nenhuma preposição para que seu sentido seja compreendido. Eles exercem a posição de complemento da oração.

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Como, bem como, assim como: quando usar cada um?

A língua portuguesa tem tantas expressões parecidas que, se não forem utilizadas no contexto adequado, podem causar confusão.

O contexto adequado não costuma ser difícil de construir: às vezes, uma única vírgula consegue mudar todo o sentido de uma frase.

A posição que as expressões textuais ocupam determinam a compreensão do texto e a produção de sentido. No artigo de hoje, vamos analisar as expressões “como“, “bem como” e “assim como“, que serão utilizadas com um sinal de pontuação: a vírgula (,).

Conjunções subordinativas comparativas: como, bem como, assim como

Uma conjunção subordinativa comparativa é aquela que estabelece um paralelo em relação à oração. Serve como meio de ligação, correspondência e comparação. Como as demais conjunções subordinativas, são invariáveis. 

Além de “como“, “bem como“, “assim como“, também fazem parte do mesmo grupo comparativo as expressões “que nem”, “que”, “do que”, “tal qual”, etc.

Exemplos com a conjunção “como”

  • Como eu e ele também não gostamos de pudim.
  • Eu, como ele, também não gosto de pudim.

Exemplos com a conjunção “assim como”

  • Eu, assim como ele, não gosto de pudim.
  • Eu assim como ele não gostamos de pudim.

Exemplos com a conjunção “bem como”

  • Eu, bem como ele, não gosto de pudim.
  • Eu bem como ele não gostamos de pudim.
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Qual o plural de cônsul?

O plural de cônsul é cônsules. Neste artigo, vamos mostrar qual regra se aplica a esse caso. Também vamos mostrar qual o feminino da palavra. Confira!

Plural de palavras terminadas com “L”

Em regra, o plural das palavras terminadas em “l” é feito por meio da substituição da consoante por “is”. Vejamos alguns exemplos:

  • Casal – Casais
  • Especial – Especiais
  • Animal – Animais

Há, contudo, algumas exceções. Nesses casos, em vez de “is” acrescenta-se “es” ao final dos vocábulos. É exatamente o caso de cônsules. Vejamos outros termos que se encaixam nessa situação:

  • Mal – Males
  • Mel – Meles
  • Fel – Feles
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Classificação de vogais e consoantes

A fonética é a ciência responsável pelo estudo dos sons da língua. As partículas sonoras, que nos permitem distinguir as palavras, são a vogal, semivogal e consoante. Para explicar a classificação de vogais e consoantes, é preciso observar alguns pontos sobre o aparelho fonador humano.

O que é aparelho fonador humano?

Aparelho fonador é como chamamos o conjunto de órgãos responsáveis pela fonação. Por exemplo: os pulmões, brônquios e traqueia são os órgãos respiratórios que permitem a corrente de ar, sem a qual não existiriam sons. A maioria dos sons que conhecemos são produzidos na expiração.

As cordas vocais ficam na laringe e marcam a sonoridade e vibração dos sons. A faringe, boca, língua e fossas nasais contribuem para a variedade sonora. É a partir das funções do aparelho fonador que conseguiremos classificar os fonemas, ou seja, vogais e consoantes. 

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