Clube do Português

Por Pedro Valadares

Ponto de exclamação – o que é e como usar

O ponto de exclamação é o sinal que fundamentalmente marca algum tipo de ênfase que se pretende dar à sentença. Normalmente indica altissonância e exaltação de espírito e pode apresentar diversos valores semânticos.

Normalmente é utilizado nos seguintes casos:

1. Para exprimir espanto, surpresa, alegria, admiração, entusiasmo, cólera, dor, súplica etc.

– Que bebê fofo!

– Por favor, me perdoe!

2. Após interjeições e onomatopeias:

Valha-me Deus!

– Correu tanto que o seu coração parecia que ia sair pela boca… tum-tum! tum-tum!

3. Após vocativos enfáticos (substitui a vírgula):

– “Ai! Morena! És tão bela… perdi-me!” (Álvares de Azevedo)

João Pedro! quem quebrou este jarro?

Neste caso, é possível que venha letra minúscula após o ponto de exclamação.

4. Após verbo no imperativo:

Saia daqui agora!

Pare com essas brincadeiras!

5. Em frases volitivas (que exprimem desejo):

– Deus te ouça!

Desejo que você seja muito feliz!

6. Combinado com o ponto de interrogação para acentuar a inflexão da voz num tom de surpresa, admiração (?! ou !?):

– Você chegou atrasado no primeiro dia de trabalho!? 

– Como pode ser tão hipócrita assim?!

7. Combinado com reticências, o que lhe acrescenta um tom de incerteza, malícia, ironia ou outro sentimento:

– Coitada!… Quem poderia imaginar que acabaria assim?

– Estou muito feliz! Você nem sabe o quanto…!

8. Repetido (duas ou mais vezes) para marcar um reforço especial na duração ou intensidade da voz:

– Que golaço desse cara!!!

– Canalhas!!!!! Me vingarei de todos!!!

Parênteses: como e quando usar

Os parênteses são sinais de pontuação empregados, normalmente, para isolar palavras, expressões ou frases que não se encaixam na sequência lógica do enunciado. Por essa razão, a informação trazida pelos parênteses é dispensável e pode ser retirada da frase sem que haja alteração no sentido dela.

Muito parecidos com os travessões e as vírgulas, os parênteses são empregados para:

1. Adicionar uma explicação circunstancial:

– Para Saussure, o signo linguístico é formado por duas partes: o significante (unidade formada pela sucessão de fonemas) e o significado (conceito ou ideia).

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Período simples e composto: características e diferenças

Período é uma frase formada por uma ou mais orações, por isso deve apresentar pelo menos um verbo ou locução verbal.

O início do período se dá com a letra maiúscula que inicia a frase e termina em ponto, ponto de interrogação, ponto de exclamação ou reticências.

Exemplos de períodos:

– Durante as suas férias, conheceu todo o Sul do Brasil.

– A jornalista garantiu que chegará a tempo!

Seria este o homem dos meus sonhos?

Perceba que todas as frases acima são orações, pois apresentam um ou mais verbos, começam com letra maiúscula e terminam com algum tipo de pontuação. Dessa forma, cada uma dessas três frases constituem um período.

O período também pode ser classificado em simples e composto. Veja a diferença a seguir.

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Complemento nominal – o que é e como identificar?

O complemento nominal é um termo integrante da oração que completa o sentido de certos nomes (substantivo, adjetivo ou advérbio terminado em -mente).

É obrigatoriamente regido por preposição e normalmente tem valor semântico passivo, ou seja, a ação recai sobre ele. Exemplo:

– Temos certeza da vitória.

O complemento nominal é da vitória, pois liga-se ao substantivo certeza, está acompanhado da preposição de e tem valor semântico passivo, pois quem tem a certeza (sujeito agente) é o sujeito oculto nós.

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Orações intercaladas – o que é e como identificar?

Orações intercaladas, também chamadas de interferentes, são aquelas que acrescentam um comentário em relação ao que está sendo dito em outra oração e não exercem função sintática no período.

Tais orações aparecem sempre isoladas por vírgula, travessão, parênteses ou colchete e o comentário que realizam costuma ser uma opinião, observação, desejo, desculpa, ressalva ou advertência do emissor.

Exemplo de oração intercalada:

– Tu necessitas (mais uma vez eu digo) de bom-senso.

Perceba que temos duas orações no período acima:

1. Tu necessitas de bom-senso.

2. mais uma vez eu digo.

A primeira é a que contém a mensagem principal que se quer passar; a segunda, no entanto, foi incorporada à primeira com os parênteses para acrescentar um comentário.

Portanto, chamamos a segunda de oração intercalada, e por não haver conectivo para ligá-la à primeira, foi incorporada a ela por justaposição. Dessa forma, podemos dizer que as orações intercaladas são um tipo de oração justaposta.

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Aspecto verbal – definição e exemplos

Aspecto verbal é uma categoria gramatical que trata do tempo gasto na duração do processo verbal.

Esse tempo é expresso de acordo com o ponto de vista do locutor e pode ser considerado concluído (resultado da ação) ou não concluído (começo, duração ou repetição da ação).

Exemplos:

– A criança começou a andar. (tempo do verbo começar: pretérito) 

– A criança começará a andar. (tempo do verbo começar: futuro)

Apesar de as duas formas verbais estarem em tempos diferentes, o aspecto é o mesmo, pois nos dois casos trata-se do início da ação de falar. Portanto, na primeira oração, temos início da ação de falar no passado e, na segunda oração, temos início da ação de falar no futuro. Ou seja, aspecto e tempo coexistem.

Tipos de aspecto verbal

Os aspectos verbais dividem-se em quatro, sendo que três deles apresentam subdivisões. Acompanhe:

1. Imperfectivo: o processo verbal não tem limites claros e seu prolongamento é impreciso. Subdivide-se em:

a) inceptivo / incoativo: algo está em seu início.

Começou a reclamar da vida.

Passou a fazer curso de Filosofia.

b) cursivo / durativo: algo teve um início e continuou ou continua, sem conclusão, ignorando limites de início e fim.

– O discurso permanece igual.

– O aluno tem estudado muito a Língua Portuguesa.

c) terminativo / conclusivo: indica a conclusão de um fato.

– O jogo acabou.

Conseguimos fazer todos os exercícios.

2. Perfectivo: o processo verbal está concluso, finalizado. Subdivide-se em:

a) pontual: o fato ocorre no momento da declaração ou o seu fim ocorre tão logo ele inicie.

– A criança se levantou e caiu.

Estou dirigindo agora, depois eu te ligo.

b) resultativo: resultado que decorre da conclusão de uma ação.

– Depois da reunião, o discurso está decidido.

– A atitude dos políticos irá impactar o Congresso.

c) cessativo: interrupção de um processo no presente.

Cale a boca!

Pare de falar tantas besteiras.

3. Iterativo / frequentativo: o processo verbal indica repetição, hábito, costume, frequência. Subdivide-se em:

a) iterativo imperfectivo: ação repetida com duração.

Estão falando mal de você!

– Maria costuma meditar pelas manhãs.

b) iterativo perfectivo: um coletivo de ações pontuais.

– Já caí muitos tombos na vida.

Acordei muitas vezes em braços alheios.

4. Indeterminado: trata de verdades absolutas ou tomadas como tal, científica, religiosa ou culturalmente. Não apresenta subdivisões.

– Quem cala consente.

– Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.

Prefixos gregos e latinos

O prefixo é um tipo de morfema que se posiciona antes do radical para formar novas palavras. A depender do contexto, o prefixo também pode mudar de sentido e sofrer alomorfia (mudança de forma).

Na palavra despedaçar, por exemplo, o prefixo des- significa partir, dividir; mas na palavra desinquieto, o des- significa intensificação. Por outro lado, esse mesmo prefixo sofre alomorfia quando forma palavras como decompor, distenso e difícil.

Os prefixos podem ser tanto de origem grega quanto latina. Veja os principais a seguir.

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Radicais gregos e latinos

As palavras contêm vários elementos denominados morfemas, e o principal morfema de uma palavra é o radical.

O radical é o elemento que contém o sentido básico da palavra e é responsável pela formação de outras novas, não podendo ser decomposto em unidades menores. Exemplo:

amargo, amargor, amargura, amargurar e amargurado são palavras formadas a partir do radical amarg-.

Normalmente, as palavras da língua portuguesa vêm do latim e do grego. Conheça os radicais dessas línguas a seguir.

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Alomorfia – conceito e exemplos

Alomorfia é uma variação sofrida por algum morfema de uma palavra a fim de que ela seja melhor pronunciada.

O morfema é estudado pela morfologia, parte da gramática que trata da estrutura das palavras, o processo de formação pelo qual elas passam e as classes gramaticais em que se dividem.

A estrutura das palavras é composta por um radical e outras partes que se ligam a ele. Tanto o radical quanto essas outras partes são chamadas de morfema

O morfema é a menor parte significativa de uma palavra e pode ser dividido em: radical, desinências (nominal e verbal), vogal temática e afixos (prefixos e sufixos). Além disso, também pode decompor-se em fonemas, que são as unidades mínimas que não têm significado gramatical ou semântico.

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